ÍNDIA (Parte II)

Tal como disse no post anterior, como o relato da Índia estava a ficar muito longo tive de o em duas partes. Nesta segunda levo-os comigo a locais que visitei sozinha.
Para quem não tinha muita ideia de visitar este país bem que o corri de norte a sul... Sabem é que se começam a ver os guias de viagem e a curiosidade aumenta...  e rapidamente se conclui que apesar do Rajastão ser aquela parte da Índia que é mais conhecida e visitada, este país tem muito mais de encantador a visitar. Acredito neste post irão ver locais que a maioria desconhece mas fiquem a saber também que ainda ficam uns tantos por descobrir...

14. KOCHI  കൊച്ചി (Kerala)

Como estava a contar, depois de o Rui ter regressado a casa continuei a minha viagem pela Índia. A minha ideia era conhecer as famosas Backwaters de Kerala mas antes disso decidi parar em Kochi.

Kochi, também conhecida como Cochin, é a segunda maior cidade do estado indiano de Kerala cuja capital é Thiruvananthapuram (digam lá 3 vezes e muito depressa ahaha). Kochi está localizada na costa sudoeste da Índia a cerca de 10 ° N do equador, isto é, muito próxima do equador... Kochi com cerca de 19 km de comprimento e menos de 1,6 km de largura, incluindo algumas ilhas e penínsulas, abrange uma área de 94,88 km ² e tem um litoral de 48 km. Para o oeste fica o Mar da Arábia, e para leste estão os estuários drenados pelos rios.



Sendo uma cidade maioritariamente marítima há uma série de serviços de ferry para o transbordo de veículos e passageiros entre as penínsulas e ilhas que constituem o território no entanto, com a construção recente de pontes está a tornar-se uma alternativa importante para os habitantes… Eu voto sempre nos barcos… e foi de barco que me dirigi desde o "bairro" de Ernakulam (principal zona urbana) ao de Fort Kochi e Mattancherry as zonas históricas de Kochi...



Não será um sítio dos mais conhecidos na Índia… e podem estar a perguntar-se porquê parar em Kochi?… Primeiro porque estava curiosa de ver as famosas redes de Fort Kochi (já verão mais à frente do que falo… ) e depois pela sua história… Esta cidade tornou-se, em 1102, a sede do Reino de Cochim, e desde o século XIV foi um importante centro comercial de especiarias sobre a costa do Mar Arábico. Foi ocupada pelos Portugueses comandados por Afonso de Albuquerque em 1503, tendo sido o local do primeiro assentamento colonial europeu na Índia… Manteve-se a capital do Estado Português na Índia até 1530, quando se optou por Goa como capital. A cidade foi posteriormente ocupada pelos holandeses por volta de 1663, e depois pelos britânicos que permitiram a governação do Marajá de Kochi, sob o seu domínio. Quando em 1947, a Índia conquistou a independência do domínio colonial britânico, Kochi foi de bom grado, o primeiro estado a aderir ao principado da União Indiana.

Em Kochi,  apenas visitei Fort Kochi e Mattancherry, ambas na mesma península. Fort Kochi erguido durante a administração portuguesa, é uma das três principais zonas urbanas da cidade de Kochi o que é estranho porque a primeira impressão que se têm de Fort Kochi é de ser uma cidade meio abandonada onde um silêncio brutal (excelente) impera... até parece que o tempo aqui passa mais de vagar...




Pode-se visitar Fort Kochi de bicicleta mas algumas distâncias são granditas pelo que recorrer a uma ajuda a motor não é de se deixar de lado…




Ainda se vê nas ruas de Fort Kochi.uma mistura de casas antigas construídas pelos portugueses, holandeses e britânicos no período colonial. E não faltam museus que nos permitem viajar um pouco na história…




Também se vêm algumas igrejas do tempos coloniais em funcionamento. Como a Basílica de Sta. Cruz, na fotografia.

Embora 47% dos habitantes pratiquem o hinduísmo, 35% são cristãos fazendo de Kochi uma cidade com uma das maiores populações cristãs na Índia. Na verdade Kochi tem uma comunidade diversificada e multicultural constituída por hindus, cristãos, muçulmanos, jainistas, sikhs e budistas, entre outras, todos vivendo em coexistência pacífica. Em Kochi celebram-se festas tradicionais indianas mas também cristãs e islâmicas como Natal,Páscoa, Eid ul-Fitr e-Milad e Sherif . Também festejam o Carnaval durante os últimos dez dias de dezembro.




Uma das igrejas mais importantes de Fort Kochi e das mais antigas da Índia é a Igreja de São Francisco, construída em 1503 pelos portugueses e que é famosa porque Vasco da Gama, o primeiro explorador europeu a navegar para a Índia, aqui ter sido sepultado, até os seus restos mortais terem sido devolvidos a Portugal em 1539. A igreja original era de madeira e foi reconstruída em 1516 como uma estrutura permanente.




De qualquer forma, o que cativa mais público e desperta o interesse dos visitantes, por Kochi, é uma série de redes pré-coloniais chinesas que se podem ver à beira-mar. Acredita-se que estas redes de pesca, chamadas Cheena Vala, tenham sido introduzidas por comerciantes chineses no início do século XIV.

Na verdade foram estas redes que me trouxeram aqui… se funcionaram comigo, imaginem com os peixes… ahah




A minha curiosidade foi notada e logo os pescadores me convidaram a ajudar… imagino que é para isto que lá querem os turistas… ahaha brincadeira… não consegui ajudar nada de jeito, acreditem… é que não se nota nas fotografias mas estavam pelo menos 3 homens a puxar a rede… imaginem o quanto terá valido a minha ajuda… 0,0001%... ahah




Mas realmente é giro ver este sistema, basicamente mergulham-se as redes dentro de água, espera-se e depois erguem-se, tudo com base num sistema de pesos e contra-pesos… e algumaaa força...




Seja como for, chamam a atenção na paisagem…




…e o peixe e marisco que se comem por ali são fresquíssimos… Na verdade comi bom peixe grelhado na Índia, apesar de em geral o tempero, e daí o gosto, não ser tão bom como em Portugal…




Na verdade, o porto de Kochi é um dos portos seguros no Oceano Índico e está entre os principais portos marítimos da Índia sendo o quartel-general do Southern Naval Command, o principal centro de treino da marinha indiana. O porto de pesca é muito importante para a região e abastece de peixe tanto mercados locais como de exportação.




A cidade é também um grande exportador de especiarias como pimenta e açafrão sendo o lar do International Pepper Exchange, onde a pimenta preta é comercializada globalmente.




Trabalhar com especiarias pode ser árduo… estas senhoras estão horas a fio a peneirar o que imagino que não seja fácil, ainda para mais porque o pó e o cheiro se entranham nos pulmões… só estive ali uns minutos e bastou-me…




Mas Kochi não vive só do mar e das especiarias, tem mais de 250 indústrias, incluindo de produtos químicos e petroquímicos, pesticidas, fertilizantes, compostos de zinco e cromo, couro etc. E ainda à semelhança de outras cidades no sul da India, as TI e indústrias relacionadas também estão a ganhar uma dimensão significativa em Kochi, em especial devido à disponibilidade de banda larga através de cabos submarinos baratos e com menores custos operacionais que outras grandes cidades na Índia e possivelmente também devido à elevada taxa de alfabetização de 94%. De facto à primeira vista a Índia parece-nos um país muito pouco desenvolvido mas quando olhamos para alguns números tomamos consciência da “revolução económica” que se está a dar no país…

Ainda assim as actividades económicas de Kochi não ficam por aqui… o turismo também é uma actividade importante e para melhor explorar o potencial do porto de águas profundas em toda a temporada estão a ser construídos um terminal de cruzeiros internacionais e diversas marinas… de resto encontramos alguns sítios agradáveis onde ficar…




É um sítio giro de passagem, em especial se estiver em caminho… Para quem conhece, fez-me lembrar um pouco a Ilha de Moçambique…




Uma das praias…




Os moradores Kochiites estão, à semelhança do que acontece noutras cidades na Índia, a tornarem-se mais cosmopolitas. As pessoas estão cada vez mais conscientes da moda e de outros sinais de modernismo ocidental... e são uma simpatia…




Mattancherry, a uns 30 minutos a pé de Fort Cochi, é a parte mais histórica da cidade e é onde os antigos judeus começaram os seus negócios, tem uma Sinagoga Judaica, um palácio Museu e alguns templos hindus e jainistas e mesquitas. Há também Bazaar onde conseguimos comprar especiarias diferentes e artigos de decoração em segunda mão. Aqui a arte é a palavra de ordem.




E assim terminou a minha breve visita a Kochi... e lá apanhei novamente o comboio em direcção, mais uma vez a sul... esta viagem foi gira porque descobri uma porta aberta e fui uma parte da viagem à porta a ver a paisagem, a tirar fotografias e tentar não cair dali abaixo...




O meu destino eram as backwaters de Kerala a minha ideia inicial era fazer a viagem de Alappuzh a Kollam pelas backwaters... mas li algures que era um bocado longo, repetitivo e incerto e optei por seguir para Kollam de onde seguiria para as backwaters... De qualquer forma acho que seria uma forma gira de fazer esse caminho...


15. KOLLAM (Kerala)

Kollam (anteriormente conhecido como Quilon) foi um dos principais centros de comércio do mundo antigo, elogiado por viajantes como Marco Polo, quem diria... É também um ponto de partida e chegada para o interior. O Kayal Ashtamudi, conhecido como a porta de entrada para as backwaters, cobre cerca de 30 por cento de Kollam...

Por sorte fiquei numa guest house engraçada que encontrei no guia...




Ficava afastada do centro da cidade numa zona bonita e como eu gosto do campo, e de bons pequenos-almoços ahaha achei que tinha tido sorte na escolha...

Enquanto esperava pelo guia, que me ia levar aos barcos para as backwaters, dei um bom passeio por ali e aproveitei para observar uns miúdos a jogarem cricket...




A cidade em si não tem nada de especial, é como muitas outras...




Mas há algo de especial que se passa em Kollam todos os anos e o guia, levou-me a ver... corridas de barcos...

Os Vallams Chundan são embarcações estreitas com mais de 30 m de comprimento, com a proa levantada 3 m acima da água. Tradicionalmente, foram utilizadas pelos governantes locais para o transporte de soldados durante as guerras. Nos tempos modernos, são usadas num novo desporto o Vallam Kali, corridas ou regatas de barcos com cerca de cem remadores musculados.

As regatas são ocasiões de grande excitação e entretenimento, com milhares a reunirem-se nas margens de assistir e aplaudir.




As corridas são mesmo o acontecimento do ano e contam com a presença do governador do Estado e mais algumas figuras públicas indianas... como eu, ali no meio da tenda vip com direito a aparecer na televisão... só a mim, nem nos confins da Índia me vejo livre destas coisas... não fazia ideia ao que ia, aliás nem o guia fazia... De qualquer forma não vou mentir, achei piada a esta situação, primeiro porque estas coisas parece que só em acontecem a mim... só eu é que no meio da Índia completamente na minha e de havaianas nos pés é que ia parar a uma coisa destas... em segundo pela ironia... sinto que quanto mais faço por não ter protagonismo pior... cada vez que tento activamente estar numa de low profile vem a vida e troca-me as voltas...nem na Índia resulta! Já achei piada, não digo que não, quando era pita até achava graça aparecer nas revistas, talvez porque as coisas eram diferentes, não sei, mas hoje em dia não acho piada nenhuma a esse tipo de protagonismo e ao aparecer... dai tudo isto ser irónico...




Bem mas o terem-me levado para a tenda vip, teve as suas vantagens pude assistir confortável e com boa visibilidade à corrida... e a alguns preparativos... interessantes... como a montagem do... som...




... e à apresentação formal das equipas...




Mas não me estão a ver a ficar por ali até ao fim da corrida, pois não? Lá convenci o guia a irmos ver uma parte de cima de uma ponte que ali havia... no meio da confusão... aquela ponte que se vê na primeira fotografia...




Cinco minutos depois de sairmos da tenda e de chegarmos à ponte caí uma chuvada que não estão a imaginar... ainda ficámos a ver quem ganhava no meio dos chapéus de chuva dos que nos rodeavam, mas fiquei um pinto!




Ao falar da corrida neste sítio da narrativa, estou a fazer um pouco de batota é que a corrida de Kollam foi depois das backwaters de que vou falar a seguir... mas como sabem estou a dividir os sítios por blocos e juntei tudo aqui. O que se passou na verdade foi Kollam (chegada) - Backwaters - Kollam (corrida de barcos)... Depois da corrida o guia levou-me ao autocarro para Mysore... e claro está tive de mudar de roupa na estação de autocarros, estava mesmo encharcada!

Mas voltemos atrás à parte em que estava em Kollam à espera do guia para as backwaters... e levemos para aí a narrativa...

16. BACKWATERS KERALA (Kerala)

As Backwaters de Kerala são uma rede de canais, rios, lagos e enseadas, interligados num sistema de labirinto formado por mais de 900 km de vias navegáveis paralelos à costa do Mar da Arábia no estado de Kerala, no sul da Índia. As backwaters são formadas pela acção das ondas e correntes de terra que criam ilhas em toda a boca dos muitos rios que fluem para o mar.

É um lugar giro para visitar e há uma série de barcos que ligam as diversas cidades que servem como portos de partida e chegada para os turistas, estes passeios normalmente são feitos nos canais principais dos rios




Os Kettuvallams (barcos-casa) são uma das atracções turísticas de destaque em Kerala. Mais de 400 Kettuvallams dobram as marés. Só um dos portos de partida/chegada, Alappuzha, tem 120...

Os Kettuvallams eram tradicionalmente utilizados como barcaças, para transportar o arroz colhido nos campos férteis das backwaters. Convertidos para acomodar os turistas, estes barcos cobertos com telhados de colmo tornaram-se autênticos hotéis flutuantes com quartos com ar condicionado, com casas de banho em estilo ocidental e uma sala de jantar e estar no convés, normalmente aberta em pelo menos três lados, ao longo do dia quando se está em movimento, oferecendo uma grande vista dos arredores e outras embarcações. Têm electricidade de gerador e a comida é cozinhada a bordo. Ketuvallams têm motores mas andam a uma velocidade lenta para viagem tranquila. As casas flutuantes têm vários padrões e tamanhos pelo que se pode escolher a que mais se adapte aos clientes.

Não é preciso dizer mais...




Mas há também passeios em canoas mais pequenas, organizados para aqueles que se querem aventurar também pelas vias mais estreitas e conhecer as aldeias e estilo de vida dos habitantes...

Aventurar é comigo...




Não digam que a simplicidade não traz alegria...




Esta região é fantástica...



E é giro conhecer o modo como estas pessoas vivem...




E dar passeios de barcaça por canais minusculos... ficamos a pensar que vamos ficar encalhados na primeira curva...




As palmeiras, arbustos e plantas crescem ao longo das backwaters, dão uma tonalidade intensa de verde à paisagem circundante.




Mas chega de conversa... por agora disfrutem apenas da paisagem...










Mas vão com atenção porque no meio da paisagem encontramos mais do que verde e água...




Em algumas zonas encontramos sinais mais evidentes da presença humana...






As marés têm um ecossistema único - de água doce dos rios encontra a água salgada do Mar da Arábia. Em certas áreas foram construídas barragens para que a água salgada do mar seja impedido de entrar no interior profundo, mantendo intacta a água fresca. Sempre boa para um bom banho de panela... (esta versão não conhecia, confesso...)




Em zonas de cultivo de arroz espalham redes enormes para proteger as culturas dos pássaros... (acho que não estou a inventar...)




Pois é... as backwaters são lar de muitas espécies de vida, incluindo caranguejos, sapos, aves aquáticas, e animais como lontras e tartarugas ...




... e patos... era tão giro quando eu era pequena ia com a Alice todas as tardes ao parque ao pé da minha casa e levavamos pão seco para dar aos patos, eram tão giros... e estes também... com os patinhos pequenos atrás da mãe... quack quack... ahaha




De resto, pelo caminho encontramos várias pontes... sempre um desafio... toca a baixar as cabeças...




...e refrescos ali mesmo à mão... estou aqui a escrever com um ar animado mas agora estou é a florear... é que na verdade confesso-vos que não sou nada fã de água de coco... nem aqui nem no Brasil, nem nas caraibas, já experimentei versões que cheguem para poder ssegurar que não sou fã e pronto... Já ouvi muita gente gabar esta bebida e acredito (mal) que gostem mas eu não consigo de todo entender o que é que lhes sabe assim tão bem numa água tão desenxabida...




Mas cuidado porque nem tudo se pode comer... alguns frutos são extremamente venenosos...




E deixo-vos com mais uma imagem bonita das backwaters antes de seguirmos viagem...




Como já tinha referido acima, após visitar as backwaters voltei a Kollam de onde parti de autocarro para Mysore...

17. MYSORE -ಮೈಸೂರು (Karnataka)


Mysore ou Mysuru é a segunda maior cidade do estado de Karnataka, na Índia. A cidade espalha-se por uma área de 128,42 km2 e está situado na base das Colinas Chamundi.

A melhor forma de visitar estas cidades é de autorickshaws. Normalmente o primeiro que arranjamos oferece-se para nos acompanhar ao longo da estadia. Em parte isso deve-se ao facto de que estes guias ganham comissões sobre aquilo que compramos nas lojas a que nos levam... por outro lado é uma garantia de clientes que pagam sempre mais que os locais por qualquer tipo de deslocação...

Há que saber gerir a situação e tentar que não nos levem apenas a onde lhes convém... se não passamos o tempo enfiados em lojas... o ideal é começar pelo que queremos ver e deixar o resto para o fim...

Começámos o nosso passeio por Mysore subindo às Colinas Chamundi onde se localiza o templo mais famoso da cidade. Foi uma boa maneira de ter uma prespectiva geral e começar com uma bela vista e muito verde como eu gosto!

Mysore possui diversos lagos é palco vários eventos desportivos, tem uma pista de corridas de cavalos, um golfe e vários campos de cricket (o desporto mais popular) entre outros. Alguns conseguiam ver-se dalí... Também tem uma série de escolas e universidades.




O nome de Mysore é uma versão de Mahishūru, que significa a morada de Mahishasura, um demónio da mitologia hindu morto pela deusa Chamundeshwari, cujo Templo Chamundeshwari está situado no topo da colina Chamundi.

Já tinha dito que não era grande fã dos templos indianos, normalmente temos de entrar sem sapatos, podemos comprar pequenos arranjos de flores e outras ofertas e depois dentro do templo existe um ou mais "altares" guardados por algum guru e seus assistentes e eventualmente com algumas imagens... Não costumam ter grande beleza alguns até parecem bastante pouco bonitos... O guia nepalês que conheci dizia que não entendia bem os hindus, que um dia alguém se lembrava de colocar umas imagens numa esquina e de repente toda a gente começava a fazer oferendas... não estou a dizer que seja o caso aqui, mas penso que mostra bem o conceito...





Outro Templo situado nas colinas é o de Nandi नंदी. Nandi é o touro que transporta e guarda Shiva (o deus hindu da destruição e renovação) e Parvati (é a segunda mulher de Shiva e reencarnação da primeira mulher Sati. É a mãe dos deuses Ganesha e Skanda (Kartikeya) e é considerada como a suprema Mãe Divina. E por alguns dada como irmã do deus Vishnu.). As divindades hindus são à semelhança da mitologia grega uma série de deuses ligados por laços de família e acontecimentos.

Os Templos que veneram Shiva e Parvati exibem, normalmente imagens de pedra do touro Nandi sentado, geralmente de frente para o santuário principal mas há também alguns de templos dedicados exclusivamente à Nandi, como este que existe em Chamundhi. Possivelmente a origem de Nandi como um deus separado de Shiva pode ser relacionada com a civilização do vale do Hindu, onde a produção leiteira era a ocupação mais importante... Seja por que motivo for a verdade é que é venerado pelos hindus...




Como dizia acima a mitologia Hindu é rica em histórias e personagens que servem para transmitir alguns dos ensinamentos da religião. Uma delas conta que Shiva e Parvati, decidiram que o touro Nandi seria o seu árbitro num jogo de dados. Apesar de Shiva ter perdido o jogo, Nandi seu servo, declarou-o o vencedor. Parvathi indignada amaldiçoou Nandi que desculpou-se dizendo que não queria humilhar o seu mestre. Parvati perdoa-o mas com a condição de que no aniversário do seu filho Nandi lhe ofereça o que mais lhe agrada,  relva verde. A moral desta história é que cada um expia seus pecados quando oferece a Deus o que é agradável e prazeroso para si...

Noutra história Nandi bebe veneno e Shiva diz que por ele ser um disciplo tão fiel “tem todas as minhas forças e minha protecção" A moral aqui é óbvia...

Podem dar-se uns belos passeios pelas colinas e podem visitar-se estes templos a pé basta usar a longa escadaria que existe desde o sopé ao topo... eu estava com o guia por isso só fiz uma parte a pé porque achei mais giro que fazer tudo pela estrada...




Mysore foi avaliada como a segunda cidade mais limpa da Índia em 2010 e mais limpa em Karnataka e é uma das primeiras cidades na Ásia para realizar um desenvolvimento planedo da cidade. Na verdade nota-se alguma diferença, é verdade, em especial nas zonas mais afastadas do centro... mas ainda assim...




Entre a população, de cerca de 850.000 habitantes, 76,76% são hindus, 19% são muçulmanos, 2,84% são cristãos e pertencem restantes a outras religiões. Mas os quase 3% de cristãos, embora uma minoria, não se podem queixar... reparem na Igreja de Santa Filomena construída em 1936 usando um estilo Neo-Gótico com uma arquitectura inspirada na Catedral de Colónia, na Alemanha... em tamanho bem mais pequeno, é verdade, mas não imaginam a minha surpresa quando avistei a igreja... por acaso não relacionei com Colónia, mas relacionei logo com Paris... a sensação que tive foi de estar em Paris... Oh la la...




Mas vamos ao que me levou a Mysore... Mysore é chamada de Cidade dos Palácios, devido ao número de palácios situados na cidade, incluindo Palácio Ambavilas popularmente conhecido como Mysore Palace ou Palácio de Mysore ಮೈಸೂರು ಅರಮನೆ  e é a residência oficial da anterior família real Wodeyar.

À primeira vista parece um jardim no centro da cidade...




É uma estrutura de pedra de três andares em pedra granito cinza fina, com cúpulas de mármore rosa e uma torre de 145 m de cinco andares . 


O primeiro palácio no local foi construído no séc XIV. Com a coroação de Krishna Raja Wodeyar III, com apenas 5 anos, em 1799, iniciou-se a reabilitação do palácio original que ficou pronta em 1803, contudo o palácio foi destruído num incêndio em 1897 durante o casamento da princesa Jayalakshmanni e o regente de Mysore, encomendou a construção de outro palácio no mesmo lugar a um arquitecto britânico Henry Irwin, a sua construção foi concluída em 1912.

Eu acho que as fotografias não fazem jus à beleza do palácio... culpem a fotografa que não devia estar muito inspirada... porque o palácio é mesmo lindo!




Por cima do arco central há uma escultura de Gajalakshmi com os seus elefantes, esta é a deusa da riqueza, prosperidade, boa sorte e abundância.




O complexo do palácio inclui doze templos hindus. O mais antigo deles foi construído no século XIV, enquanto o mais recente foi construído em 1953. Alguns dos templos mais famosos são: o Someshvara, dedicado a Shiva, o Lakshmiramana, dedicado a Vishnu e o Shwetha Varahaswamy dedicado a Varahaswamy, uma dos 10 encarnações de Vishnu...




Para visitar o interior é necessário deixar os sapatos cá fora num local próprio para o efeito e não se podem tirar fotografias dentro do palácio. Externamente, o Palácio exibe uma arquitectura de estilo Indo-Árabe, embora o interior seja distintamente Hoysala (império que dominava aquela zona dos sécs XI a XIV). É de cortar a respiração.... Eu adorei! Não se podia tirar fotografias do palácio por isso fui buscar algumas à internet... mas não é o mesmo que estar lá...




No exterior do palácio as habituais distrações... passeios de camelo, de elefante e fotografias com os turistas...




Há um festival anual, o Dasara que comemora a vitória da deusa Chamundeshwari sobre o demónio Mahishasura, simbolizando o triunfo do bem sobre o mal. Para celebrar esta festa no Palácio de Mysore é iluminado com mais de 96 mil luzes durante esse período de dois meses. Espero que estas fotografias, 2 da internet vos convençam mais que as outras...




Mas há mais para ver em Mysore, tradicionalmente, Mysore foi o lar de indústrias como a tecelagem, exploração de sândalo, trabalho em bronze e produção de cal e sal. O crescimento da indústria de tecnologias da informação e relacionadas na primeira década do século XXI colocou Mysore ao lado da visinha Bangalore como cidades de referência nesta área... Contudo o que mais identifiquei com Mysore foi o sândalo...




... disponivel de todas as formas e feitios, incluindo artigos de decoração, instrumentos de música, sabonetes, essências e incensos...




Visitei uma "fábrica" artesanal de incensos e achei o máximo ver como se fazem...

O Incenso, do latim incendere, "queimar" é composto por materiais aromáticos que libertam fumo perfumado quando queimados...   É geralmente usado em cerimónias religiosas ou para perfumar ambientes etc. O uso do incenso é originário do Antigo Egito, que usava as resinas de goma e oleosas de árvores aromáticas importadas das costas da Arábia e Somália para serem usadas em cerimónias religiosas.

Incenso é composto de materiais provenientes de plantas aromáticas, muitas vezes combinados com óleos essenciais. Os tipos de incenso variam muito, assim como a forma de os produzir. As duas grandes distinções são entre os de queima directa e os de indirecta - como estes que estavam a produzir e que têm o pau que arde ao invés de arder apenas o incenso (pó). Estes incensos de carvão indianos que vi fazerem aqui são produzidos emergindo as varas numa mistura de perfumes ou óleos essenciais e resina depois são rolados pelo pó de carvão que adere à vara. Noutros o próprio pó também tem perfume e cor…

Os cristãos adoptaram cedo o uso do incenso. Em Jerusalém, no século IV, já se empregava em todos os grandes Ofícios e é usado ainda hoje nas missas católicas solenes como uma homenagem a Deus, a ideia é que suba aos céus um aroma agradável de louvor. O uso do incenso é dessa forma um símbolo de oração. Há quem diga que é também uma forma de purificação…

Aqui também se vendiam as essencias puras todas com explicação dos fins medicinais de cada uma...




Há pouco falavamos de limpeza e de facto este mercado é um bom exemplo do quanto esta cidade é mais limpa que o geral da Índia... Curioso também a quantidade de muçulmanas de burka que se viam pela cidade...




É giro o quanto um "mercado de chão" pode ser bonito... e agradável...




Uma curiosidade, Mysore foi a casa da primeira estação emissora privada de rádio da Índia, quando a estação Akashavani "voz do céu”  (lindo!) foi criada na cidade em 1935, por um professor de psicologia a operar na sua própria casa, usando um transmissor de 50 watts. A estação foi depois assumida pelo Estado principesco de Mysore em 1941 e foi transferida para Bangalore em 1955. Em 1957, o nome Akashvani foi escolhido como o nome oficial da All India Radio (AIR), a emissora de rádio do governo da Índia.

De Mysore segui para Hampi... a minha ideia era ruma de volta a Delhi passando ou parando em sítios que pudessem valer a pena visitar...  Sabia que eram sítios menos conhecidos e não ia com grandes expectativas... Hampi foi para mim a maior e melhor surpresa da Índia...

18. HAMPI ಹಂಪೆ ( Karnataka)

De Mysore apanhei um autocarro para Hospet, o autocarro era péssimooo achei que estava de volta a África... era mesmo mau e ia apinhado e para piorar as coisas ia fazer a viagem de noite... para piorar ou para melhorar.... piorar porque a minha ideia era arranjar um autocarro confortável e aproveitar o tempo dormindo durante a viagem... melhor porque mais valia mesmo dormir durante uma viagem naquelas condições... Bem a minha sorte é que durmo sentada desde que tenha alguma coisa para me encostar e como levava a minha almofada de encher de viagem, arranjei um lugar à janela, encostei-me e lá dormi a maior parte do tempo... os bancos eram daqueles corridos que não deitam imaginem... eheheh

Não me perguntem bem como porque só me lembro de dormir ehehe, mas durante a viagem, possivelmente numa das paragens, já não me lembro, conheci dois rapazes, ingleses, acho, uns simpáticos que tambem iam para Hampi. Decidimos que quando chegássemos a Hospet procurariamos juntos um táxi... Assim quando chegámos a Hospet arranjámos os 3 um autoriquexó e fomos em direcção a uma guest house que eles tinham como boa... Para mim foi uma sorte porque não tive que me preocupar com nada!

Hampi é de cortar a respiração! É a meu ver o segredo mais bem guardado da Índia... Isto partindo do príncipio que posso não ter descoberto todos... ahah Mas digamos de que dos que eu descobri  é! É que eu não fazia a menor ideia do espanto que era! podem achar que exagero e que tudo isto tem a ver com gestão de expectativas, mas não! Hampi é um paraíso na Terra (ponto).

Hampi é uma aldeia que se localiza no centro das ruínas da antiga capital do Império de Vijayanagara (1336-1565) e que às vezes é confundida com a própria cidade em ruínas. As ruínas são um Património Mundial da UNESCO, listado como “grupo de monumentos em Hampi”. Já começam a acreditar em mim? Se ainda não, comecem então a render-se às evidências com estas fotografias...






Além de ser um local histórico e arqueológico continua ainda hoje em dia um importante centro religioso. De facto os hindus tratam Hampi como uma terra sagrada (oiçam, até eu!! ehehe). De acordo com o hinduísmo, uma série de eventos míticos estão associados a Hampi.

O nome Hampi evoluíu de Pampa, o antigo nome do rio da região, o Tungabhadra. Segundo a mitologia o rio e o local receberam aquele nome devido a Pampa, filha de Bhramha, o deus criador. Pampa era uma devota dedicada de Shiva, o deus da destruição, que impressionado pela sua dedicação lhe ofereceu uma bênção. Ela pediu para casar-se com ele supostamente neste lugar. O local ficou conhecido como Pampakshetra (terra de Pampa) e Shiva também é conhecido como Pampapathi (consorte de Pampa).

Sim eu estive aqui... roam-se! ahahah




Hampi foi erigida originalmente neste local devido à sua localização estratégica, está delimitada pelo rio Tungabhadra por um lado e cercada por morros nos outros três.

A principal característica topográfica da região são as grandes rochas que além de darem à paisagem um toque especial, foram, ao longo dos anos, utilizadas para a construção de enormes estátuas de divindades hindus.



Comecei a minha visita pelo Centro Sagrado que foi o nome dado pelos historiadores às áreas que se estendem desde a vila de Hampi a Matanga Hill a leste e às que se estendem a nordeste para o Templo Vitthala. É uma região montanhosa imediatamente ao sul do rio Tungabhadra.

O Templo Virupaksha, localizado no centro da vila de Hampi, é o principal e o mais sagrado centro de peregrinação da região. Também conhecido como o Templo Pampapati está totalmente intacto entre as ruínas vizinhas, tendo uma história ininterrupta desde o século VII. Floresceu sob os governantes Virjayanagara e sobreviveu quando estes foram derrotados pelos invasores no século XVI altura em que a maioria das estruturas foram sendo sistematicamente destruídas.

O interior do templo estende-se por cerca de 1 km a uma estátua monolítica de Nandi...




A entrada principal é uma Gorupam com 50 metros virada a leste. Uma Gorupam é uma torre monumental muito ornamentada e que geralmente esta à entrada dos templos hindus, funciona como o portão de entrada para o templo... As Gorupam são uma característica da arquitectura dos templos hindus em especial do sul da Índia, e por serem uma característica dominante na aparência exterior dos templos devido ao seu tamanho, por vezes acabam por ofuscar o santuário interior e em alguns casos podem ser confundidos com o próprio templo.

Além das Gorupans um templo pode diversas torres, nomeadamente a do telhado do santuário interior que é comum não ter tanta relevância como a exterior.




A Gorupam liga o pátio externo que contém muitos sub-santuários a um pátio interior com os seus inúmeros santuários menores.




O templo é dedicado ao deus Shiva, conhecido aqui como Virupaksha, e consorte da deusa local Pampa, que já referi.

Actualmente, o templo principal consiste num santuário, três ante-câmaras, uma sala com colunas e uma sala aberta com pilares. Um claustro com colunas, portas de entrada, pátios, santuários e outras estruturas menores circundam o templo.
A mais ornamentada de todas as estruturas do templo, o salão central pilares acredita-se ter sido acrescentada por Krishnadevaraya um famoso rei do Império Vijayanagara e grande mecenas deste templo. É um pouco mais interessante que os restantes templos hindus que visitei... mas o que achei graça foi o entrar por uns corredores e ir ter ao rio...




Vejam o tamanho do Gorupam... o tal portal de entrada que falava...
E que tal uma vaquinha para animal doméstico? Quando estive em moçambique até que me informei de como podia trazer um macaco ehehhe




Hemakuta Hill, está situado a sul da aldeia de Hampi. Tem vários pequenos templos que antecedem a construção de Vijayanagara como a capital do império.

É o lugar, de acordo com a mitologia hindu, onde Shiva fez sua penitência antes de se casar com Pampa. Kama, o deus do amor, sentiu compaixão por Pampa e perturbou a meditação profunda de Shiva, este conhecido pela sua raiva explosiva, queimou Kama com o seu 3º olho. Rathi, a deusa da paixão e também consorte de Kama pediu misericórdia a Shiva que concedeu a vida de Kama de volta, mas apenas como um personagem e não como um ser físico. No casamento de Shiva com Pampa os deuses derramaram ouro do céu sobre o local o que dá o nome a este local Heamakuta que significa literalmente monte de ouro...

Daqui pode ter-se uma vista panorâmica sobre o templo Virupaksha.




No sopé sul da Colina Hemakuta encontramos o complexo onde está a Estátua Monolítica de Ganesh. Como tudo o resto em Hampi está imaculadamente bem tratado...




A estátua de Ganesh, esculpida numa rocha com cerca de 2,4 metros de altura e que é chamada localmente, devido à semelhança com uma semente de mostarda como Sasivekalu Ganesh ou "Ganesh semente de mostrada".

Na mitologia hindu Ganesh (também conhecido como Ganapathi ou Vinayaka) é conhecido pelos seus hábitos alimentares. Um dia ele comeu tanto que sua barriga quase rebentou... para isso não acontecer, pegou numa cobra e amarrou-a à volta da barriga como um cinto.

Ganesh é considerado o mestre do intelecto e da sabedoria, é o símbolo das soluções lógicas, o "destruidor de obstáculos" de ordem espiritual ou material é considerado o deus da boa fortuna proporcionando prosperidade e riqueza e é adorado junto de Lakshmi (a deusa da abundância) pelos mercadores e homens de negócio. A sua consorte é Buddhi (um sinónimo de mente). O seu transporte é um rato que também representa a mente de onde Ganesh significa a correcta utilização da mente, significa fazer a mente servir-nos e não o contrário.

Há imensas histórias à volta do significado da cabeça de elefante de Ganesh, uma delas diz que tendo o seu pai Shiva estado ausente uns anos de casa quando regressou viu Ganesh homem na sua casa e não o tendo reconhecido, achando que era um estranho ou amante da mulher, cortou-lhe a cabeça. Quando soube pela mulher Pavarti que tinha morto o filho, quis ressuscitá-lo mas tinha atirado a cabeça para longe demais, então Brahma disse-lhe que colocasse no lugar da cabeça do filho a cabeça do primeiro ser vivo que aparecesse no seu caminho com a cabeça virada a norte. Foi um elefante…




De acordo com inscrições encontradas nas proximidades, a estátua foi construída por um comerciante de Chandragiri (Andhra Pradesh), em 1506 dC, em memória de um rei Vijayanagara - Narasimha II (1491-1505 dC).

Não só Hampi é impressionante como depois está tudo mesmo muito bem tratado e cheio de jardins cuidados...




Ali mesmo ao lado está o Templo a Krishna. Este templo em ruínas, a sul de Hampi e do morro Hemakuta e um exemplo bastante intacto de um templo da era Vijayanagara. O ídolo principal do templo foi a figura do Balakrishna (Krishna criança) que está agora num museu em Chennai.




O complexo é adornado por muitos pequenos santuários e salas de pilares. Os pormenores são fabulosos...




As esculturas são especialmente espectaculares podemos ver por exemplo as 10 encarnações do deus Vishnu e outras esculturas fascinantes. Mais para a frente explicarei melhor a questão das encarnações e dos deuses...



A torre principal do leste é uma visão impressionante com as suas diversas esculturas este é um dos poucos templos, onde as histórias épicas estão esculpidas na torre.




A estrada principal para Hampi passa pelo complexo do templo. E mesmo junto à estrada está um pequeno pavilhão com um recipiente rectangular de pedra, este era usado para armazenar as ofertas para fins rituais nos festivais.

Do outro lado da estrada, pode ver-se a estrutura de um longo corredor ao lado do que agora são plantações de banana. Esta era realmente a rua que outrora se dirigia ao templo com pavilhões de lojas na rua do mercado.




Em Hampi que entrámos no filme "A múmia"... Acho que certas paisagens são muito parecidas...




Também do outro lado da estrada encontra-se o impressionante tanque do templo, que já não está em uso mas de onde os locais retiram água para os campos.




Acreditem que what you see is what you get... ou melhor what you see is far less than what you really get...




A melhor maneira de visitar Hampi é a pé e com tempo para descobrir cada recanto...




O Santuário Lakshmi Narasimha está localizado a meio caminho da estrada principal que liga o centro sagrado ao Centro Real. 

Um caminho de terra batida leva-nos até a estátua de Narasimha e do Templo Badavilinga ao lado dele.




Este ídolo de Narasimha  com cerca de 7m de altura é a maior estátua de Hampi e foi feito de uma única rocha maciça.

Narasimha (meio homem meio-leão) é uma das dez encarnações (avatares) do deus Vishnu (da sustentação, manutenção e protecção do universo) sendo o que representa o seu aspecto feroz. Narasimha é também às vezes chamado como Unganarasimha (o feroz Narasimha).

Originalmente, o ídolo tinha uma imagem mais pequena da deusa Lakshmi, sua consorte, num joelho, que esta está agora no museu de Kamalapuram, contudo nas costas ainda se consegue ver a mão da deusa abraçando Narasimha. Outra alteração à estatua original é a ligação de granito entre os joelhos de Narasimba que foi acrescentada recentemente para estabilizá-lo.

Neste monolítico Narasimha está sentado em posição de yoga sob Shesha. Shesha é o rei cobra e diz-se que guarda os planetas nas suas 7 cabeças e quando se desenrola o tempo passa e a criação acontece. Quando se enrola de novo, o universo deixa de existir. Shesha aparece aqui numa forma com sete cabeças em arco sobre Narasimha para formar um dossel.



A mitologia hindu tem uma história sobre Narasimha: "Vishnu tomou a forma de Narasihma apenas na sua quarta encarnação. Na encarnação anterior tinha sido um javali Varaha, que tinha morto o demónio Hiranyaksha. Hiranyakasipu irmão de Hiranyaksha quis vingar-se destruindo o Vishnu e seus seguidores, fez penitência para agradar Brahma, o deus da criação que impressionado lhe ofereceu qualquer coisa que ele quisesse. Hiranyakasipu pede para não poder morrer quer na terra ou no espaço, no fogo ou na água, nem durante o dia nem de noite, nem dentro nem fora de casa, nem por um animal, humano, deus, nem por seres inanimados nem animados. Brahma concede-lhe o benefício. Achando-se imortal, ele instaura o terror e declara-se deus e único. No entanto, seu filho Prahlada (devoto de Vishnu) recusa-se a aceitar isto e declara a omnipresença de Vishnu. Hiranyakasipu aponta para um pilar e pergunta ao filho se Vishnu está presente nele. Prahlada assente e Hiranyakasipu irritado desembainha sua espada e corta o pilar. Aparece então Narasimha que mata Hiranyakasipu. Consegue matá-lo porque o faz no crepúsculo (nem dia nem noite); à porta de seu palácio (nem dentro nem fora); usa suas unhas para o matar (nem animadas nem inanimadas); e coloca-o no colo antes de o matar (nem terra nem no espaço). A morte deste rei demónio é celebrada como a Holi (a celebração de cores) na Índia.

Este ícone foi o centro de um plano ambicioso para um templo que nunca foi concluído...



O Templo Badavilinga, ali ao lado, alberga o maior monolítico Linga em Hampi. Localizado ao lado da estátua de Narasimha o Linga está dentro de uma câmara com uma abertura na frente. Um olhar atento sobre este ícone pode revelar três olhos esculpidos (representando os três olhos de Shiva). Diz a lenda que este ícone foi encomendado por uma mulher camponesa e daí o nome Badva (pobres, na língua local).

O Linga é uma representação da divindade Shiva (deus da renovação), embora a maioria das imagens hindus esculpidas sejam antropomórficas, o Shiva Linga é uma excepção importante. O Lingam é muitas vezes representado juntamente com a Yoni representação não antropomórfica de Shakti (deusa mãe). A união representa a indivisível unidade do masculino e feminino, o espaço passivo e activo a partir da qual provém toda a vida. Segundo uma tradição, o Lingam representa o início e o fim, sugerindo a natureza infinita de Shiva.



A Caverna Sugreeva localizada quase à beira rio, esta é uma caverna natural formada por enormes pedras encostadas umas às outras.

Acredita-se que este é o lugar onde o macaco guerreiro mítico Sugreeva, do épico Ramayana, viveu enquanto foi exiliado do reino pelo seu irmão Vali.

O Ramayana é uma obra épica em sânscrito atribuído ao poeta Valmiki e é parte importante do cânon hindu. Contém os ensinamentos dos antigos sábios hindus e apresenta-os através de alegorias na narrativa e na intercalação do filosófico e devocional. Os personagens são: Rama (considerado um dos avatares do deus Vishnu e símbolo do grande homem, o filho, o marido, irmão, amigo e governante, perfeitos), Sita (mulher de Rama), Lakshmana (irmão de rama), Bharata (outro irmão de Rama), Hanumān (devoto e amigo de Rama), Sugreeva (o rei-macaco que ajuda Rama) e Rāvana (o vilão da peça) são todos fundamentais à consciência cultural da Índia.

Conta a história que o rei-macaco Sugreeva usou esta caverna para esconder as jóias que caíram a Sita, quando o rei demónio Ravana a raptou. Mais tarde Sugreeva conheceu Rama e Lakshmana (irmão de Rama) nas proximidades do rio quando procuravam Sita e juntou-se a eles contra Ravana. Ravana tinha no passado submetido-se a sacrifícios indescritíveis e chegou a oferecer a sua cabeça como oblação sacrificial a Shiva. O poderoso deus, ao aceitar oferenda tão inesperada, tinha-lhe concedido dez cabeças sobressalentes, que se consideravam imortais, e que nada mais eram que encarnações dos dez vícios e aspectos malignos disseminados pela criação, como a ira, o ódio, a maledicência, a inveja, etc.  Ou seja criou um monstro...e a partir daí para se matar Ravana, tinham de se cortar as suas dez cabeças simultaneamente...

Quando estive em Bali assisti a um teatro acerca desta história, acho que de certa foi o meu primeiro contacto à séria com a mitologia hindu... por isso reconheci logo os nomes dos personagens e achei giro estar aqui...

O padrão de cores na rocha, dizem representar o padrão no traje de Sita. Sita era filha da deusa Terra e nasceu num lago de dentro de uma flor de lótus e foi criada pelo guardião do arco de Shiva. Foi dada em casamento a Rama pois foi o único a conseguir erguer o pesado arco.

É giro comparar isto com a escalibur ehehe e também os dez vícios com os pecados mortais ou com os mandamentos... uma das coisas que acho de engraçado nas religiões e mitologias é o descobrir os pontos em sintonia...

Embora seja possível entrar na caverna, não há muito para ver por dentro. Na verdade é mais um nicho pequeno do que uma caverna. A gruta fica a uma extensão plana rochosa. Uma série de pegadas esculpidas podem ser vistas no chão e representam as pegadas de Rama e Lakshmana. É um símbolo sagrado para os hindus.



O Templo Vitthala,  situado a nordeste de Hampi, é o exemplo mais extravagante de arquitectura de Hampi e um dos principais monumentos da cidade. É dedicado a Vitthala que geralmente é considerado como uma manifestação do deus Vishnu, ou a manifestação de um dos seus avatares -  Krishna.  Aliás, existem três divindades hindus associados a Vitthala: Vishnu,  Krishna e Shiva. Gautama Buda também está associado a Vitthala, de acordo com deificação Hindu de Buda como a nona encarnação de Vishnu ... Estão a ver como surge a ligação hinduismo-budismo?

Isto dos deuses hindus, seus avatares, manifestações, mulheres, filhos, etc... é uma grande confusão para quem começa a tentar entender o hinduismo... ahah

Olhem estas paisagens!!!




Um destaque do templo Vitthala é a famosa Carruagem de Pedra, um templo em miniatura, esculpido para assemelhar-se aos carros templo ou rathas em que os ídolos eram levados nas procissões. Apesar de parecer feito de uma única rocha, na realidade, este santuário foi construído com muitos blocos gigantes de granito mas as junções foram inteligentemente escondidas nas esculturas e noutros elementos decorativos. Depreende-se das marcas na plataforma que as rodas estavam soltas para se moverem em torno do eixo.

Ainda se podem ver os restos da original pintura sob as esculturas do carro e acredita-se que o conjunto de esculturas do Templo Vitthala estariam maravilhosamente pintados de forma similar, usando os minerais como corantes.

Hoje em dia à frente da carruagem há dois elefantes posicionados como se estivessem a puxar o carro, originalmente existiam dois cavalos esculpidos e a cauda e as patas traseiras dos cavalos ainda podem ser vistas por trás dessas esculturas de elefantes. Uma escada de pedra partida que dava acesso ao santuário está colocada entre os elefantes.

Este templo fez-me lembrar o Egipto... é engraçado que nas viagens estou sempre a relacionar uns sítios com outros mas não é de uma forma racional tem mais a ver com as sensações, embora claro que depois se explique facilmente o porquê...




Uma das características mais notáveis do templo principal do complexo, o Maha-Mantapa (grande salão), são os Pilares Musicais. Cada um dos pilares que sustentam o telhado deste templo representa um instrumento musical. Há 7 pilares menores dispostos à volta de cada um dos pilares principais e estes sete pilares, quando tocados, emanam as 7 notas do instrumento que representam, variando a qualidade do som conforme ele represente instrumento de vento, cordas ou percussão. Provavelmente, esses não pertencem a nenhuma das notas padrão, mas o tom musical da vibração deu-lhes esse nome. A curiosidade dos visitantes danificou muitas desses pilares e agora é proibido tocar neles por uma questão de preservação. Ohh...




Existem muitos salões, pavilhões, templos e esculturas localizados dentro do complexo que é incrível...




Mais uma fotografia da praxe... agora digam lá se não há indianos com pinta? ehehe Estes rapazes eram uns simpáticos para não variar e bastante cultos. Em baixo uma família, queridissíma, que achou que ainda precisavam de mais uma mulher na fotografia...




A Tulapurushandana ou Balança do Rei, fica a sudoeste do templo Vitthala econsiste em dois pilares de granito esculpidos, que suportam uma trave horizontal de granito. Este sistema foi usado em dias cerimoniais para o Raya (o imperador) solenemente pesar o ouro ou jóias que iria distribuir pelos brâmanes ou na cidade.

Brâmane ou brāhmaṇa ब्राह्मण é um membro da casta sacerdotal, a primeira do Varṇaśrama Dharma - tradicional divisão em quatro castas (varṇa) da sociedade hinduísta. O termo significa "aquele que é versado no conhecimento de Brahman (com n no fim) - a alma cósmica". Um Brâmane ensina os Vedas, sacrifica-se pelos outros e recebe os deveres da alma. Sendo membros da casta mais alta, os brâmanes gozaram historicamente de posição social privilegiada - independente de sua riqueza. Comuns a todas as castas são a reverência para com os deuses e brâmanes.

O sistema de castas (Varna) indiano é dividido de acordo com a estrutura do corpo de Brahma (sem n e o deus da criação). As quatro principais castas são: 1. a da cabeça, os Brâmanes, representa os sacerdotes, filósofos e professores; 2. a dos braços, os Xátrias, são os militares e os governantes; 3. a das pernas, os Vaixás são os comerciantes e os agricultores; 4. a dos pés, os Sudras, são os artesãos, os operários e os camponeses. A "poeira sob os pés" já não faz parte do corpo de Brahma, por isso refre-se aos que não pertencem às castas, mas tem um nome: são os Dalit ou Párias, chamados de intocáveis (a quem Mahatma Gandhi deu o nome de Harijan, "filhos de Deus"). Os Dalit são constituídos por aqueles (e seus descendentes) que violaram os códigos das castas a que inicialmente pertenciam. São considerados impuros e, por isso, ninguém ousa tocar-lhes. Fazem os trabalhos considerados mais desprezíveis: recolha de resíduos, coveiros, talhantes, etc. Na sequência das invasões mongóis da Índia (século XIII), milhões de párias converteram-se ao islamismo, uma religião igualitária que não os ostracizava. Fora do sistema das castas, também existem os Adivasis (povos tribais) e os Mechhas (estrangeiros).

Inicialmente, as castas teriam surgido ligadas aos guna (características ou tendências da natureza universal) predominantes nos indivíduos. Assim, aqueles em que 1.Sattva (preservação)  predomina são inclinados às actividades espirituais, à filosofia, à literatura, às artes, às ciências e ao conhecimento — sacerdotes, yogis, mestres espirituais (gurus), eremitas, filósofos, astrólogos, cientistas, escritores, historiadores, artistas e poetas (brâmanes). 2. Rajas (criação) inclina a actividades enérgicas, agressivas, à conquista de coisas (terras, riquezas) e pessoas (domínio dos outros), à aversão à pobreza e à modéstia, à busca da fama e da notoriedade — guerreiros e governantes (xátrias) e comerciantes, proprietários de terras, artistas (vaixás). 3. Tamas (destruição)  inclina à passividade, à inércia, à falta de ambição, à ignorância, ao medo de assumir responsabilidades e riscos, a viver o dia-a-dia em iludido contentamento, em ocupações humildes, repetitivas e cansativas, deixando-se conduzir pelos mais fortes e enérgicos — artesãos, operários, camponeses (sudras).

Apesar do sistema de castas ter sido rejeitado pela constituição indiana de 1950 (devido à pressão de políticos ocidentalizados), ele continua a fazer parte da cultura da Índia moderna. Actualmente, no hinduísmo, existem mais de 3.000 sub-castas não-oficiais.




O Templo Kodandarama, situado a leste de Hampi, perto do final da rua com colunatas de acesso ao templo Virupaksha, marca o local onde Rama coroou o rei-macaco Sugreeva após matar o seu irmão Vali. lembram-se de eu ter dito que Sugreeva estava exilado? É que Vali não perdoava ao irmão Sugreeva por o ter aprisionado e ter tomado o seu lugar no trono, mas isto só tinha acontecido porque Sugreeva achava que ele tinha sido morto numa luta com um demónio quando o viu caido dentro de uma gruta e tapou a entrada... Quando Vali que afinal tinha sobrevivido se liberta e vê o irmão no seu lugar, volta-se contra Sugreeva, rouba-lhe a mulher e exila o irmão. Mais tarde Rama que se tinha tornado amigo de Sugreeva quando buscá-va a sua mulher Sita raptada por Ravana, para defender Sugreeva mata-lhe o irmão Vali e corroa-o rei. O nome do templo Kodandarama significa coroado por Rama, no dialeto local.  O templo é mais conhecido por sua importância religiosa do que pela peculiaridade arquitectónica.

O local de banho sagrado é um dos pontos mais venerado pelos peregrinos de Hampi.

Durante a estação das monções o rio sobe e às vezes chega até o pátio do templo.




Olhem o sonho destes sítios... mesmo com mau tempo não perdem a beleza...




Por aqui encontramos uns barcos circulares artesanais para atravessar o rio chamam-se Coracles e dizer que são umas grandes cestas flutuantes seria uma descrição mais apropriada... ahaha

Com cerca de 6 metros de diâmetro, são suficientemente grandes para transportar pessoas, motos, bicicletas e ovelhas, etc. Estes coracles são feitos de bambu, cana, folhas de plástico e uma fina camada de betume para os fazer à prova de água.




Uma curiosidade é que Domingos Paes, o viajante português que visitou Hampi durante século XVI descreveu os coracles de há quatro séculos atrás tais como os poderíamos descrever hoje, excepto que eram feitos com couro que tem sido substituído por PVC....




Ainda no centro religioso podemos ver o Achyutaraya Temple e o Sule Bazaar.

Este templo é um exemplo de arquitetura Vijayanagara na sua forma mais avançada, foi um dos últimos projectos executados na capital, antes da queda do império.

O templo dedicado ao Senhor Tiruvengalanatha, uma forma de Vishnu, foi construído por um alto oficial  chamado Achyuta Raya e daí o seu nome. O complexo do templo e a rua do mercado em ruínas em frente localizam-se num vale semi isolado criado por dois morros - as colinas Gandhamadana e Matanga. Por estar fora do percurso habitual dos turistas é um lugar ainda mais tranquilo.

O santuário principal está localizado no centro de dois pátios rectangulares concêntricos. Os lados internos das duas paredes do pátio estão revestidas com claustros ou varandas com pilares. Os claustros exteriores na sua maioria em ruínas têm os pilares espalhados aleatoriamente ao longo da base da parede. Duas enormes torres em ruínas, uma atrás da outra, dão acesso ao pátio do templo. No átrio interior há um santuário minúsculo, dedicado a  Garuda, (o deus águia e transporte da deidade principal). Por todo o templo se encontram esculturas referentes à mitologia hindu. No canto noroeste do composto exterior, há uma Mandapa Kalayana (salão de casamento para a cerimónia anual do Deus e da Deusa). Um canal de água é visto correndo ao longo do segundo composto.

Em frente ao templo vê-se a rua cortesã com cerca de 0,5 km de comprimento por 50 m de largura , foi outrora uma das mais animadas ruas de Hampi,. Durante o nobre do império, este foi um florescente mercado de pedras preciosas, pérolas, marfim  e ainda se vêem os pilares que faziam parte dos pavilhões que existiam na rua e num ou noutro local o pavimento de pedra....Por alguma razão misteriosa este lugar veio a ser chamado também como Sule Bazaar (mercado da prostituta). Na rua existe também um grande tanque rectangular associado ao templo onde se podem ver interessantes vestígios de um pavilhão com colunas à volta. O pequeno pavilhão retangular  no centro do tanque era usado como altar para as imagens do deus e deusa, durante o festival anual do templo.

Digam lá se Hampi não é uma surpresa?




Além do centro religioso temos o Centro Real. Esta extensa área é constituída por um pequeno planalto, que se inicia cerca de 2 km a sudeste de Hampi, e se estende até à aldeia de Kamalapuram. Está separada do Centro Sagrado por um pequeno vale, agora composto por campos agrícolas, e que transporta os canais de irrigação que se juntam ao rio em frente a Anegondi.

O Centro Real contém as ruínas de palácios, edifícios administrativos, e alguns templos directamente associados com a realeza. Pouco resta dos palácios, excepto as fundações, pois eram maioritariamente estruturas de madeira (mais confortáveis). No entanto os templos e algumas outras estruturas de pedra sobreviveram, como muitos dos muros da cidade envolvente.

Toda a área está agora transformada numa espécie de jardim aberto... delicioso...




Queen’s Bath é a primeira estrutura que se vê da estrada quando se entra para o centro. 

Por alguma razão misteriosa este foi chamado de banho da rainha. Mas com toda a probabilidade era um complexo de lazer para o rei e suas esposas. O edifício esta cercado por um canal com água para evitar intrusos  num local onde as mulheres reais se banhavam.



Por fora é um simples edifício rectangular plano mas por dentro, a história é diferente. Todo o edifício tem uma varanda decorada com janelas minúsculas viradas para uma piscina no meio. A piscina a céu aberto, acessível por uma escadaria está agora vazia mas acredita-se que em tempos esteve cheia de flores e água perfumadas. O telhado da varanda, um arco de claustro é um espectáculo só por si. O edifício inteiro parece algum complexo aquático à antiga. Pena não se poder viajar no tempo... belo banho que eu ali tomaria...




Outro local a visitar no complexo é o Templo Ramachandra que fica num pátio rectangular, com entradas viradas a leste. Aqui,  nas paredes externas do pátio, vêem-se relevos mostrando cenas da vida quotidiana e dos festivais e cenas do Ramayana nas paredes do pátio interior, e no próprio templo. Pensa-se ter sido um santuário privado para a realeza. Tem quatro colunas de basalto preto no Mantapa (salão de colunas) o que é incomum. O santuário interno do templo, como em muitos outros está vazio.

Acredita-se ter sido construído no local do assassinato de Vali pelas mãos de Rama - história que referi acima... Também é conhecido como o templo de Hazara Rama (templo de uma Ramas mil), devido à recorrência de imagens de Rama nas paredes. Às vezes até é chamado de templo de Rama.




Outro templo a visitar é o Underground Shiva Temple. Por algum motivo curioso, este templo dedicado a Shiva foi construído muitos metros abaixo do nível do solo. Por este motivo, o santuário e as partes centrais do templo estão muitas vezes debaixo de água e inacessíveis. Há um pequeno templo para consorte de Shiva muito perto do santuário e um Kalyanamantapa (salão cerimonial do casamento). Acredita-se que este é um dos templos mais antigos em Hampi.

Eu já não me vou repetir mais com elogios às paisagens, as fotografias dizem tudo...



O Zenana Enclosure ou o harém pensa-se ter sido uma área, cercada com muros altos, isolada, para as mulheres reais e foi projectada de modo a que pudessem assistir às cerimónias reais em privacidade.




Também se podem ver-se as ruinas diversas do que outrora se julga ter sido o Palácio da Rainha. Neste espaço limitado, encontram-se os restos de um pavilhão da água, três torres nos cantos da área delimitada, o edifício do Tesouro Real onde a ausência de janelas e luz no interior faz acreditar que este era usado para qualquer tipo de armazenamento, etc. Enfim, há vestígios de uma série de estruturas sem nome.




A atracção principal aqui é o Taj Lotus, Lotus Palace ou Lotus Mahal  localizado no canto sudeste. Julga-se ter sido um palácio para a rainha e tinha, entre outras coisas, tubos com água corrente. A construção deve ter sido posterior ao período Vijayanagara pois esta estrutura apresenta a influência islâmica nas suas passagens abobadadas e tectos em abóbada, a sua construção totalmente em pedra é também um claro desvio ao palácio Vijayanagara convencional que utilizava estruturas de madeira sobre plataformas de pedra.

A forma da estrutura é que lhe deu o nome. Os arcos e da varanda com a construção abobadada assemelham-se a um botão de lótus.

E mais uma foto de família, nesta eu não apareço mas eles devem ter ficado com uma comigo...




Outro marco a ver é a Pushkarani também chamada de banho em escada. Estes poços afundados eram criados para proporcionar alívio do calor do dia.




Os Estábulos dos Elefantes também não passam despercebidos... São um conjunto de estábulos gigantes, que eram usados para abrigar os elefantes cerimoniais da casa real. A área em frente deles era um local para as paradas dos elefantes e tropas. Esta é uma outra estrutura que mostra a influência islâmica nas suas cúpulas e pórticos arqueados. O quartel dos guardas está localizado próximo aos estábulos.

Ainda podem ser vistos ganchos de metal (usados para amarrar os elefantes) no tecto das câmaras. Na parte traseira de cada sala há pequenas aberturas para se entrar nos compartimentos do elefante.



Há muito mais para vermos e outros monumentos e locais de interesse podem ser encontrados fora dos  dois grandes centros que referi acima.

Um pouco separado do resto dos típicos circuitos turísticos, o Malyavanta Hill tem algumas surpresas agradáveis. A vista e ambiente são notáveis, e mais tranquilos do que o famoso Mathanga Hill.

O caminho estreito, mas decentemente pavimentado da subida termina em frente ao portão leste do complexo do Templo Malayavanta Raghunatha dedicado a Rama..





Segundo a mitologia, foi aqui Rama e seu irmão Laxmana esperaram pelo estação da monção, para marcharem em direcção Lanka com o exército macaco de Hanuman ( que era um general macaco) para resgatarem Sita.




O templo é interessante...




...e alguns pormenores chamam a atenção...




... mas o que impressiona mais é mesmo a paisagem envolvente...




.... e a vista fabulosa...

Uma modesta abertura na parte de trás (lado oeste) da parede do complexo leva nos um precipício. Desprovido de qualquer interrupção, o vento parece suficientemente forte para nos levar. A partir deste ponto, pode-se obter uma vista panorâmica de 360 graus. A topografia das colinas, os contornos dos campos verdes do vale os caminhos que serpenteiam as cristas e os campos, os monumentos anónimos que se espalham em torno de todos dão-nos a sensação de estarmos a olhar para um mapa gigante de Hampi. Devido a sua projecção para o ocidente, este é um lugar fantástico para desfrutar de um pôr-do-sol.




Juro que não é montagem nem photoshop!! ahah




As rochas são imensas e enormes... Há uma rocha gigantesca, sobre a qual existe uma torre santuário que abriga debaixo de um Shiva Linga.

Confesso que esperava ver os flinstones a qualquer momento... eheh




Ali perto outro local a visitar é a localidade de Anegundi ಆನೆಗುಂದಿ. Está está situada na margem norte do rio Tungabhadra a uma distância de 5 km do sítio histórico de Hampi e acredita-se ter sido o reino dos macacos Kishkindha (dos quais Sugreeva foi rei), no épico de Ramayana. É provavelmente o mais antigo assentamento na área e diz-se que é um dos mais antigos planaltos do planeta, estimado em 3.000 milhões de anos e os contadores de histórias locais referem-se a Anegundi como a casa materna de Bhoodevi (Mãe Terra). Aqui podem-se encontrar vestígios do Microlítico, Megalítico e Neolítico num mesmo local.

Hoje em dia o acesso tem de ser feito de coracle pois a ponte que existia e que podem ver na imagem caíu...




Penso que também passámos por Kamalapura, uma cidade com um pequeno templo para o sudeste do Centro Real...

De resto apesar de Hampi parecer um lugar fora de tudo com um ambiente incrível não nos esqueçamos que ainda era Índia...




Regressei a Hospet onde apanhei um autocarro-cama de luxo para Bombaim. A viagem durou toda a noite e uma boa parte da manhã... mas ia numa cama confortável e não custou nada... Numa das paragens esperimentei este petisco que vêem aqui... ehehe Já não me lembro o que era... mas era doce e por isso soube bem... Há por falar em doces... em Goa havia uns nougats óptimos e descobri que noutros sítios embora não houvesse bem nougats havia uma espécie de nougats mas com sésamo em vez de amendoim... escusado será dizer que foi um petisco que procurei no resto da viagem... quem me conhece sabe que eu tenho de estar sempre a trincar qualquer coisa e estes nougats eram excelentes para as viagens...




Umas tentativas de fotografias tiradas da minha cama ambulante, na manhã antes de chegarmos a Mumbai/Bombaim.




19. BOMBAIM/MUMBAI मुंबई (Maharashtra)

Mumbai fica na costa oeste da Índia e é a cidade mais populosa do país com aproximadamente 14 milhões de habitantes e uma densidade populacional de cerca de 22 mil pessoas por km2. É também a cidade mais rica da Índia. É composta de 7 ilhas, todas ligadas constituindo 437,71 km2 e está dividida em duas regiões distintas: Mumbai centro (cidade-ilha) com  67,79 km2 e Mumbai suburbano abrangendo 370 km2.

O nome de Mumbai e eventualmente Bombaim, deriva de Mumba+Aai, referentes à deusa Mumba Devi Koli e a Aai que significa mãe em Marathi. de qualquer form há quem defenda que o nome usado pelos europeus, Bombaim, venha do português "boa baía".

Das cidades indianas que conheci esta é de longe aquela em que se respira uma maior atmosfera europeia...




Mas olhando um pouco para a história da cidade... As sete ilhas que hoje constituem Mumbai e que eram originalmente habitadas por pescadores sob o controle dos sucessivos impérios indígenas, foram em 1535 cedidas pelo Império Mughal aos Portugueses que ocuparam o território. Em 1661, o tratado de casamento de Carlos II da Inglaterra e Catarina de Bragança, filha do rei D. João IV de Portugal, colocou os insulares na posse do Império Britânico, como parte do dote de Catarina.

Em 1687, a British East India Company transferiu a sua sede de Surat para Bombaim. No final do século XVII, as ilhas sofreram incursões Mughais que terminaram definitivamente a presença Portuguesa e em 1774 os britânicos ocuparam os restantes territórios e a cidade continuou a florescer sob o seu domínio assim como cntinuaram a florescer as construções num estilo muito britânico.

Com a independência da Índia em 1947, Bombaim, passou a ser a capital do estado indiano de Maharashtra. Em 1995 o nome em Inglês foi oficialmente mudado para Mumbai, por insistência do partido nacionalista que argumentou que "Bombay" era uma versão corrompida Inglês de "Mumbai" e um legado indesejado do domínio colonial britânico.



A arquitectura da cidade é uma mistura do neo-gótico, indo-sarraceno, art deco, e outros estilos contemporâneos.

A maioria dos edifícios eregidos durante o período britânico, tais como Victoria Terminus foram construídos no estilo neo-gótico. A famosa estação, que é património da humanidade, foi rebaptizada pelo governo estadual, em 1996, em consonância com a política de renomear locais com nomes indígenas, com o nome de Chatrapati Shivaji Terminus छत्रपती शिवाजी टर्मिनस, em honra de um famoso rei da região Maratha do século XVII.




Também a Universidade de Bombaim, foi construída no estilo neo-gótico.  Há muitas instituições de ensino e pesquisa estão localizadas em Mumbai.

Quando andamos por estas ruas achamos mesmo que estamos em Inglaterra...




A Torre do Relógio Rajabai da Universidade de Mumbai foi construída nos fins do séc XVII numa fusão dos estilos veneziano e gótico. Está localizada nos limites do campus da universidade e tem uma altura de 85 m. A torre foi desenhado por um arquitecto inglês inspirado no Big Ben de Londres. O custo foi todo suportado por um próspero corretor que fundou a Bolsa de Mumbai, com a condição da torre ser nomeada em honra da sua mãe Rajabai, que era cega e que sendo uma seguidora fiel da religião Jain deveria jantar antes do anoitecer. O sino da torre à noite ajudou-a saber as horas sem ajuda de ninguém.




Cross e Oval Maidan constituem um extenso terreno relvado no centro de Mumbai. O termo Maidan significa "recreio" em hindi. Com quase 1 km2, é um parque popular onde se podem ver alguns habitantes a jogar cricket e futebol.

Do parque, além da Torre da Universidade podemos ver o Supremo Tribunal de Mumbai o मुंबई उच्च न्यायालय.




Mais umas imagens do tribunal...




E outros edifícios bem bonitos...




Mumbai não é a meu ver uma cidade linda, é uma cidade asiática com um garnde toque europeu e com recantos, zonas e avenidas bonitas mas não deixa de ser ásia e acima de tudo Índia...




Um exemplo do estilo Indo-Sarraceno de Mumbai, e um lugar de passagem obrigatória é o Gateway of Índia भारताचे प्रवेशद्वार que foi construído para comemorar a visita do Rei George V e da Rainha Maria em 1911. Localizado à beira-mar o Gateway é um arco de basalto de 26 metros de altura. Era um cais bruto utilizado por pescadores e mais tarde foi reformado e utilizado como um local de desembarque para os governadores britânicos e outros personagens ilustres. Era o primeiro monumento que os visitantes que chegavam de barco viam da cidade de Bombaim.

Ao lado o Taj Mahal Palace & Tower é um prestigiado hotel de luxo do Grupo Taj Hotels, Resorts and Palaces. Com 565 quartos é composto por dois prédios distintos construídos em diferentes épocas e em estilos arquitectónicos muito diferentes. Foi um dos alvos dos atentados de 2008...




A cidade oferece um estilo de vida cosmopolita e diversificado, com uma variedade de comida, entretenimento e vida nocturna, disponível em abundância e uma forma comparável à de outras capitais do mundo, Cobala é uma das zonas mais animadas.

O Café Leopold é um restaurante bar popular em Colaba. Foi também um dos primeiros locais atacados durante os ataques a Mumbai em 2008. O Restaurante estava cheio de clientes a maioria turistas quando foi atacado por rajadas de balas e granadas. É impossivel entrar ali sem lembrar a história e as imagens...




As características arquitectónicas da cidade incluem uma variedade de outras influências europeias, tais como empenas alemãs, telhados holandeses, trabalhos em madeira suíços, arcos românticos, características tudor, e características tradicionais indianas.

Kotachiwadi é um enclave cristão com cerca de 30 casas de madeira de dois pisos que resistiram à passagem do tempo.




Uma outra zona muito europeizada da cidade é a Marine Drive मरीन ड्राईव é uma avenida de 3 km ao longo da costa de Mumbai que dá para uma baía do Mar da Arábia. Para mim, que gosto de mar é outra das zonas agradáveis da cidade.




Testemunhos do estilo art deco podem ser encontrados ao longo da Marine Drive. Mumbai tem de longe o maior número de arranha-céus da Índia... A arte contemporânea de resto, destaca-se em ambos os espaços de arte financiados pelo governo e galerias comerciais privadas algumas nesta zona.




Nariman Point नरिमन पॉईंट é a área situada no extremo sul da Marine Drive. É a principal zona empresarial e de negócios do país e é o quarto mercado de escritórios mais caros do mundo. A área situa-se em terra conquistada ao mar...

As duas últimas décadas têm visto um aumento da violência na cidade até então pacífica. Após a demolição do templo Babri Masjid, em Ayodhya, a cidade foi abalada por tumultos hindu-muçulmanos entre 1992-93 na qual mais de 1.000 pessoas foram mortas. Em 1993, uma série de 13 atentados coordenados no vários pontos da cidade por extremistas islâmicos resultaram em 257 mortes e mais de 700 feridos. Em 2006, 209 pessoas foram mortas e mais de 700 ficaram feridas quando sete bombas explodiram em comboios suburbanos da cidade.
Em 2008, uma série de dez ataques coordenados por terroristas armados paquistaneses durante três dias, resultou em 173 mortes, 308 feridos e graves danos em alguns marcos do património e hotéis de prestígio. Um dos hotéis ainda apresenta marcas da violência nas suas fachadas...

Mumbai também tem um tribunal especial para pessoas acusadas de conspiração e cumplicidade em actos de terrorismo na cidade.




Girgaum Chowpatti  गिरगाव चौपाटी, vulgarmente conhecida apenas como Chaupati é uma das mais famosas praias públicas adjacentes Marine Drive na área Girgaum. Confesso que não me convenceu muito mas é sempre agradável ter uma praia na cidade...




As religiões representadas em Mumbai incluem hindus (67,39%), muçulmanos (18,56%), budistas (5,22%), jainistas (3,99%), cristãos (4,2%) muitos indianos católicos que foram convertidos pelos portugueses, durante o século 16, Sikhs (0,58%), alguns judeus que migraram do Golfo Pérsico ou Iêmen, provavelmente à 1.600 anos atrás e parsis que migraram para a Índia da Pérsia.

Os parsis são uma das duas maiores comunidades do zoroastrismo que é uma religião e filosofia baseada nos ensinamentos do profeta Zoroastro. Provavelmente fundada antes do século VI aC, na Pérsia (Irão) muitos séculos antes de ser progressivamente marginalizada pelos muçulmanos. Os textos mais importantes da religião são as do Avesta. Os Zoroastrianos acreditam que há um Deus universal e transcendental, Ahura Mazda, o único criador não criado, a quem todo o culto é dirigido. Criou Asha, a verdade e a ordem que são a antítese do caos, ou druj,  falsidade e desordem. Segundo eles, o conflito resultante envolve o universo inteiro, incluindo a humanidade, que tem um papel activo a desempenhar no conflito. A religião afirma que a participação activa na vida através de bons pensamentos, boas palavras e boas acções é necessária para garantir a felicidade e para manter o caos afastado. Essa participação activa é um elemento central no conceito de Zoroastro do livre-arbítrio, e rejeitam todas as formas de monaquismo. Ahura Mazda acabará por prevalecer sobre o mal (Angra Mainyu ou Ahriman), numa altura em que o universo vai sofrer uma renovação cósmica e vai acabar. No final dos tempos, uma figura do Salvador (a Saoshyant) trará uma renovação final do mundo na qual os mortos até mesmo os inicialmente banidos para "escuridão", serão reunidos em Ahura Mazda, retornando à vida.

Uma coisa curiosa é que em Mumbai, um festival conhecido como Feira de Bandra, com início no domingo seguinte, ao mês de Setembro, é celebrado por pessoas de todas as religiões, para comemorar o Nascimento de Maria, mãe de Jesus...



O Haji Ali Dargah حاجی علی درگاہ, é uma mesquita e dargah ( túmulo) de um santo muçulmano cosntruídos em 1431. Está localizada numa ilhota na costa de Worli e está ligada a terra por uma ponte estreita, com quase 1km de comprimento.. é um dos marcos históricos mais famosos de Mumbai e um exemplo excelente da arquitectura islâmica da Índia.

E a travessia mete respeito...




O acesso ao dargah está dependente das marés pois é inacessível durante a maré alta. Este caminhar na calçada, com o mar de ambos os lados, é um dos destaques de uma viagem ao santuário.

Vocês não estão a ver o filme... o passeio é hiper escorregadio... as ondas não só batem com força como também varem o chão... a água é castanha, cheia de lixo e impõe respeito... e ainda levava, a máquina, os cartões, as baterias e tudo mais comigo... era arricado confesso mas eu sou obstinada e juntei-me, ou melhor, agarrei-me a um grupo que também se ia arricar e lá fomos...




Valeu a pena o risco, o templo é lindissímo... A estrutura caiada ocupa uma área de 4.500 m2 e a torre de 26 metros é o que mais se destaca. Um pátio de mármore contém o santuário central. O salão principal tem colunas de mármore decoradas com espelhos coloridos: azul, verde, amarelo dispostos em padrões caleidoscópicos intercalados com padrões árabes que soletram os noventa e nove nomes de Alá... Conforme a tradição muçulmana há zonas separadas de oração para homens e mulheres.




Associado a lendas sobre amantes condenados, o Haji Ali Dargah foi construído em 1431 em memória de um rico comerciante muçulmano, Sayyed Peer Haji Ali Shah Bukhari, que desistiu de todas as suas posses antes de fazer uma peregrinação a Meca. Vindo de Bukhara, no antigo Império Persa, actual Uzbequistão, Bukhari viajou pelo mundo na primeira metade do século XV, e estabeleceu-se em Mumbai.

Segundo a lenda, uma vez viu uma pobre mulher a chorar na rua porque tinha tropeçado e derramado o óleo que carregava. Ele apontou um dedo para o solo e o óleo voltou para a bilha. Mais tarde, sonhou que tinha ferido a Mãe Terra com o seu acto e com remorsos, caiu doente e pediu aos seus seguidores para que quando morresse lançarem o seu caixão no mar da Arábia. Morreu durante sua viagem a Meca e, milagrosamente, o caixão, flutuou de volta a estas costas e ficou preso na cadeia de ilhotas rochosas ao largo da costa de Worli, levando à construção do Dargah nesse local.

Às quintas-feiras e sextas-feiras, o santuário é visitado por pelo menos 40.000 peregrinos. Independentemente da fé e da religião, as pessoas visitam a "dargah 'para obter as bênçãos do santo lendário.

E eu também tenho um milagre para agradecer a este santo... é que após a travessia ( que eu disse que era arriscada mas vocês não me devem ter levado a sério) a máquina tirou 3 fotografias e começou a passar-se... mas à séria... vejam a foto abaixo... conclusão achei que apesar do cuidado tinha entrado água... pudera... (pois agora já viram que eu não estava a exagerar... vá peçam desculpa!)

Agora imaginem-me no meio de Mumbai com a máquina estragada, (é que não parecia nada ser coisa que se resolvesse...) logo eu que sou a miss fotografias... socorro! Bem uma coisa é certa o santo ou o meu anjinho da guarda ou o espírito santo lá me inspiraram e lembrei-me de ter passado de taxi por uma espécie de centro comercial ali perto... pensei que a única hipotese era comprar outra máquina... fui ao centro mas as máquinas não eram grande coisa e não me apetecia comprar uma máquina qualquer sem o mínimo de informação... e então mais uma vez o santo, o o meu anjinho, ou o espirito santo tiveram pena de mim e... ocorreu-me perguntar se vendiam secadores... e vendiam no andar de cima... a menina que me atendeu foi contente mostrar-me os secadores e perguntei se podia ligar um... ela achava que eu ia querer comprar o secador mas expliquei o que se passava e não se importou de me deixar secar a máquina... isto é atirei ar quente para todo o lado para ver se a água que tinha entrado secava... sinceramente nunnnnccccaaaa achei que ia resultar... o ecrã aparecia tal qual como vêem as fotografias abaixo... Mas não é que resultou??? Foi milaaaaaagre! Só pode! Obrigada santo Sayyed Peer Haji Ali Shah Bukhari e anjinhos e santinhos amigos! ahaha



Mahalaxmi Temple महालक्ष्मी मंदिर é um dos templos mais famosos de Mumbai. É dedicado à deusa da prosperidade, Mahalaxmi, consorte de Vishnu. Construída por volta de 1785, a história deste templo está relacionada com a obra que uniu as 7 ilhas, a Vellard Hornby. Aparentemente, depois de parcelas do paredão do Vellard terem desmoronado duas vezes, o engenheiro-chefe que tinha sonhado com uma estátua da deusa Lakshmi (outro nome para a mesma deusa), no mar perto de Worli, procurou-a, recuperou-a e construiu um templo para ela. Depois disso, o trabalho sobre o Vellard pôde ser concluído sem problemas.

Notem uma coisa mais uma vez, o facto de um templo hindu ser famoso não significa que seja uma obra prima da arquitectura ou do que mais seja... este templo tinha uma entrada engraçada se bem me lembro e tinha este pormenor deste "pátio" exterior onde as pessoas colocavam ofertas nas grades, mas de resto não tinha piadinha nenhuma... para não variar... Desculpem-me os hindus, eu tenho todo o respeito por todas as religiões (em especial as que me salvam a máquina, ehehe), mas a sério tenho mesmo respeito e acho que a fé é o que conta, mas para o turista puro a meu ver os templos não têm grande interesse.




Walkeshwar Temple वाळकेश्वर मंदिर, também conhecido como Ganga Baan Temple, é um templo do séc X dedicado ao deus hindu Shiva. Está localizado na Walkeshwar, perto de Malabar Hill, no ponto mais alto da cidade e perto do templo, está o tanque Banganga.




Mumbai, evoluiu de uma comunidade de pescadores antigos para um centro colonial de comércio de peso durante os meados do séc. XVIII, devido à guerra civil americana Guerra. A cidade tornou-se o mercado mundial de comércio do algodão e a abertura do Canal de Suez, transformou Mumbai num dos maiores portos marítimos do Mar Arábico. Até à década de 1970, a prosperidade de Mumbai, pôde atribuir-se grande parte à indústria têxtil e do porto, mas a economia local foi-se diversificando para incluir engenharia, polimento de diamantes, saúde e tecnologia da informação, etc.

Hoje em dia e é a capital financeira e comercial do país e um hub financeiro global, com um rendimento per capita de cerca de três vezes superior à média nacional. É o principal centro de serviços financeiros da Índia e um foco para desenvolvimento de infra-estruturas e investimento privado. Cinco das 500 Maiores Empresas Mundiais estão sediadas em Mumbai. As oportunidades de negócios, bem como a possibilidade de se conseguirem altos padrões de vida, atraem migrantes de todo o país, tornando a cidade uma mescla de muitas comunidades e culturas.

A cidade também abriga a indústria cinematográfica da Índia, conhecida como Bollywood e que produz cerca de 150-200 filmes por ano. A cultura da Índia é a expressão de uma das mais antigas e diversificadas civilizações do planeta, portanto inclui grande número de manifestações em todos os campos, desde a literatura e a arquitetura até, modernamente, o cinema. O país é o maior produtor mundial anual de filmes para o cinema. A produção cinematográfica local concentra-se em Bombaim, Noida, Madrasta e Hiderabade.




Mas apesar de todo esse desenvolvimento, não se iludam, estamos na Índia e além dos templos indianos, encontramos mais algumas coisas que talvez não se imagine encontrar noutros lugares do mundo...

Uma delas é o Dhobi Ghat é uma área de lavadeiros conhecidos localmente como Dhobis que trabalham ao ar livre lavando roupa de hotéis, hospitais, etc. em centenas de tanques de cimento. É inacreditável...




Conhecida como a maior lavandaria ao ar livre do mundo pode ser facilmente vista da ponte viaduto da estação de comboio de Mahalaxmi.




Outra são as vacas estacionadas e com direito a tratamento especial...




Outro lugar a visitar em Mumbai são as Elephanta Caves. As grutas de Elefanta घारापुरीची लेणी, datadas do séc VI ao VII, são uma rede de cavernas esculpidas localizadas na ilha Elefanta, ou Gharapuri (literalmente "a cidade das grutas").

A ilha, localizada num braço do Mar da Arábia a 10 km da cidade, consiste de dois grupos de cavernas, o primeiro é um grande grupo de cinco cavernas hindus, o segundo, um pequeno grupo de duas cavernas budistas. As cavernas contêm esculturas hindus de pedra, representando a seita hindu Shaiva dedicada ao deus Shiva. Não faço ideia se vale a pena porque devido ao taxista perdi o último barco no último dia que ia estar em Mumbai... mas penso que sim... ficará para a próxima...




E terminada a visita a Mumbai lá parti para uma viagem estreia para mim... 32h de comboio... Iria de Mumbai a Amritsar, que fica bem a norte, de uma só vez... Claro que optei pela melhor classe possível... comboio-cama com a/c... seriam 32h para ler e descansar...

20. AMRITSAR ਅੰਮ੍ਰਿਤਸਰ (Punjab)

E maravilha das maravilhas... bastou-vos um leve scroll e já passou toda a viagem... e já estamos a chegar a Amritsar... Eu pelo menos tive tempo para descansar!

Amritsar que significa “Piscina da Imortalidade” é uma cidade no noroeste da Índia muito próxima do Paquistão e do estado indiano de Kashmir. Amritsar foi criada pelo Guru Ram Das, o quarto guru dos Sikhs e é o centro espiritual e cultural desta religião, sendo o lar do Harmandir Sahib ਹਰਿਮੰਦਰ ਸਾਹਿਬ, o Templo Dourado, que é o santuário mais sagrado no Sikhismo e atrai mais visitantes do que o Taj Mahal em Agra.



A história de Amritsar está intrinsecamente ligada ao sikhismo. O fundador desta religião, o Guru Nanak, nasceu em 1469 nesta região e após 4 grandes viagens ao Tibete, Ceilão, Bengala, Meca e Bagdade, pregou a hindus e muçulmanos, captando vários discípulos. Ensinava que a religião deveria ser um meio de união entre os homens e lamentava os conflitos entre hindus e muçulmanos assim como as práticas rituais que afastavam o ser humano da busca do divino. Após a sua morte sucederam-lhe mais nove gurus e cada um deles contribuiu para a consolidação da religião e da identidade sikh, o 3º Guru Amar Das, por exemplo, aboliu entre os sikhs a prática hindu da sati (o sacrifício das viúvas), bem como o uso do véu (purdah) pelas mulheres.




Mas é a partir do 4º, o Guru Ram Das, que começa a história de Amritsar, quando, em meados de 1500, o Guru compra um terreno onde manda escavar um tanque, o Amritsar. O seu sucessor, o Guru Arjun ordena a construção, do primeiro templo sikh, o Harmandir, no meio do tanque, onde manda colocar o livro sagrado da religião, o Guru Granth Sahib que tinha compilado.

A importância crescente dos sikhs leva a uma brutal perseguição movida pelos mughal e com o 6º Guru Hargobind, nasce a ideia da guerra como acto de auto-defesa e como garante da ordem e da justiça. Este guru militariza a religião e acrescenta uma nova espada à que os Gurus usavam, representando na sua pessoa da autoridade espiritual (piri) e temporal (miri). Mais tarde o 10º Guru Gobind Singh em fins de 1600, funda a ordem militar dos Khalsa e ordena antes de morrer que o Guru Granth Sahib, o livro sagrado do sikhismo, fosse considerado como o guru eterno, o único guia espiritual.



Com as suas bases definidas tanto Amritsar como o Sikhismo vivem a ascensão política dos Sikhs, até 1849, ano em que o território foi anexado pelos britânicos. Em fins do séc XIX inícios XX, a comunidade Sikh cria alguns órgãos administrativos e políticos para garantir os seus interesses. Por exemplo opuseram à partilha do Punjabe entre a Índia e o Paquistão, facto que se consumou em 1947. Apesar da proximidade a Lahore no Paquistão e quase 50% serem muçulmanos, Amiritsar tornou-se parte da Índia e as duas cidades viveram violentos motins, contra muçulmanos em Amritsar e contra hindus e Sikhs em Lahore, que levaram a migrações em massa nos dois sentidos.

Mas a violência na região não terminou aqui. Uma intervenção de tropas indianas, ordenada, no início dos anos 80, por Indira Gandhi, levou a confrontos no Templo, que se tinha tornado um refúgio para um grande número de militantes e levou à morte de 83 soldados e pensa-se quede cerca de 2000 peregrinos. Muitos consideravam o ataque como uma profanação do seu santuário mais sagrado levando à revolta dos sikhs e ao assassinato da primeira-ministra indiana em 1984.

Mas entremos no Templo Harmandir Sahib ਹਰਿਮੰਦਰ ਸਾਹਿਬ, o Templo Dourado... que foi o que nos trouxe aqui...




Existem quatro entradas para o complexo, significando a importância da aceitação e abertura; aparentemente, este conceito é reminiscente da tenda de Abraão no Velho Testamento que estava aberta dos quatro lados de forma a poder acolher os viajantes de todas as direcções.

Quem quiser entrar no Harmandir Sahib, ou em qualquer templo sikh em todo o mundo, é bem-vindo, e poderá fazê-lo, independentemente da sua religião, cor, credo ou sexo. As únicas restrições são que não deve beba álcool, coma carne ou fume, enquanto permanecer no santuário. Os visitantes também devem vestir-se adequadamente e todos devem cobrir a cabeça como sinal de respeito, tirar os sapatos e lavar os pés à entrada. Foi o que fiz...




O templo está rodeado por um grande lago de água, conhecida como a Sarovar que consiste Amrit (Água Sagrada ou Imortal). A arquitectura destes templos reflecte um estilo mughal tardio influenciado pelo estilo hindu. Não existem estátuas e não têm qualquer orientação especial.

Mas blá blá à parte é um espectáculo! E respira-se uma paz e uma quietude que não faz sequer imaginar puder haver qualquer tipo de violência ligada a esta religião... eu confesso de que pelo que vi enquanto estive na índia, fiquei fã dos sikhs.




Os templos sikhs recebem o nome de gurdwaras. Cada um possui um exemplar do livro sagrado, que ocupa um lugar de privilégio no templo. Trata-se de uma colectânea em punjabi dos hinos religiosos do Guru Nanak e dos seus sucessores, bem como de textos de poetas hindus e muçulmanos. Em qualquer lugar do mundo onde o Guru Granth Sahib está presente é igualmente santo e precioso para os sikhs. Os particularmente devotos dedicam-se a ler ininterruptamente as 1430 páginas do livro.

Visitar diariamente o templo é um dever religioso de todos os sikhs. A maioria visita Amritsar e o Harmandir Sahib pelo menos uma vez durante a vida, especialmente durante ocasiões especiais como aniversários, casamentos ou nascimento dos filhos. Os rituais funerários dos sikhs consistem na recitação de hinos até o corpo estar pronto para a cremação. Uma oração final é dita momentos antes de se cremar o corpo. As cinzas são em geral colocadas nos rios, como o Ganges.




Grande parte da riqueza que o complexo apresenta teve como origem uma série de benfeitores incluindo marajás sikhs e a associações que ao longo dos tempos doaram ouro e trabalhos em filigrana e esmalte fino, murais e painéis decorativos em mármore incrustado com pedras coloridas. Foi a profusão da cobertura a ouro levou a que fosse chamado de Templo Dourado.

É mesmo bonito...




Dentro do complexo do templo existem muitos santuários e placas memoriais que homenageiam eventos passados, santos e mártires sikh. Há três árvores sagradas cada uma representando um evento histórico ou um santo.




O número de sikhs no mundo é estimado em cerca de 23 milhões, o que fará do sikhismo a sexta maior religião mundial em número de aderentes. Estima-se que 19 milhões vivam na Índia, concentrados, na sua maioria, no estado do Punjab.

O termo sikh significa "discípulo forte e tenaz". A doutrina básica do sikhismo consiste na crença em um único Deus e nos ensinamentos dos Dez Gurus do sikhismo, recolhidas no livro sagrado dos sikhs, o Guru Granth Sahib, considerado o décimo-primeiro e último Guru. Para o sikhismo, Deus é eterno não tem forma, sendo impossível captá-lo em toda a sua essência. Foi o criador do mundo e dos seres humanos e deve ser alvo de devoção e de amor por parte dos humanos.




O sikhismo ensina que os seres humanos estão separados de Deus devido ao egocentrismo (haumai) que os caracteriza e que faz com que permaneçam presos no ciclo dos renascimentos (samsara) e não alcancem a libertação, que no sikhismo é entendida como a união com Deus. Acreditam no karma, segundo o qual as acções positivas geram frutos positivos e permitem alcançar uma vida melhor e o progresso espiritual, enquanto a prática de acções negativas leva à infelicidade e ao renascer em formas consideradas inferiores, como em forma de planta ou de animal.




Segundo eles, Deus revela-se aos homens através da sua graça (Nadar), permitindo-lhes alcançarem a salvação. Segundo os ensinamentos do Guru Nanak e dos outros gurus, apenas a recordação constante do nome (nam simaram) e a repetição murmurada do nome (nam japam) permitem aos seres humanos libertarem-se do haumai. O sikhismo coloca ênfase em três deveres, descritos como os Três Pilares do sikhismo: Manter Deus presente na mente em todos os momentos (Nam Japam); Alcançar o sustento através da prática de trabalho honesto (Kirt Karni); Partilhar os frutos do trabalho com aqueles que necessitam (Vand Chhakna).




Após o nascimento de uma criança sikh é hábito levá-la a um gurdwara, onde se abre o Guru Granth Sahib numa página ao acaso para escolher um nome. O nome da criança começará pela primeira letra da primeira palavra da página do lado esquerdo, na parte em que o livro foi aberto.

O rito principal é o da admissão entre os khalsa, a fraternidade dos "puros", com um rito de iniciação chamado amrit, que designa a água açucarada, mexida com o sabre de dois gumes, que o iniciado e os outros participantes na cerimónia devem beber para receberem o título de amritdhari "portador do néctar". Os sikhs que ainda não foram iniciados nesta cerimónia são chamados sahajdhari.




Os homens sikhs utilizam o apelido Singh "Leão" depois do nome próprio. As mulheres utilizam Kaur "Princesa" como segundo nome. A não aceitação pelos sikhs do sistema de castas reflecte-se no facto de muitos sikhs preferirem evitar o uso do apelido, muito ligado à identificação das castas, utilizando somente o seu nome individual seguido de Singh ou Kaur.

Os homens seguram o cabelo com um turbante, que pode ser branco ou de cor, enquanto que as mulheres utilizam um lenço. Aqueles que cortaram o cabelo ou a barba são chamados pelos ortodoxos patit, isto, é "renegados".




O Guru Nanak instituiu o sistema do langar "cozinha" ou "refeitório comunitário" que se perpetuou até aos nossos dias. O objectivo desta instituição foi fomentar a fraternidade e a igualdade entre os seres humanos. No langar uma série de voluntários preparam o karah prasad, uma refeição sagrada feita à base de farinha, açúcar e manteiga batida.




Todos os participantes numa cerimónia religiosa de um templo sikh recebem este alimento, sem distinção de casta, nível económico ou crenças religiosas. Eu fui uma delas!

Lá me sentei no chão com o meu prato à espera que passassem os que precorriam os corredores enchendo os pratos... Teve graça...E que delicia de comida! Há quem diga que quando se prepara a comida com amor ela vem mais saborosa... seria esse o segredo?

Gostei especialmente do kheer खीर que é um prato tradicional do sul da Ásia, doce, feito fervendo arroz ou o trigo quebrado ou vermicelli com leite e açúcar, e aromatizando-o com cardamomo, passas, açafrão, pistacho ou amêndoas. É geralmente servido durante uma refeição...

Aquilo que senti neste templo foi uma generosidade enorme, tocou-me confesso. Se quisermos no fim podemos deixar uma contribuição mas ninguém está a ver se deixamos ou quanto. Eu que detesto falsas generosidades, aqui nem hesitei e claro que deixei a minha contribuição anónima de bom grado...




O complexo do templo além desta zona onde os peregrinos podem comer, tem um hotel, acho onde não se paga nada ou quase nada, tem um espaço para backpackers que podem deixar, as coisas, dormir e tomar banho de graça e ainda tem transferes sistemáticos que ligam o templo à estação de comboio e que também são gratuitos... não me lembro se ver em outro lado do mundo e em especial na Índia outro exemplo tão fantástico de uma religião se organizar. Marcá-nos acreditem, eu fiquei mesmo fã dos sikhs e olho-os com um respeito especial.

Os sikhs constituem a maioria em Amritsar representando cerca de 74% da população. A principal língua falada em Amritsar e nas vilas circunvizinhas é o dialecto de Punjab. Outras línguas faladas na cidade são em hindi e Inglês. A utilização do dialecto local, normalmente usado pelo reino que ali existia, é muito natural nos diversos estados indianos.

Olhem o templo à noite, fabuloso, não é?




Amritsar é dominada pela história do sikhismo e do templo dourado mas há muitos templos hindus espalhados pela cidade.

Um deles é o Sri Durgiana que é uma versão hindu do templo dourado, às vezes é chamado de templo prateado devido às suas portas trabalhadas. Este sim! Foi o único tempo hindu que achei que valia mesmo a pena visitar!




Outro é o Mata Temple um labirinto a querer imitar os templos em cavernas. É visitado por mulheres que desejem engravidar... Imaginem onde me fui meter... ahaha

Este é outro que também vale a pena... mal eu disse que não valia a pena ver templos hindus aparecem logo dois para me desmentir... castigo!! Ai o karma...

É que é visitado num circuito de túneis baixos, corredores, escadas, salas e cavernas uma delas representando uma estar-se dentro de uma boca sagrada... tudo isto dá a este templo o seu carácter peculiar...




... e é de chorar a rir... a sério comecei a rir-me sozinha quando vi que tinha de passar por marquises e túneis como o que vêem abaixo... desatei a rir... a sério no mínimo pensa-se que nos estão a filmar para os apanhados... ahahah




O trânsito é uma constante nesta cidade e o transporte dentro da cidade pode ser feito em rickshaws, autorickshaws, táxis e autocarros.

À semelhança de diversas cidades que visitei, Amritsar está testemunhar um rápido crescimento urbano. Penso que isto é comum a muitas cidades e uma Índia do séc XX, urbana, limpa, cívica onde os contrastes entre os monumentos fabulosos e as ruas imundas deixará de existir deve estar para breve…




É verdade nesta parte da viagem decidi que ia documentar as comidas indianas, sempre que me lembrasse para tentar de uma vez por todas, não só experimentar o que não conhecia, como deixar de olhar para as ementas como quem está a ler grego...

Aqui vai um dos pratos que experimentei em Amritsar, além do Kheer que referi acima, e que me lembrei de anotar ou fotografar... era Panner Dosa com Dhal e Achar. A Dosa ದೋಸೆ é um crepe fermentado feito de arroz e lentilhas pretas. É um prato típico do sul da Índia, e é comido ao pequeno almoço ou jantar. O Paneer पनीर, é um queijo fresco de origem indiana , comum no sul da ásia. É uma espécie de requeijão feito por coagulação de leite quente com sumo de limão ou outro ácido. Dhal दाल é um guisado espesso preparados a partir de leguminosas (lentilhas, ervilhas ou feijão), as quais se retirou a casca interior. É um dos pilares da cozinha indiana acompanhando um variado número de comidas. Achar अचार é uma pasta de picles indiana composta de uma grande variedade de frutas e legumes em conserva, que são acidificadas com suco de limão, ou através da fermentação do ácido láctico activado pela adição de sal. Às vezes é feito com especiarias, como cebola, alho, pimentão e outros e pode incluir manga, limão, couve-flor, cenoura, rabanete, tomate, cebola, abóbora, palmito, caule de lótus, pétalas de rosa, gengibre, groselha indiana, alho, pimentão, couve-rábano, cogumelos, berinjelas, pepino, nabo etc. Muito bom!




De Amritsar fui a Wagah, ou seja à fronteira com o Paquistão...


21. WAGAH (Punjab), FRONTEIRA ÍNDIA-PAQUISTÃO

Wagah वाघा está situada entre as cidades de Amritsar na Índia e de Lahore no Paquistão. É uma “aldeia fronteira” que foi dividida pela independência em 1947. Hoje, a metade oriental continua na Índia, enquanto a metade ocidental no Paquistão. É muitas vezes chamada de " Berlim da Ásia”.

Todos os dias, desde 1959, que há em Wagah, ao pôr-do-sol, uma cerimónia de fronteira, chamada de "descida das bandeiras”. É protagonizada pelos soldados de fronteira de ambos os países, a Border Security Force (BSF), da Índia e os Rangers do Paquistão.

O mar de gente que vai assitir é inacreditável... especialmente do lado indiano. 




Os acontecimentos neste posto de fronteira têm sido um termómetro das relações entre Índia e Paquistão ao longo dos anos. É que esta foi a única ligação rodoviária entre as duas nações, antes da abertura da fronteira de Aman Setu em Caxemira, em 1999.

Em 2004 com a melhoria das relações entre os dois países foi criada uma primeira ligação de autocarro entre Amritsar e Lahore... Depois, em 2005, o Paquistão permitiu a importação de cinco itens alimentares específicos, com isenção do imposto via Wagah e num movimento sem precedentes, os camiões de mercadorias atravessaram a fronteira de Wagah pela primeira vez desde a independência do Paquistão e da Índia mais de 60 anos antes.

Contudo em 2008, devido aos ataques terroristas de Mumbai, que a Índia atribuiu a um grupo separatista de Caxemira baseado no Paquistão, as relações entre os países pioraram...






O Paquistão e a Índia disputam a região da Caxemira desde a independência do subcontinente indiano, em 1947, ano em que os dois países foram criados. Com a divisão, as centenas de principados semi-autónomos espalhados pelo sub-continente tiveram de optar pela integração a uma das nações.

O Paquistão tem uma maioria muçulmana enquanto que a Índia é dominada pelos hindus. A área que hoje corresponde ao estado indiano de Jammu e Caxemira era chefiada por um marajá hindu, que resolveu incorporá-la à Índia. Essa atitude contrariou o Paquistão e deu início aos primeiros conflitos que envolveram toda a região da Caxemira, de 1947 a 1948. O resultado foi a divisão, comandada pela ONU, em 1949, de uma parte do território para a Índia (Jammu e Caxemira) e outra para o Paquistão (Azad Caxemira).

No início da década de 60, uma parte do leste da Caxemira Indiana foi ocupada pela China. Até hoje a Índia reclama essa área para si, embora nenhum dos dois países ousem enfrentar o gigante chinês. Outra disputa, ocorrida em 1965, não ocasionou modificações territoriais.

Apesar da cerimónia ser bastante formal e haver um controlo policial intenso, antes de iniciar há muita gente que animada desce da plateia para a estrada a dançar ao sabor da música... cria-se um ambiente animado enquanto se aguarda...





Na década de 80, com o crescimento do fundamentalismo muçulmano, fortaleceu-se o movimento separatista na Caxemira indiana, que conta com o apoio do Paquistão. Na mesa está a independência do território ou sua anexação ao Paquistão. Os confrontos intensificaram-se nos anos 90 motivados pelo radicalismo crescente dos guerrilheiros paquistaneses e, no lado indiano, pelo acirramento da repressão militar e do fundamentalismo hindu. Mesmo com várias jornadas de conversações tentando solucionar o conflito, nenhuma das partes admite ceder territórios, o que torna a situação mais crítica.

A tensão na Caxemira serve de justificativa para que as duas nações militarizem suas fronteiras e, mesmo sendo países com enormes taxas de pobreza, gastam muito dinheiro em tecnologias bélicas. Índia e Paquistão já construíram bombas atómicas. Actualmente, a Índia que controla dois terços da região e acusa o Paquistão de treinar e armar os separatistas, fazer ataques junto às fronteiras e permitir que terroristas islâmicos planeiem ataques no território paquistanês (como o ataque a Mumbai em 2008). A confiança entre os dois países é muito fraca.


Do lado paquistanês a afluência era bastante pequena... como podem ver...

Toda a cerimónia é muito formal, naturalmente, e há uma certa tensão mas que me pareceu mais teatral que outra coisa, mas nunca se sabe... eheh Penso que apesar das divergências e de haver alguns grupos mais violentos que a tensão é mais política e que a população em geral, pelo menos a que não tenha sido atingida, não terá grandes ódios.




De Wagah voltei a Amritsar e daí segui para Delhi de comboio, numa viagem que demora 8h. Em breve talvez seja possível fazer este precusrso num comboio de alta velocidade em 2,5 h.... 

No comboio experimentei outro prato indiano... Vadas com Chutney de Coco e Sambar. As Vadas வடை são uma espécie de panquecas feitas de uma massa de farinha, purê ou batatas em cubos e lentilhas, temperada com sementes de mostarda preta, cebola, folhas de caril, que são, por vezes, previamente refogados, e sal, pimentões e grãos de pimenta preta. Muitas vezes o tempero também leva gengibre e bicarbonato de sódio. Geralmente são acompanhadas com chutney de coco e sambar. Sambar குழம்பு é um guisado de legumes (dhal) feito com tamarindo e guando.




Mas ainda não é desta que vou falar de Delhi onde ainda voltei uma outra vez antes de regressar... Vou saltá-la mais uma vez e deixá-la para o fim... Convido-vos a seguirmos para Varanassi...



22. VARANASI UTTAR PRADESH

Varanasi बनारस (sânscrito: वाराणसी) é uma cidade situada nas margens do rio Ganges. É o lugar mais sagrado do mundo no hinduísmo e centro da terra na cosmologia Hindu. Também é considerada uma cidade sagrada pelos budistas e jainistas.


Chamada anteriormente de Benares e Kashi “cidade da vida” é uma das mais antigas cidades continuamente habitadas do mundo e provavelmente a mais antiga da Índia. O escritor americano Mark Twain escreveu: " Benares é mais antiga que a história, mais antiga que a tradição, mais antiga até do que a lenda, e até parece duas vezes mais antiga que todas elas juntas".

À primeira vista é semelhante a todas as outras....






Segundo a lenda, a cidade foi fundada pela deidade Hindu, Shiva (deus da renovação), há cerca de 5.000 anos atrás, tornando-se assim um dos destinos de peregrinação mais importantes do país e um importante centro cultural e religioso no norte da Índia desde há milhares de anos. É uma das sete cidades sagradas dos hindus e a cultura de Varanasi está intimamente associada com o rio Ganges e com a importância religiosa do rio. Muitas escrituras hindus, incluindo o Rigveda, Skanda Purana, Ramayana e o Mahabharata, mencionam a cidade.

A melhor maneira de começar a visitar Varanasi é com um passeio de barco de madrugada pelo Ganges. Varanasi é uma cidade muito suja e começar pelo rio com aquelas cores do nascer-do-sol, ajuda a ficarmos com uma primeira impressão mais positiva... é como colocar uns óculos cor-de-rosa para o resto da estadia... isto apesar da água não aparentar muita limpeza... ahaha sejamos honestos... apesar da água ter um ar nojento...





O nome de Varanasi tem a sua origem, possivelmente, a partir dos nomes dos dois rios Varuna e Assi porque encontra-se com a confluência de Varuna com o Ganges a norte e de Assis com o Ganges, a sul. A distância entre as duas confluências é de cerca de 4 km e os hindus têm como um ritual sagrado fazer o percurso de ida e volta entre estes dois lugares, o Pancha-Kroshi Yatra, terminando com uma visita ao templo Vinayak Sakshi.

Em Varanassi conheci um casal fantástico a Ness e o Eduard. Estávamos alojados no mesmo sítio, fizemos alguns passeios em conjunto ao início de barco, acabámos por ficar amigos e senti que me trataram como uma filha. Ficaram desde cedo no meu coração.

É raro ter fotografias minhas em que sou apanhada de surpresa e eles apanharam-me em algumas... eu gosto de ter fotografias minhas nos blogs porque para mim funcionam como albúm e quando vejo as minhas fotografias é como se me transportasse de novo para aquele momento, recordo o que estava a sentir...




Além de mim podem ver a Ness e o Eduard em contra-luz e uma pequenita que veio connosco no barco e vendia cestos com petalas e velas para acendermos e colocarmos na água... (isto agora fez-me lembrar o Vietnam, aí sim o efeito das velas na água em Hoi An era fabuloso, aqui nem por isso... mas tem sempre piada...)





O Ganges गंगा e as suas águas deslocam-se rumo ao leste através da planície Gangética do norte da Índia, até o Bangladesh. Com 2.510 quilómetros de extensão, nasce nos Himalaias ocidentais, no estado indiano de Uttarakhand, e desagua na baía de Bengala.

Desde muito tempo é considerado um rio sagrado para os hindus, que o veneram na forma da deusa Ganga.





De acordo com a religião hindu, um rei muito famoso conseguiu trazer à terra a deusa Ganga para que ela lhe o salvasse da maldição que um profeta tinha lançado aos seus ancestrais. Ganga desce, assim, à Terra para lavar os pecados dos humanos e torná-la pia e fértil.

Para os hindus da Índia, o Ganges não é apenas um rio, mas também uma divindade materna e um conjunto de tradições. Os passeios de barco pelos rio ao longo dos ghats são procurados tanto por indianos devotos como por turistas...





Na verdade Varanasi está intimamente associada ao Ganges e tem muitos templos nas suas margens. Estando a uma elevação média de 80 m e tem cerca 100 ghats com longas escadarias em direcção à água. A maioria dos ghats são ghats de banho, enquanto outros são usados como locais de cremação...

Fizemos 3 passeios de barco pelo Ganges, um de manhã cedo, outro à noite e outro ao fim da tarde, num deles a corrente estava fortissíma e o barqueiro a certa altura não saia do mesmo lugar... decidi ajudar... (pois...) eheh... mentira, foi só mesmo para a fotografia...





Esta colagem mostra bem o aspecto geral dos ghats... e as tonalidades conforme a hora do dia... o alaranjado do inicio da manhã, as cores fortes do ínicio da tarde e os tons esmorecidos do escurecer... Varanasi tem uma beleza muito própria...






Alguns dos ghats que se destacam ou melhor se distinguem são:

O Lalita Ghat: Construído pelo Rei do Nepal. Aqui encontramos o Keshav Ganges, um templo de madeira construído em estilo típico de Kathmandu, dedicado ao deus Vishnu.


O Mana-Mandir Ghat: o marajá Jai Singh II de Jaipur construiu este Ghat, em 1770, bem como o Mantra Yantra com esquadrias das janelas ornamentadas.






O Scindhia Ghat no canto inferior direito distingue-se pelo o seu templo de Shiva parcialmente submerso no rio, como resultado de excesso de peso da construção do ghat de cerca de 150 anos atrás.

Os queridos Ness e Eduard aqui já se vêem as caras... A Ness em cima à direita e o Eduard a dar uma ajuda ele também aos remador...






O Dashashwamedh Ghat está localizado perto do Templo Vishwanath, e é provavelmente o mais espectacular. E certamente o mais colorido. Segundo a mitologia hindu, o Brahma criou-o para acolher Shiva.

Quando se olha para as fotografias que tirei não é desde logo claro que são tiradas do rio, pois não? ahaha imaginem a confusão de barcaça junto à margem...






Neste ghat, um grupo de sacerdotes (bramanes) realiza diariamente, ao início da noite o "Agni Pooja" (Culto ao Fogo) onde é feita uma consagração ao deus Shiva, ao Rio Ganges, a Surya (Sol), Agni (Fogo) e a todo o universo.


Os ritos védicos da oblação pelo fogo (yajna) são actualmente apenas práticas ocasionais, embora sejam altamente reverenciadas.


O rio Ganges representa o cabelo emaranhado de Shiva, o que explica a foto que tirei, possivelmente a tentar apanhar as velas na água...). O fluxo do Ganges também representa o néctar da imortalidade...

É muito giro assistir à cerimónia do barco... mas convém chegar cedo senão fica-se muito longe da margem...






Mais uma fotografias minhas sem contar e uma girissíma da Ness e Eduard. EEu não sou nada de tirar fotografias a pessoas é raro a não ser quando me pedem, depois fico com pena... mas é que me passa mesmo... deles tenho mais porque no fim da viagem copiámos as fotografias uns dos outros...






O Manikarnika Ghat: É o ghat mais importante de cremações e o mais auspicioso para os hindus serem cremados. Há uma lenda associada a este ghat. A fim de manter Shiva de entre os seus devotos, a sua consorte a deusa Parvati escondeu seus brincos, e pediu-lhe para encontrá-los, dizendo que os tinha perdido nas margens do Ganges. A sua ideia era que Shiva permanecesse naquele lugar à procura dos brincos perdidos. Segundo esta lenda, quando um corpo é cremado no Ghat Manikarnika, aparece-lhe Shiva que pede a alma se viu os brincos. Apesar da maioria dos corpos serem levados para a cremação neste ghat, a maioria são cremados no Harishchandra, onde existe um crematório “moderno”…


Para os hindus a cremação, que é considerada obrigatória para todos, com a excepção de sanyasis, hijra e crianças abaixo de cinco anos que são simplesmente atirados ao rio...mas dependendo da casta e da situação económica da família, muitas vezes os corpos não são cremados correctamente ou são simplesmente deitados inteiros ao rio... já ouvi que houve quem visse corpos a boiar na água...

A cremação costuma ser executada envolvendo-se o corpo em tecido e queimando-o sobre uma pira, havendo alguns rituais executados pela família. No Nepal, se se recordam pudémos ver uma, até bem demais...

Na imagem em destaque aparece o Harishchandra, onde vimos homes na água no local onde houve cremações... mais atrás e neste caso à direita no centro a imagem de um crematório moderno...




Desde a década de 90 e especialmente nos últimos anos que o estado da água do rio e afluentes têm ficado muito abaixo dos padrões consideradas aceitáveis pela OMS (Organização Mundial de Saúde).

Na parte do rio que banha Varanasi, a parte mais sagrada do seu percurso, o nível de bactérias excede em 3 mil vezes o aceitável. Isto acontece sobretudo devido ao despejo de esgotos, inclusive a partir de um hospital que atende tuberculosos e devido à ritual cremação dos mortos nas suas margens orla e devido aos corpos que são simplesmente atirados ao rio... mas há alguns banhistas que possívelmente também contribuem para aumentar o número de bactérias... outra coisa que infelizmente vimos nas margens, nos ghats foi uma série de cocos... pois as ruas são usadas como casas de banho... enfim... concentremo-nos nos passeios de barco esquecendo a água, claro...

Este ghat vinha mesmo referido como ghat dos bovinos... pudera...






Ou então... esqueçamos a nojice e tomemos uns belos banhos no rio.... ughhh ( eu confesso que só os pingos no barco já nos metiam nojo... eheheh)

Pois é mas muitos hindus até os dias de hoje, seguindo uma tradição que permanece viva há pelo menos 5.000 anos, realizam Banhos de Purificação (abluções matinais), nas margens do rio sagrado.

Esqueçam os parágrafos anteriores aqueles em que falei das bactérias... ou vão ter vómitos... (coloco aqui just in case uma bola encarnada imaginária no ecrã).





Alguns hindus acreditam que uma vida não é completa sem um mergulho no Ganges pelo menos uma vez na vida. (tem lógica possivelmente não estariam vivos para uma segunda vez... ahahha).

Muitas famílias hindus também guardam um frasco com água do rio nas suas casas, hábito que é considerado prestigioso, para que pessoas à beira da morte possam beber a água (vou-me conter e não vou comentar...).

Muitos hindus acreditam que o Ganges pode limpar uma pessoa de todos os seus pecados, e pode até mesmo curar a doenças. As escrituras antigas mencionam que a água do Ganges transporta as bênçãos dos pés do Senhor Vishnu; assim, a Mãe Ganges também é conhecida como Vishnupadi, que significa "pés de Vishnu". Quem disse que o hinduismo era simples??

Uma coisa é certa, apesar de toda esta sujidade, Varanasi tem uma atmosfera especial e até acredito que à semelhança de outros destinos sagrados de outras religiões tenha algum poder subjacente.




Na verdade os hindus acreditam que este local é um solo sagrado, um campo de energia activa, um lugar onde a Moksha, a libertação final pode ser obtida. O Garuda Purana enumera sete cidades como doadoras de Moksha, entre elas está Varanasi.

Que ali há qualquer coisa de diferente há... sugestão? Uma coisa é certa esta gente tomar banho e sobreviver por si já é milagre que baste...




Confesso que sempre que tomava banho na água limpa do hotel, pensava 3 vezes em que não ia pensar de onde aquela água poderia vir eheh... e quando vi as lavandarias locais acho que passei a dormir no saco cama... ehehe






Nojices à parte, até porque na ásia temos que nos abstrair ou estamos feitos... até que a roupa fazia um efeito bem giro...

Eu até estou aqui na boa mas até acho que mandei roupa para lavar enquanto estive em Varanasi... abstrair Patricia, abstrair... ehehhe





Mas mais importante que as lavandarias são as Pujas ou Poojas... Os hindus mais devotos executam tarefas diárias, como venerar durante a alvorada, depois de se banharem, num ritual que também envolve o acendimento de uma vela e a colocação de oferendas de alimentos diante de imagens das divindades, recitar os escritos religiosos, cantar hinos devocionais, meditar, cantar mantras, entre outros…




Um panorama geral de um dos ghats de pujas. Não sei se este ghat era especificamente de pujas mas que aqui havia muita gente nesses propósitos, havia... 




Aqui encontram-se muitos Sadhus. Shadu no hinduísmo, é um termo comum para designar um místico ou um asceta. Dar dinheiro ou bens aos sadhus é tido como um acto de mérito religioso, para apoiar os homens que dedicam suas vidas à prática religiosa.




Outra coisa curiosa é vermos um grupo de pessoas a fazer yoga num dos ghats, que deve ser o Yoga Ghat...




Mas as coisas curiosas não ficam por aqui...






E claro que num sítio onde se faz de tudo, também teria de haver vendedores ambulantes de recordações... e neste caso como andavam de barco eram mesmo ambulantes... Agora estava a escrever isto e lembrei-me de novo do Vietname... de Halong Bay onde também podemos encontrar crianças a vender diversos artigos de barco em barco...






Tenho falado ao longo deste post de diversos aspectos ligados ao Hinduísmo... podia ter aproveitado cada oportunidade separada para falar um pouco desta religião,  talvez tornasse o post mais interessante, mas isso ia inverter a minha própria experiência que foi ir aprendendo umas coisas aqui e ali e só depois pesquisar o resto com base no que já sabia e no que queria entender melhor... Assim, até aqui fui aflorando apenas de algumas coisas e fui referindo que em Varanasi ia falar de mais... Vou pensar positivo e achar que esta forma de apresentar as coisas vos tenha aguçado o interesse e que estejam agora com vontade de arranjar um fio condutor para melhor compreender o que está por trás desta filosofia... De resto escolhi falar disto em Varanasi porque foi nesta cidade que tive o maior contacto com esta religião...


O hinduísmo é uma tradição religiosa que se originou no subcontinente indiano. O hinduísmo não tem um sistema unificado de crenças codificado numa declaração de fé ou um credo e não tem um fundador. É um termo abrangente, que engloba os vários fenómenos religiosos que se originaram e são baseados nas tradições védicas e é descrito como a mais antiga das religiões e mais diversa em tradições religiosas.

A soma destas tradições, fazem do hinduísmo a 3ª maior religião, depois do cristianismo e do islamismo. A maioria dos fiéis vivem na Índia e no Nepal e outros países com populações significativas de crentes são o Bangladesh, Myanmar, Sri Lanka, Paquistão, Malásia e Singapura, EUA, Reino Unido e Canadá entre outros.

Hindu era um termo persa e referia-se ao povo que residia no outro lado (do ponto de vista persa) do Sindhu ou rio Indo. Foi utilizado para expressar não somente a etnicidade mas a religião védica desde o século XV e XVI. Hindu foi usado em inglês no sentido de "pagão indiano" desde o século XVII, porém a noção do hinduísmo como uma tradição religiosa identificável, qualificando uma das religiões do mundo, surgiu apenas durante o século XIX.





O hinduísmo cresceu a partir dos Vedas,  4  textos em sânscrito dos quais o mais antigo é o Rig Veda, que data de 1700-1100 a.C. Os Vedas também influenciaram o budismo, o jainismo e o sikhismo. O seu núcleo é formado pelos Mantras que representam hinos, orações, encantações, mágicas e fórmulas rituais, etc, que são dirigidos a vários deuses e algumas deusas. Estes mantras são complementados com textos relativos aos rituais sacrificiais nos quais os mantras são utilizados e também com textos que exploram os aspectos filosóficos da tradição ritual, etc. Estas escrituras foram transmitidas oralmente, na forma de versos - para auxiliar na sua memorização, muitos séculos mesmo antes de serem escritos. Ao longo dos séculos diversos sábios refinaram estes ensinamentos e expandiram o cânone. A maioria dos hindus provavelmente nunca leu os Vedas embora mostrem reverência por esta noção abstracta  de conhecimento (Veda significa "conhecimento" em sânscrito). Enquanto muitos hindus veneram os Vedas como verdades eternas reveladas aos antigos sábios alguns devotos não associam a sua criação com qualquer divindade ou pessoa, acreditam serem leis do mundo espiritual, que existiriam mesmo se não tivessem sido reveladas aos sábios.



Outros textos importantes são os Upaniṣad  उपनिषद् , discutem principalmente meditação e filosofia, e são considerados instruções religiosas. Surgiram como comentários sobre os Vedas, sua finalidade e essência, sendo portanto conhecidos como Vedānta "o fim do Veda". O termo Upaniṣad deriva das palavras sânscritas upa "perto", ni  "em baixo" e chad "sentar", representando o acto de sentar-se no chão, próximo a um mestre espiritual, para receber instrução.






As escrituras do hinduísmo dividem-se em Shruti "revelado" - os Vedas e os Upaniṣad, e Smriti "lembrado" - das quais fazem parte as obras que vou refirir em seguida.

Pois é o Hinduimo tem muito "que se lhe diga"... ou melhor "se lhe leia"...


Os Puraṇas são narrativas da história do universo, da criação à destruição, genealogias de reis, heróis, sábios, e semideuses, e descrições de cosmologia, filosofia e geografia. Recontam histórias sobre os devas e devis, as suas interacções com os humanos e suas batalhas contra demónios (rakshasas).

Outros textos importantes são os principais épicos em sânscrito, o Mahabharata e o Ramayaṇa  que foram compilados durante um período extenso que abrangeu os últimos séculos antes de Cristo, e os primeiros da Era Comum, e contêm histórias mitológicas sobre os governantes e as guerras da antiga Índia, intercaladas com tratados religiosos e filosóficos. As histórias que referi em Hampi são tiradas de um destes épicos o Ramayana. O Bhagavad Gītā, parte do Mahabharata, é um dos mais populares textos sacros do hinduísmo e é descrito como a essência dos Vedas, contém ensinamentos filosóficos de Krishna, uma encarnação de Vishnu, narradas ao príncipe Arjuna às vésperas de uma grande guerra.







Outros textos conhecidos são os Tantras com práticas espirituais e formas rituais do culto, que visam à libertação da ignorância e do renascimento. O universo é considerado como o jogo divino de Shakti, deusa que representa o poder criativo feminino e da renovação (uma forma de Vishnu) e de Shiva deus da destruição e transformação. O universo é visto como a experiência da manifestação concreta da energia divina que sustenta o universo e os tantras baseiam-se em rituais adequados a canalizar essa energia dentro do microcosmos humano de forma criativa. Está centrado no desenvolvimento e despertar da kundaliní, a "serpente" de energia, de natureza biológica e manifestação sexual, situada na base da espinha que ascende através dos chakras. O Tantra, não vê o corpo como um obstáculo mas como um meio para o conhecimento. Para o Tantra, todo o complexo humano é vivo e possui consciência independente da consciência central e por isso mesmo é merecedor de atenção, respeito e reconhecimento. Usa mantras, yantras (figuras geométricas, desde simples a complexas, como mandalas), e rituais que incluem formas de meditação.






Ainda outros textos são os Sutras सूत्र. Sutra, literalmente significa um fio ou a linha que mantém as coisas juntas. É derivado da raiz verbal - siv, que significa costurar e de onde derivou o verbo latim suere em inglês - to sew “cozer” - assim como o termo médico sutura. No hinduísmo, um sutra denota um tipo distinto de composição literária, com base em curtas declarações aforísticas (curtas e concisas) que se destinavam a ser memorizadas.

Cada família tem uma Gotra e uma Sutra específicas. O termo Gotra no aspecto mais lato refere-se a pessoas que são descendentes de uma linha ininterrupta masculina de um ancestral comum do sexo masculino. De uma forma mais restrita refere-se aos descendentes de 8 sábios que de acordo com o VishvamitraBaudhâyanas'rauta-Sutra são: Jamadagni, Bharadvaja, Gautama, Atri, Vasishtha, Kashyapa e Agastya. Segundo a teoria bramânica, os brâmanes são descendentes directos destes sábios que se acredita serem os filhos nascidos da mente de Brahma... De resto todos os membros de um gotra são como família não devendo casar entre si e que possuem certas características comuns por meio da natureza ou profissão. Outra característica de cada família é a de partilharem uma Sutra, o que significa que um certo Veda (Shruti) é estimado por esta família que faz por aprendê-lo de coração.






A teologia hinduísta fundamenta-se no culto dos avatares, manifestações corporais, da divindade suprema cósmica, Brahman (com n no fim), que encarnou sucessivamente em Brahma, deus criador, Vishnu, deus da conservação e Shiva, deus da destruição, formando a trindade indiana chamada Trimurti.


Brahma o criador do mundo material, é representado com quatro cabeças representando os quatro pontos cardeais e quatro braços, um segura uma flor de lótus, significando a beleza da criação, outro um rosário usado para controlar o tempo do universo, outro um recipiente contendo água benta usado para criar a vida e outro os Vedas simbolizando o conhecimento e o caminho. É raro haver templos dedicados a Brahma, Shiva, Vishnu são os mais "populares" em termos de culto, da trimuti.

Vishnu, principal deus da trindade hindú, representa a bondade e é responsável pela sustentação, proteção e manutenção do universo. Vishnu’ significa “aquele de que tudo penetra” ou “aquele que tudo impregna". É a fonte original de todos os avatares e deuses, e está presente em cada átomo da criação e no coração de todos os seres. ‘ Aparece flutuando sobre ondas ou em cima das costas do deus-serpente Shesh Nag, segura uma concha, um disco de energia, um lótus e um cajado. A concha Pantchdjanya, contém todos os cinco elementos da criação: ar, fogo, água, terra e éter e representa a eternidade. Quando se sopra na concha, pode se ouvir o som que deu origem à todo o universo, o Om. O Lótus de Vishnu, chama-se Padma, e é o símbolo da pureza e representa a Verdade por trás da ilusão. O disco ou Chakra, simboliza a mente, e o cajado representa a força da qual toda a força física e mental do universo são derivadas.Vishnu, está constantemente presente nas conquistas amorosas.
Shiva é o deus da renovação através da destruição. Controlador de toda a ira e é conhecido por sua imensa benevolência e misericórdia, concedendo-a a todos muito facilmente. Os símbolos de Shiva são o tridente, a serpente, a água que representa o ganges, o linga, o tambor, a lua crescente e o fogo. O tridente é o trishula e é a arma com que destrói a ignorância humana, as três pontas representam as três qualidades dos fenómenos: tamas (a inércia), rajas (o movimento) e sattva (o equilíbrio). A serpente, naja é a mais mortal das serpentes. Usar uma serpente à volta da cintura e do pescoço simboliza que Shiva dominou a morte e tornou-se imortal. O tambor, damaru em forma de ampulheta representa o som da criação do universo. No hinduísmo, o universo nasce da sílaba Om. É interessante comparar isto com o prólogo do Evangelho de São João: "No princípio era o Verbo (a sílaba, o som). E o Verbo era Deus. (...) Tudo foi feito por Ele (o Verbo) e sem Ele nada se fez." É com o som do damaru que Shiva marca o ritmo do universo e o compasso de sua dança. As vezes, ele deixa de tocar por um instante, para ajustar o som do tambor ou para achar um ritmo melhor e, então, todo o universo se desfaz e só reaparece quando a música recomeça. Os outros simbolos representam a transformação. É o controlador de toda a ira e é conhecido por sua imensa benevolência e misericórdia, concedendo-a a todos muito facilmente. Às vezes ele é encontrado num estado de meditação, demonstrando que é o deus da Yoga. Possui um terceiro olho que sempre permanece fechado, pois quando o abrir, toda a criação será incinerada pelo calor abrasivo do fogo da renovação. Dizem os orientais que Shiva protege a casa dos seus seguidores de todos os tipos de males.

É interessante reparar que assim como o hinduísmo tem a trimuti (brahma, shiva, visnhu), o catolicismo tem a trindade (deus pai, filho e espírito santo)...





Os Hindus sentem-se livres para adorar a sua deidade pessoal, escolher um ícone e oferecer orações para o Brahman incognoscível. Tradicionalmente o culto limitado a um membros da Trimuti, em especial a Brahma, é raro - costumam adorar uma série de Deuses mais específicos e mais próximos da realidade cultural e psicológica dos praticantes. Embora alguns censos sustentem que 80% são adoradores de uma forma ou outra de Vishnu (conhecidos como Vaishnavs) e  20% são adoradores de  Shiva (chamados Shaivaites). A maioria dos Hindus adora muitos deuses como expressões variadas do mesmo prisma da Verdade ou sucessívas encarnações do mesmo deus, isto é Avatares.

Isto acontece porque aos olhos deles, cada deidade controla uma energia particular. Estas energias presentes em cada um de nós como uma forma selvagem, devem ser controladas e canalizadas de modo adequado, tendo em vista infundir uma consciência divina em nós. Para isso, uma pessoa deve contar com a boa vontade de diferentes deuses, pois no caminho pessoal do progresso espiritual, precisam-se desenvolver vários atributos... Daqui vem o conceito de demónios que se relacionam com os diversos vícios.

A tradição bramânica é formada por 33 divindades, entidades celestiais, chamadas devas ou devī (no feminino), "os brilhantes  ou "seres celestiais".

Os hindus consideram Budha e Jesus avatares (encarnações) de Vishnu sendo Jesus relacionado com o 8º avatar de Vishnu - Krishna, que é visto como a encarnação do amor e alegria divinas que destrói a dor e o pecado, é o instigador de todas as formas de conhecimento e nasceu para estabelecer a religião do amor. Interessante a parecença do nome Krishna com a palavra Cristo e com a sua mensagem. Tudo isto me faz pensar no quanto é interessante ver o quanto as religiões falam de coisas semelhantes. Uma breve pesquisa que fiz descobri que há quem defenda mais de uma centena de coincidências entre as duas histórias de vida, desde a concepção virginal ao nascimento acompanhado de pastores, ao pai carpinteiro, à morte por crucificação... interessante.






Entre os deuses indianos mais populares estão: Vishnu (que encarna como Krishna figura central do épico Mahabharata e que se distingue por ter sempre consigo ou um pavão ou penas de pavão; ou que encarna como Rama protagonista do Ramayaṇa); Shiva; Lakshmi consorte de Vishnu e que representa a riqueza e a beleza, cujos símbolos são o lótus e moedas de ouro; Sarasvati consorte de Brahma representa a sabedoria e as artes, os seus símbolos são o cisne e o lótus branco; Pavarti segunda consorte de Shiva e reencarnação da primeira (ambas representando a deusa mãe), pode aparecer sob a forma de Kali que representa a natureza e a morte cujos símbolos são um colar de crânios e braços, ou como Durga que representa a caçadora de demónios com 10 braços, que cavalga um leão ou um tigre, carrega armas e assume mudras (gestos simbólicos com a mão). Ganesha é outro deus muito popular, é o primeiro filho de Shiva e Parvati e é considerado o mestre do intelecto e da sabedoria, é representado com uma cabeça de elefante com uma única presa, montado num rato, representando o domínio sobre a ignorância. Skanda, irmão de Ganesha é um deus da guerra, passeia com um pavão e carrega o Shula (lança). Hanuman é o famoso deus-macaco do hinduísmo, segundo as escrituras é uma encarnação de Shiva, que se manifestou na Terra durante o período de Rama (uma das encarnações de Vishnu), para auxiliá-lo nas suas tarefas.






Há várias lendas referentes a Ganesh, já contei uma versão em cima em Hampi... uma outra conta a mesma história mas com algumas diferenças. Uma conta que sua mãe Parvati queria tomar banho e criou um ídolo na forma de um criança para a guardar. A deusa deu vida ao boneco, então Ganesha nasceu. Parvati ordenou a Ganesha que não permitisse que ninguém entrasse na casa e quando Shiva retornou da floresta e tentou entrar, Ganesha parou o deus. Shiva enfurecido disse a Ganesha que ele era o marido de Parvati mas Ganesha não obedeceu. Então Shiva enfurecido decepou a cabeça de Ganesha. Quando Parvati saiu e viu o corpo sem vida de seu filho, ela ficou triste e com muita raiva. Ela ordenou que Shiva devolvesse a vida de Ganesha imediatamente. Mas Shiva com o golpe tinha atirado a cabeça de Ganesha para muito longe e não a conseguiu encontrar, pediu ajuda a Brahma que disse para substituir a cabeça de Ganesha com o primeiro ser vivo que encontrasse com a cabeça virada a norte. Só encontrou um elefante moribundo e após a sua morte, tirou a sua cabeça, e colocou-a no corpo de Ganesha trazendo-o de volta à vida.






A crença na reencarnação própria do hinduísmo tem como base a evolução do espírito, e só chega e termina quando a libertação (moksha) é alcançada.

Assim, há princípios de base nos quais se fundamentam as crenças hinduístas e são: 1. o karma (acção e consequente reacção). O karma pode ser traduzido como "acção” e de acordo com os Upaniṣad, a jiva-atma (alma viva ou essência imortal de um ser vivo - da raiz jīv 'respirar' e de onde deriva o latim Vivus "vivo" – que difere de ātman que significa a alma cósmica), desenvolve samskaras (impressões) a partir de acções, sejam elas físicas ou mentais. O linga sharira, um corpo mais sútil que o físico, porém menos sútil que a alma, armazena as impressões, e leva-as à vida seguinte, estabelecendo uma trajectória única para o indivíduo. Assim, o conceito de um karma infalível, neutro e universal, relaciona-se intrinsecamente à reencarnação, assim como à personalidade, características e família de cada com que cada um nasce. O karma une os conceitos de livre-arbítrio e destino. Cada vida é uma oportunidade para o desenvolvimento espiritual de cada alma e as diferentes características e situações que cada pessoa vive durante a vida têm o propósito de a fazer evoluir a partir do ponto em que ficou. 2. O samsāra, o contínuo ciclo do nascimento, morte e renascimento, que segundo os hindus, só dá a conhecer os prazeres efémeros de um corpo perecível e o sofrimento. 3. O moksha, (nirvana ou samādhi, libertação do samsāra), a felicidade e paz duradouras. Esta meta final da vida é compreendida de diversos modos: como a compreensão da união ou relação com Deus; ou a compreensão da unidade de toda a existência; ou a abnegação total e conhecimento perfeito do próprio Eu; ou o alcance de uma paz mental perfeita; ou ainda o desprendimento dos desejos mundanos, etc. Tais entendimentos libertam o indivíduo da samsāra e terminam o ciclo de renascimentos. 4. O dharma (a ética hindu) e no fundo o conjunto de principios de vida que permitem deixar de criar karma e obter o moksha, saindo do ciclo da samsara e 5. as diversas yogas (caminhos ou práticas). Assim como o dharma, também são caminhos para se chegar à libertação.

O pensamento hindu clássico aceita os seguintes objectivos da vida humana, conhecidos como os puruṣārthas ou quatro objectivos da vida: 1. dharma ou retidão, 2. ethikos ou artha, sustento ou riqueza, 3. kāma ou prazer sensual, 4. mokṣa ou libertação do samsāra. Acreditam que todos os homens seguem o kāma e o artha mas acabam por controlar estes desejos com o dharma acabando por encontrar a moksha. Os grandes rishis (sábios, considerados espécies de santos hindus), samsáricos (por viverem no samsāra, i.e. plano temporal ou terrestre) que seguiram um meio de vida honesto e amável (dhármico) tornaram-se jivanmukta (alma vivente liberta). Os épicos hindus e os Purāṇas  relatam diversos episódios da descida de deus à Terra na forma corpórea para restaurar o dharma da sociedade e guiar os humanos ao moksha.






Como referi atrás, o hinduísmo é centrado sobre uma variedade de práticas que são vistas como meios de ajudar o indivíduo a experimentar a divindade que está em tudo, e realizar a verdadeira natureza do seu Ser. Qualquer que seja a meta de vida de um hindu, existem diversos métodos ou Yogas que os sábios ensinaram para se atingir essa meta. Textos dedicados ao yoga incluem o Bhagavad Gītā e os Yoga Sutras, entre outros, e, têm como base filosófico-histórica, os Upaniṣad. Os caminhos que um indivíduo pode seguir para atingir a meta espiritual da vida (moksha) incluem: Bhakti Yoga, o caminho do amor e da devoção; Karma-Yoga, o caminho da acção correcta, o Rāja Yoga, o caminho da meditação e o Jñāna Yoga, o caminho da sabedoria. Um indivíduo pode preferir um ou alguns yogas a os outros, de acordo com a sua inclinação e entendimento. À partida defendem que a prática de um yoga não exclui os outros, e muitos estudiosos acreditam que os diferentes yogas se misturam naturalmente e auxiliam na prática dos outros yogas.





As práticas hinduístas geralmente envolvem a procura da consciência de Deus, e por vezes também a procura de bênçãos dos devas. Assim, o hinduísmo desenvolveu muitas destas práticas como forma de ajudar o indivíduo a pensar na divindade na vida quotidiana. Outra característica dos hindus inclui a crença na eficácia do sacrifício e do conceito de mérito, ganho através da realização da caridade ou de bons actos, que acumulam com o tempo e reduzem o sofrimento no próximo mundo.

Os Rituais Védicos como Yajña e Puja (adoração em forma de sacrifício e oferendas), “são tentativas de preencher os propositos da criação e elevar as pessoas para Deus”. Assim, a imensa maioria dos hindus praticam rituais diariamente, porém a observância destes rituais varia enormemente de acordo com as regiões e indivíduos.

A mais popular forma de expressão de amor a Deus na tradição hindu é através da Puja, ou ritual de devoção, frequentemente utilizando o auxílio de murti (ícone) juntamente com canções ou recitação de orações meditacionais em forma de mantras. Canções devocionais denominadas bhajan (escritas primeiramente nos séculos XIV-XVII), kirtan (elogios), e arti (uma forma do ritual de fogo Védico) são algumas vezes cantados juntamente com a realização do pūjā. Cada um dos objectos associados ao Puja ou adoração é simbolicamente significativo. A estátua ou imagem da Deidade, a qual é chamada genericamente de “Vigraha”, representa algo que é devido aos planetas ou “grahas”. As flores que se oferecem simbolizam o florescer de algo bom em nós. Os frutos simbolizam nosso desapego, o auto-sacrifício, e a rendição, e o incenso que queima, simboliza o desejo colectivo de ter coisas auspiciosas em comum. A lâmpada de luz, feita de Ghee (manteiga clarificada), representa a luz em nós, na nossa alma, que oferecemos a Deus ou ao Absoluto. O encarnado do pó representa as emoções. O pote Purnakumbha literalmente significa, purna= pleno; kumbha= pote, simboliza a mãe Terra; a água a doadora da vida. O coco, que em Sânscrito é “sriphala”, ou “fruto do Senhor”, é também usado com o símbolo para Deus.

 A Puja é essencialmente um ritual sugestivo com símbolos, onde o individuo se oferece e às suas actividades a Deus. Este sistema orgânico de devoção tenta auxiliar o indivíduo a conectar-se com Deus através de meios simbólicos. Defendem que ao colocarmos os sentidos para adorar a Deidade durante o Puja nossa mente fica inteiramente ocupada em feitos meritórios e espiritual, se afastando das coisas mundanas e grosseiras. Assim, o cheirar, tocar, ver, dançar, etc. são símbolos muito significativos de adoração. É dito que o praticante (bhakta), através de uma crescente conexão com Deus, é eventualmente capaz de evitar todas as formas externas e imergir intensamente na bênção do indiferenciado amor à Verdade (Satya).
Os hindus podem praticar a pūjā (culto ou veneração) tanto em casa como nos templos. Nas suas casas costumam criar um altar, com ícones dedicados às suas formas escolhidas de Deus. Os templos costumam ser dedicados a uma divindade primária e às divindades subordinadas que lhe são associadas, embora alguns sejam dedicados também a outras. A visita a templos não é obrigatória, e muitos visitam-nos apenas durante os festivais religiosos.

Um factor de destaque nos rituais religiosos é a divisão entre o puro e o impuro (ou poluído). O praticamente tem sempre um certo grau de impureza, que deve ser anulado ou neutralizado antes ou durante o decorrer do ritual. A purificação, feita geralmente com água, é portanto um aspecto típico da maior parte dos actos religiosos do hinduísmo.






A adoração das deidades é geralmente expressa através de fotografias ou Imagens (murti) que não são vistas como o próprio Deus mas apenas como condutos para a consciência dos devotos. Eles são símbolos do princípio maior, representado mas nunca presumido ser o conceito da própria entidade. Consequentemente, a maneira hindu de adoração de imagens as toma apenas como símbolos da divindade, opostos à idolatria.


Os Mantras são invocações, louvores e orações que, através de seu significado, som e estilo de canto, ajudam um devoto a focar a sua mente nos pensamentos sagrados, exprimir devoção a Deus ou às divindades, ou ajudar à meditação. Muitos devotos realizam abluções (ritos de purificação) matinais às margens de um rio sagrado, enquanto cantam os mantras. O poema épico Mahābhārata exalta o japa (canto ritualístico) como o maior dever durante o Kali Yuga (que os hindus acreditam ser a era presente), e muitos adoptam o japa como sua prática espiritual primordial.
Os mantras também oferecem coragem em momentos difíceis e são utilizados para a obtenção de auxílio ou para 'invocar' a força espiritual interior. O mais representativo de todos os mantras Hindu é o famoso Gayatri Mantra: Om bhūrbhuvasvah | tat savitūrvareṇyam | bhargo devasya dhīmahi | dhiyo yo naha pracodayāt. Significa: "Om! Terra, Universo, Galáxias (invocação aos três mundos). Que nós alcancemos a excelente glória de Savitr, o Deus. Que ele estimule os nossos pensamentos/meditações." As verdades fundamentais do hinduísmo são melhores compreendidas na frase dos Upaniṣad, Tat Twam Asi (Assim És Tu): Aum Asato ma sad gamaya, tamaso ma jyotir gamaya, mrityor ma aamritaam gamaya "Om Conduza-me da ignorância para a verdade, das trevas para a luz, da morte para a imortalidade."





A peregrinação não é obrigatória no hinduísmo, embora muitos de seus seguidores as realizem. Os hindus reconhecem diversas cidades sagradas na Índia, incluindo Allahabad, Haridwar, Varanasi e Vrindavan e o hinduísmo apresenta diversos festivais ao longo do ano. Estes festivais tipicamente celebram eventos da mitologia hindu, coincidem muitas vezes com as mudanças de estação e são uma boa ocasião para as peregrinações.

Ocasiõesespeciais como nascimentos, casamentos e mortes envolvem o que são frequentemente conjuntos elaborados de costumes religiosos. Por exemplo para a maior parte das pessoas na Índia, o noivado de um casal e a data e hora exactas do casamento são questões decididas pelos pais, em consultas com astrólogos... Vou falar um pouco mais disto quando falar do Sri Lanka...

Por falar em astrólogos, Varanasi é famosa pelos seus imensos astrólogos, alguns deles segundo consta passam temporadas a meditar nos Himalaias... De qualquer forma não recomendo, por ser católica e ter aprendido que nunca vem nada de bem deste tipo de consultas em parte porque o que ouvimos pode influenciar-nos e acabar por minar as nossas vidas. Quem me conhece sabe que eu não gosto de ser influenciável... Sou um mau feitio do pior! eheh (aliás dizem que eu sou tenho um mau feitio com bom feitio ehehe). Na verdade não estou curiosa pelo futuro e não quero nada ansiosamente e a qualquer preço... quem me conhece bem sabe isso, deixo muito a vida acontecer... Bem, mas na verdade há uma coisa que quero ansiosamente que é conseguir tratar de tudo o que tenho em mãos neste momento da minha vida para conseguir ter uma vida mais calma eheh... mas isto só  para poder desfrutar mais do presente...mas nem isso quero a qualquer preço... No fundo acho é que há coisas que não vale a pena tentar controlar.. é como aquela oração americana que ocasionalmente ouvimos em filmes e é: "God, grant me the serenity to accept the things I cannot change, Courage to change the things I can, And wisdom to know the difference." Traduzindo, significa: Deus dê-me a serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar, a coragem para mudar aquelas que posso, e a sabedoria para saber distingui-las... acho esta oração brutal, e tem muito a ver com a minha filosofia de vida... Uma coisa engraçada é que descobri neste instante na internet que se chama oração da serenidade, o que me fez lembrar um amigo Pedro A. que me disse por várias vezes quando olhava para mim via serenidade... curioso!






O hinduísmo possui um sistema desenvolvido de Simbolismo e iconografia para representar o sagrado na arte, arquitectura, literatura e culto. Estes símbolos ganham seu significado das escrituras, mitologia ou tradições culturais.

A sílaba Om (que representa o Parabrahman, o espírito ou essência universal) O OM é o símbolo sagrados dos hindus, de um modo muito semelhante como uma cruz representa o cristianismo. é comporto de três fonemas sânscritos: aa, au, e ma, os quais combinados dão o som de OM. Este símbolo, sendo o mais importante do Hinduísmo,aparece em todas as orações e invocações. O OM é o símbolo do Brahman supremo, origem, meio e fim de todas as coisas. Todos os templos hindus possuem um OM bem como os locais de peregrinação, as casas das famílias hindus. O OM é o símbolo da sílaba sagrada que representa o Brahman ou o absoluto, a origem de toda a existência. Brahman, em si mesmo, é incompreensível para mente mundana, então o seu símbolo torna-se uma grande ajuda para que os hindus possam materializar o “incognoscível”. É curioso que a silaba “om” apareça em muitas palavras de origem latina, que dão sentido para a totalidade, como em omnisciente, omnipotente, omnipresente. De modo semelhante a letra latina “m", a letra grega “omega”, e a palavra “amem”, utilizada por judeus e cristãos, concluem com o significado amplo de OM.

A Suástica (que simboliza auspiciosidade), é um símbolo de grande significado religioso para os hindus. Suástica não se trata de uma sílaba ou letra, mas um caracter pictórico. Este símbolo é a representação de Mitra ou Surya Deva, e em muitas celebrações religiosas. Simboliza a natureza eterna de Brahman, e o facto de apontar para todas as direcções representa a omnisciência do Absoluto. A expressão “suástica” crê-se originar da fusão de duas palavras encontradas no sânscrito, “su” (bom), e “asati” (existir), as quais combinadas significam “que o bem prevaleça”. Os historiadores dizem que o suástica deve representar a real estrutura e que nos tempos antigos, os fortes eram construídos nesta forma tendo em vista razões defensivas. Devido ao seu poder de protecção tornou-se santificado.

Para os hindus os Chakra (são canais dentro do corpo humano (nadis) por onde circula a energia vital (prana) que nutre órgãos e sistema, os chakras são os pontos onde essas rotas energéticas estão mais próximos da superfície do corpo e consoante as linhas são 32, 114 ou 88.000  embora todas concorde que há 7 principais), a veena (instrumento de cordas indiano que utiliza duas caixas de ressonância, normalmente feitas de cabaça)…



O Lótus, uma flor santa para os Hindus, é o símbolo da verdadeira alma individual. A flor representa o ser, o qual vive em águas turvas, e apesar disso floresce de modo impoluto. Simboliza também a pureza e beleza, pois apesar de ser uma flor que brota das águas lamacentas é linda, mostrando que a beleza pode emergir nas circunstâncias mais difíceis e obscuras. Na mitologia, o lótus é o símbolo da criação, uma vez que o Brahma, o criador do universo, surgiu de um lótus que brotou do umbigo de Vishnu (o controlador Supremo). Há uma posição ou Asana, praticada no Yoga, que tem o nome de Lótus. Aquele que se mantém firme como uma flor de lótus, florescendo sem poluir-se e sem se molhar com a água, é considerado um verdadeiro Yogi (praticante de Yoga e práticas espirituais relacionadas... o termo é vulgarmente usado para designar um Sufi ou monge dedicado à meditação).




Os próprios deuses como vimos acima estão cheios de simbolismo assim como os seus veículos ou meios de transporte. Cada uma das deidades possui um veículo, no qual viaja. Este veiculo é representado por um animal, que representa as várias forças que o deus comanda. A deusa Saraswati tem como veiculo o gracioso e lindo pavão,  significando que é a controladora da busca e realização das artes. Vishnu senta-se sobre Garuda, o qual luta com a serpente primordial, o que representa o desejo da consciência na humanidade ( isto faz-vos lembrar algo do antigo testamento?) Shiva monta o búfalo Nandi, o poder cego, e a energia sexual desenfreada numa pessoa, e as qualidades
materiais ou Gunas que apenas Shiva pode nos ajudar a controlar. Sua consorte, Parvati, Dura ou Kali, monta um leão ou tigre, o que simboliza a falta de misericórdia, ira e orgulho. Devi dá o controle sobre os vícios. O veículo de Sri Ganesha é um ratinho, que representa a mente e a timidez e o nervosismo que aparece diante de uma nova aventura, podendo os sentimentos e obstáculos ser vencidos com as bênçãos de Ganesha.


Um outro simbolo que não passa despercebido é a a Tilaka (argila), aquelas pintas na testa... e que identificam um seguidor da fé. A tilaka simboliza o terceiro olho, ou olho da mente, que é associado com muitos deuses hindus e à ideia de meditação e iluminação espiritual. No passado,as tilakas eram geralmente usado pelos deuses, os padres, ascetas, ou adoradores, mas agora é uma prática comum para a maioria dos hindus e pode expressar uma tradição hindu de que se é seguidor. Pode ser feito com pasta de sândalo, cinzas (vibhuti), kumkum, sindhoor, argila, ou outras substâncias. As pastas são aplicados no meio da testa e, em alguns casos no topo da testa.






Outro símbolo que relacionamos com a Índia são as vacas… O respeito pela vaca surge possivelmente graças à cultura largamente pastoral do povo Védico e as subsequentes gerações de hindus que ao longo dos séculos dependiam da vaca para todo o tipo de produtos lácteos, aragem dos campos e fertilizante. O seu estatuto de "cuidadora" espontânea da humanidade cresceu ao ponto de ser identificada como uma figura quase maternal.  Assim, embora a maioria dos hindus não adore a vaca e não haja nada nos vedas que a santifique, esta ainda ocupa um lugar de honra na sociedade hindu.

De resto o princípio de Ahimsa,  rejeição constante da violência e no respeito absoluto de toda forma de vida, é um conceito que apareceu nos Upaniṣad e levou ao desenvolvimento do vegetarianismo numa tentativa de respeitar formas de vida, restringindo a sua dieta a frutos e vegetais, em especial aqueles que não morram no consumo. Cerca de 30% da população hindu actual é vegetariana e embora o vegetarianismo não seja um dogma, é recomendado como um estilo de vida sátvico (purificador).

Com a força no vegetarianismo (que é habitualmente seguido em dias religiosos ou ocasiões especiais até por hindus comedores de carne) e a visão sagrada da vaca, não admira que a maior parte das cidades santas e áreas na Índia tenham uma proibição sobre a venda de produtos de carne e haja um movimento entre os Hindus para banir a matança de vacas não só em regiões específicas como em toda a Índia.






Há muitos outros símbolos, alguns já referi acima quando falei das Pujas...

Uma característica da Índia que de certa forma está ligada à religião é o Sistema de Castas (jatis) indiano descreve um sistema de estratificação social e subsequentes regras e restrições, em que as classes são definidas por grupos endogâmicos (em que cada integrante só pode casar-se com pessoas do seu próprio grupo).


A origem do sistema de castas não é certa. Segundo o hinduísmo, vem de Brahma, a divindade criadora do universo, mas na prática parece ser proveniente já da divisão entre os migrantes arianos (subgrupo dos indo-europeus que povoou a Península da Índia por volta de 1600 a.C., vindos do norte, da região do irão) e os nativos (dasya), que se tornaram escravos.  Os vedas apesar de referirem o sistema não lhe dão muito relevo e há quem diga que defendem acima de tudo a igualdade. A relação do sistema de castas com o hinduísmo, refere-se à divisão das castas em função dos quatro filhos/partes de Brahma, relaciona-se também com o facto do karma determinar a casta onde se nasce e com o facto de só poderem ser sacerdotes individuos que pertencem a uma das castas, a dos Brahmanes.

Segundo esta teoria Brahman teve quatro filhos que encarnavam as quatro castas hereditárias: Brahmanes cabeça (estudiosos, professores, sacerdotes) Kshatriyas braços (guerreiros, reis, administradores) Vaishyas pernas (agricultores, comerciantes) Shudras pés (servos, artesãos, operários). Com o passar do tempo, ocorreram centenas de subdivisões, que não param de se multiplicar.

Todos os outros que não subscreviam as normas desta sociedade hindu, incluindo estrangeiros, e tribos eram chamados de Mlechhas e aqueles que tinham sido excomungados eram chamados de "Anaryas" (não-arianos) ou Pariahs, e eram tratados como contagiosos e intocáveis.





Apesar de tudo o que foi falado acima,  acerca desta cultura e religião, o hinduísmo é um sistema diversificado de pensamento, com crenças diversas no seu seio, que abrangem desde o monoteísmo (um deus único), politeísmo (vários deuses), panenteísmo (o universo está contido em deus ou nos deuses), panteísmo (o universo e deus são coincidentes, são o mesmo), monismo (unidade da realidade e de deus como um todo) ao ateísmo (não-crença em deus ou deuses), e o seu conceito de Deus é complexo, e está vinculado a cada uma das suas tradições e filosofias.

Dos seis darshanas ou divisões históricas originais, apenas duas escolas, a vedanta e a yoga, sobrevivem. As principais divisões do hinduísmo hoje em dia são o vishnuísmo (Vishnu), o shivaísmo (Shiva), o smartismo (Brahman) e shaktismo (Shakti). A imensa maioria dos hindus actualmente podem ser categorizados sob um destes quatro grupos, embora ainda existam outros, cujas denominações e filiações variam imensamente. Duas das principais diferenças são entre: As escolas não-dualistas, segundo as quais a ātman  (alma) não pode ser distinguida de Brahman, o espírito supremo e para as quais a meta da vida de cada individuo, é chegar à conclusão que a sua ātman é idêntica a Brahman, a alma suprema, estabelecendo-se uma identidade com Brahman e atingindo-se assim a moksha "libertação”; e as Escolas dualístas que vêem Brahman como um ser supremo que possui personalidade. A ātman é dependente de Deus, pois a moksha depende do amor a Deus e da graça de Deus e após o individuo atingir o moksha, espera passar a eternidade num loka (céu) na companhia de sua forma escolhida de Ishvara "deus ou ideal escolhido".  Diz-se que os primeiros querem tornar-se açúcar e os segundos querem  provar o açúcar.






Apesar de achar interessante entender outras culturas e religiões, enquanto católica, tenho noção de que certas filosofias podem afastar-nos de Deus e do bom caminho, seja por nos convencermos que estamos nas mãos do destino, seja por acharmos que nos podemos substituir a Deus e que não precisamos das suas graças, etc. Assim, recomendo critério e cautela...

Bem espero que estas longas linhas tenham sido interessantes para a nossa compreensão da Índia e continuemos a nossa visita por Varanasi...

As ruas da cidade, estreitas, sinuosas e labirínticas... e sujas... estão ladeados por lojas de rua e dezenas de templos hindus.

As principais áreas residenciais de Varanasi (especialmente para as classes média e alta) estão situadas em regiões distantes dos ghats, são mais espaçosas e menos poluídas.





Mais uma vez, vê-se de tudo nas ruas da cidade....






Varanasi tem várias pequenas indústrias artesanais que produzem saris de seda, tapetes tecidos à mão, e artesanato. Durante o tempo de Gautama Buddha (nascido por volta de 567 aC), Varanasi foi a capital do Reino de Kashi. O célebre viajante chinês, Xuanzang, atestou que a cidade era um centro de actividades religiosas, educacionais e artísticas, e que se estendia por cerca de 5 km ao longo da margem ocidental do rio Ganges. Varanasi tornou-se um reino independente de Kashi, no século XVIII mas manteve-se um centro comercial e religioso mesmo sob o domínio britânico.





Varanasi tem uma taxa bastante elevada de trabalho infantil, dada a natureza desorganizada de indústrias de pequena escala.






Varanasi é uma cidade de templos... Quase todas as estradas têm um templo próximo. Esses pequenos templos formam a base de orações diárias locais e outros rituais. Mas há outros grandes templos, construídos em diferentes épocas ao longo da história de Varanasi.

O Kashi Vishwanath, também chamado de Templo Dourado, nos arredores do rio Ganges é um lugar de grande importância religiosa para os hindus. É um santuário onde o Shiva é adorado na forma de um Jyotirlingam ou "lingam de luz". Há apenas doze santuários tradicionais Jyotirlinga na Índia. Acredita-se que Shiva se manifesta como um Jyotirlinga na noite da Nakshatra Aridra (com referência à estrela Alpha Orionis com a sua cor alaranjada e que fica visível no inverno no hemisfério norte). Acredita-se que uma pessoa depois de atingir um nível mais elevado de realização espiritual pode ver esses lingas como colunas de fogo que perfuram a terra.

Outro templo a visitar é o Durga Mandir ou “templo dos macacos”. Durga, a invencível, é considerada um avatar de Pavarti (a consorte de Shiva) na forma de caçadora de demónios. Durga é descrita como um aspecto guerreiro de Parvati com 10 braços, que cavalga sobre um leão ou um tigre, carrega armas e assume mudras (gestos simbólicos com a mão). Esta forma da Deusa representa também a encarnação do feminino e da energia criativa.

O Templo de Bharat Mata, ou Mãe Índia é a personificação nacional da Índia como uma deusa mãe. Ela é geralmente representada como uma mulher vestida com um sari laranja ou açafrão (também uma cor simbólica para o hinduismo é a cor de Agni ou fogo, e representa o poder supremo, também significa renúncia ao material e daí as roupas dos monges serem desta cor), segurando uma bandeira, e algumas vezes acompanhada por um leão. Está localizado no campus da Universidade de Mahatma Gandhi. A coisa mais peculiar sobre o Templo Bharat Mata é que ao invés dos deuses e deusas habitual, abriga um mapa em relevo da Índia, esculpido em mármore. Como a concepção de Bharat Mata antecede a divisão da Índia, ela é concebida como representando a "Aryavarta", não se restringindo à República secular da Índia, por isso Bharat Mata continua a ser um símbolo da visão "de um pátria unificada ". A representação da Índia como uma deusa hindu implica que não é apenas o patriotismo mas também o dever religioso de todos os hindus para participarem da luta nacionalista para defender a nação. O lema Bharat Mata ki Jai "Vitória da Mãe Índia" é usado por várias organizações hindus e pelo exército
indiano.


Templo Kalbhairav é o antigo templo de Varanasi, perto do Posto Sede, VishesharGanj. O deus KalBhairav é acreditado como "Kotwal de Varanasi"-  sem a sua permissão, ninguém pode ficar em Kashi.





O Novo Templo Vishwanath, chamado de Birla Mandir, foi construído como uma réplica do antigo Templo Kashi Vishwanath. O templo faz parte da Universidade de Hindu de Benares, e simbolisa o renascimento nacional.

É suposto dizer-se umas palavras ao ouvido de Nandi (penso que era Nandi) depois de o circular por 3 vezes (acho). Ele levaria a mensagem aos céus...





Varanasi tem 3 Universidades Públicas: A Benares Hindu University com os seus 5,5 km2, foi fundada em 1916. A universidade inclui Instituto de Tecnologia e Instituto de Ciências Médicas e está entre as três maiores universidades residenciais do mundo; A Sampurnanand, Universidade de Sânscrito; e A Mahatma Gandhi que segue os princípios da doutrina de Gandhi. E tem outras universidades privadas de gestão, tecnologia, desporto, dança e música, etc.

Desde os tempos antigos as pessoas têm vindo a Varanasi para aprender filosofia, sânscrito, astrologia, ciências sociais e ensinamentos religiosos, etc. Na tradição da Índia, Varanasi é frequentemente chamado de Sarva Vidya Ki Rajdhani (capital de conhecimento).





A Benares Gharana é uma forma de música clássica indiana desenvolvida em Varanasi, onde muitos proeminentes filósofos, poetas, escritores e músicos residiram. Todas as noites são organizados concertos musicais que atraem apreciadores de todo o mundo.

Foi interessante, mas estava com uma expectativa maior...






O Ramnagar Fort e seu museu são o repositório da história dos reis de Benares e desde o século XVIII têm sido o lar de Kashi Naresh. Ainda hoje o Naresh Kashi é profundamente reverenciada pelo povo de Benares. Ele é o chefe religioso e o povo de Benares que o considera como uma encarnação de Shiva. Ele também é o principal patrono cultural e uma parte essencial de todas as celebrações religiosas.





Como já tinha referido acima, por esta altura estava determinada a documentar algumas das comidas que experimentava... Aqui vão mais umas...

Por ordem de leitura, ie da esquerda para direita e cima para baixo…


Pappadam também conhecido como papad no norte da Índia é uma espécie de pão tostado muito fino e crocante. Às vezes é descrito como pão sírio. É normalmente servido como acompanhamento de uma refeição na Índia. Também é consumido como um aperitivo ou um lanche e pode ser comido com diversas coberturas, como cebola, chutney e outros condimentos. Em algumas partes da Índia, é servido como o último item em uma refeição. Os menores podem ser comidos como um aperitivo e os maiores podem ser usados para fazer wraps.

Paratha पराठा é um pão indiano plano que deriva das palavras Parat e Atta que significam, literalmente - camadas de farinha cozida. É um dos mais populares pães não fermentados na culinária indiana e paquistanesa e é feita de farinha de trigo integral numa frigideira. A massa da paratha geralmente contém ghee ou óleo de cozinha que são também colocados nas camadas. As parathas são normalmente recheadas com legumes, como batata cozida, legumes de folha, rabanetes ou couve-flor e / ou paneer (queijo). A paratha pode ser comida apenas com uma gota de manteiga na parte superior ou chutney, mas é melhor se servida com pickles e iogurte, ou com caril de carne e legumes. A paratha pode ser redonda, heptagonal, quadrada ou triangular. No primeiro caso, o recheio é colocado nas camadas da massa, nos três últimos, a é achatada em círculo, o recheio é mantido no meio e o pão é fechado em torno do recheio, como um envelope. Assemelha-se ao Chapati चपाती que é um pão plano não fermentado (também conhecido como roti). É feito de uma massa de farinha trigo integral "atta" e água e não leva qualquer recheio. Algumas pessoas adicionam sal e / ou óleo à massa. As pequenas porções da massa são esticadas em discos com um rolo e a massa laminada é colocada na frigideira seca pré-aquecida e é assada de ambos os lados. Muitas vezes, o chapati é barrado com manteiga ou ghee. Os pedaços de chapati são normalmente usados como uma colher numa espécie de cone solto para comer os pratos mais líquidos de uma refeição como dal. Os tamanhos dos Chapati (diâmetro e espessura) variam de região para região e de cozinha para cozinha. E também pode ser confundido com o Naan नान é uma das mais populares variedades de pães indianos. Originalmente, naan é um termo genérico para vários pães planos de diferentes partes do mundo. O nome deriva do persa, uma palavra genérica para o pão. Distingue-se do Chapati por ser cozinhado num tandoor, forno de barro.

Rava Dosa é uma espécie de crepe (dosa) não fermentado do Sul da Índia, feito com com rava (semolina) A mistura é espalhada sobre uma panela quente e é aquecida até que fique crocante. Então é retirado e recheado ou servido com chutney.


Chole bhature छोले भटूरे é uma combinação de Chole (grão de-bico picante) e pães fritos bhatoora (feitos de farinha maida uma espécie de farinha de trigo). O Grão é servido num achar que é uma pasta de picles indiana. É normalmente comido num pequeno-almoço pesado que geralmente é acompanhado de lassi.







Upma é um prato do sul da Índia feita de Rava (uma espécie de semolina). O nome é uma combinação de duas palavras em tamil: uppu "sal" e maa "farinha. É geralmente feito com farinha de grãos de trigo refinados (rava). Podem adicionar-se vegetais e também pode ser decorada com feijão (cru ou brotados), castanha de caju e amendoim. A Upma é um prato de pequeno-almoço do sul da Índia.


Raitha रायता é um condimento indiano baseado em iogurte (dahi) temperado com coentro, cominho, hortelã, pimenta e outras ervas e especiarias e é usado como um molho ou pasta. É elaborado fritando o tempero juntamente com mostarda preta (rai) e adicionando o iogurte. Vegetais crus ou frutos, como pepino, cebola ou cenoura, abacaxi, mamão podem ser misturados ao iogurte. O gengibre, a pasta de alho cru, pasta de pimentão verde ou pasta de mostarda, por vezes, são usadas para enriquecer o sabor. Uma variedade popular da raitha do norte da Índia é raitha boondi: com pequenos pedaços de farinha de grão-de-bico, que pode ter um sabor salgado ou tikha (picante). A mistura é servida gelada. A raita pode “arrefecer” o paladar ao comer pratos quentes da Índia. A raitha também é comida com kebabs (cubos de carne grelhados servidos no pão ou não ou em espetadas).


Paneer Pakora, Pakora पकोड़ा é um petisco frito feito de vegetais tais com, berinjela, batata, espinafre, couve-flor, tomate, pimentão misturados numa massa de farinha de grão. Neste caso é servido como um pão receheado de Paneer पनीर que é uma espécie de queijo fresco indiano que é feito por coagulação do leite aquecido com sumo de limão ou outro ácido como o vinagre. A coalhada é drenada em musselina ou gaze e o excesso de água é pressionado para fora. O paneer resultante é mergulhado em água gelada por 2-3 horas para lhe dar  uma boa textura e aparência e é depois batido ou amassado à mão até ter uma consistência de massa. Ao contrário da maioria dos queijos do mundo, a realização de paneer não envolve o coalho como agente de coagulação, tornando assim completamente lacto-vegetariana fornecendo uma fonte de proteína para os hindus vegetarianos.


Shahi ou Kadai Paneer, já não sei bem o que era… Basicamente é um molho feito à base de tomate e vegetais com paneer que como acabei de referir é um queijo fresco, comum no sul da culinária asiática. 






Em seguida temos um prato com Vadas que são uma espécie de donuts ou discos feitos de uma massa de farinha de grão-de-bico, purê ou batatas em cubos e lentilhas, temperada com sementes de mostarda preta, cebola, folhas de caril, que são, por vezes, previamente refogados, e sal, pimentões e grãos de pimenta preta. Muitas vezes o tempero também leva gengibre e bicarbonato de sódio. Geralmente são acompanhadas com chutney de coco e sambar neste caso são servidas num molho de vegetais.


Bhajia é uma espécie de Pakora पकोड़ा é um petisco frito feito de vegetais tais com, berinjela, batata, espinafre, couve-flor, tomate, pimentão misturados numa massa de farinha de grão. Nos estados do sul da Índia, são conhecidos como bhajia. Nesses estados designam uma mistura de cebola finamente cortada de pimento verde e temperos misturados na farinha de grão. Esta massa é dividida em pequenas bolas e frita óleo quente e frito. Estas pakoras são crocantes por fora e mais macias por dentro. Ao que entendi a grande diferença entre as duas são os ingredientes que se adicionam.



Não faço a menor ideia do que eram os dois últimos pratos, não encontro nas minhas notas… acho que aquilo que parecem batatas fritas é paneer pelo que deverá ser um Saag Paneer (paneer com espinafres), o segundo penso que é uma mistura de vegetais mas já não sei de todo…

No geral não houve nada do que comi que não gostasse... eu gosto de comida com sabores intensos... e lá me fui habituando ao picante e a defender-me com o Lassi...






Sonf as sementes de erva-doce torradas são consumidas em muitas partes do Paquistão e da Índia, como Mukhwas, após as refeições como digestivos e refrescantes do hálito. Mukhwas podem ser feitos de várias sementes como funcho ou erva-doce, anis gergelim e coco. São doces e altamente aromáticas, devido à adição de açúcar e adição de vários óleos essenciais, incluindo o óleo de hortelã-pimenta. As sementes podem ser salgadas ou doces revestidos em açúcar e coloridas. A palavra é uma junção de duas palavras distintas, mukh “boca” e vas “cheiro”.


Biryani são pratos feitos à base de arroz cozido ou frito (normalmente basmati) servido com carne, peixe, ovos ou legumes. Normalmente é bastante picante. O nome é derivado da palavra persa beryā بریان que significa "frito" ou "torrado".


Kulfi é uma sobremesa gelada à base de leite popular da Índia e do Paquistão, que é muitas vezes descrita como "gelado tradicional hindu" embora seja mais denso que o gelado habitual. Um sabor muito típico é o de pistácio.

Custard é feito de uma mistura cozida de leite ou creme de leite e gema de ovo. Dependendo de como o ovo é usado, o creme pode variar em consistência dependendo desde um molho fino, a um creme de confeiteiro grosso usado para preencher éclairs. Os cremes mais comuns são utilizados como molhos doces e sobremesas e geralmente incluem açúcar, baunilha e amêndoas. É muito comum em inglaterra, talvez daí a sua origem... Num hotel em que estive com os Ruis no Sri Lanka comia custard em pratos de sopa... eu sou mesmo gulosa e o custard lá era divinal! ehehe






Bem mas já mais refastelados (ou então a sonharem com o primeiro restaurante indiano que haja no caminho... ahah), continuemos a nossa viagem... Vamos viajar agora pelo Budismo...

Estou mais uma vez a trocar as voltas à viagem, desta vez porque faz mais sentido começar a história por Bodhgaya, mas a verdade é que visitei primeiro Sarnath. Aliás fui a Sarnath e a Bodgaya com a Ness e o Eduard que são budistas e me deram algumas prespectivas interessantes... e eles sim são a serenidade em pessoa! Sabem como é aquelas pessoas que conhecemos num minuto e já sentimos que são como família? Foi o que senti com eles! Mas sigamos então para a próxima paragem...


23. BODHGAYA बोधगया (Bihar e Jharkhand)

Antes de ir para a Índia tinha feito uma lista dos sítios onde gostava de ir. Não tive tempo para grandes pesquisas mas decidi desde o início que Varanasi era um deles pelo aspecto cultural... Quanto a Bodhgaya, nunca tinha ouvido falar e tenho ideia de que foi por acaso que descobri este local, onde ainda existia a árvore onde Buddha tinha alcançado a iluminação... achei interessante e estava perto de Varanasi e coloquei-o nos meus planos desde muito cedo...

Como disse em cima, a Ness e o Eduard, sendo budistas também planeavam ir a Bodhgaya e assim sendo combinámos ir juntos... Fomos de comboio e depois disso apanhámos um autoriquexó ou um táxi, não me recordo, para a cidade... ainda é um pouco longe mas a paisagem é bonita...




Para os budistas, Bodhgaya é dos locais de peregrinação mais importantes  relacionados com a vida de Gautama Buddha. Bodhgaya é o local onde Gautama Buddha alcançou a iluminação enquanto meditava debaixo de uma árvore...

O Templo de Mahabodhi assinala o local.




Emquanto vos mostro umas fotografias do templo vou contando a história de Budhda.

Sidharta Gautama nasceu por volta do ano 536 aC, há cerca de 2.500 anos, e era o filho único do grande rei Sudodana, de Kapilavastu. Logo após o seu nascimento, um astrólogo visitou o pai do jovem príncipe e profetizou que Siddhartha se iria tornar um grande rei e que renunciaria ao mundo material para se tornar um homem santo, se ele, por ventura algum dia visse a vida fora das paredes do palácio. O rei Suddhodana que estava determinado a ver o seu filho tornar-se rei, impediu-o durante anos de sair do palácio.







Contudo aos 29 anos, apesar dos esforços de seu pai, Siddhartha conseguiu aventurar-se, por diversas vezes, para fora do palácio. E numa série de encontros soube do sofrimento das pessoas comuns, ao encontrar um homem velho, um outro doente, um cadáver e, finalmente um ascético sadhu (já falei acima, é o mesmo que um yogi ou é alguém que só se dedica a alcançar a libertação e renúnciou por isso à vida material), aparentemente contente e em paz com o mundo. Essas experiências levaram Gautama, eventualmente, a abandonar a vida material e partir em busca de uma vida espiritual.




Nos seis anos seguintes, percorreu todo o país procurando mestres e ensinamentos através dos quais pudesse resolver os muitos problemas da vida. Primeiro, foi aos brâmanes e tentou, com sua filosofia, resolver os problemas humanos. Depois estudou com um grupo de ascetas, adoptando a sua vida severa e contemplativa. Quase morreu de fome ao longo do processo e depois de aceitar leite e arroz de uma menina, pensou em tudo aquilo e decidiu mudar sua abordagem.

Rui, isto faz-te lembrar algum livro? eheh Já não me recordo do título mas na altura questionámo-nos sobre se a história seria uma maneira indirecta de contar a história de Buddha... Parece que era mesmo...




Bem mas continuando Gautama concluiu que as práticas ascéticas extremas, como o jejum prolongado, respiração sem pressa e a exposição à dor lhe tinham trazido poucos benefícios espirituais e abandonou o ascetismo, concentrando-se na meditação anapanasati, através da qual descobriu o que hoje os budistas chamam de caminho do meio: um caminho que não passa pela entrega total à luxúria e pelos prazeres sensuais, mas que também não passa pelas práticas de mortificação do corpo - isto é um caminho de moderação e harmonia, sem cair em extremos.




Quando tinha 35 anos de idade, Siddhartha, depois de banhar-se nas águas do Nairanjana, sentou-se sob uma árvore localizada em Bodhgaya, e meditou, e ali, depois de três dias e três noites de meditação e após aqueles anos de observação e experiência, finalmente descobriu a verdade, alcançou a iluminação e chamou a si mesmo de Buddha.


A Árvore Bodhi existente actualmente no local foi plantada a partir da árvore Sri Maha Bodhi no Sri Lanka, que por sua vez já era "filha" da árvore Bodhi original.


Conta a lenda que a mulher do imperador Ashoka destruiu a árvore Bodhi original por inveja do tempo que imperador passava junto à árvore, outras histórias dizem que a árvore foi destruída no século VII. Seja como for o certo é que a árvore original foi destruída e as que existem actualmente são suas "filhas" que foram plantadas a partir de um ramo da árvore original, que no século III ac, a filha do Imperador Ashoka Sanghamitta levou para o Sri Lankaonde foi plantada em Anuradhapura pelo rei e que originou a árvore sagrada que hoje ainda lá existe. Tanto esta árvore de Bodhi de Bodhgaya como a árvore de Bodhi que existe em Sarnath foram plantadas a partir de um corte dessa árvore Sri Maha Bodhi que veio de Anuradhapura, no Sri Lanka.






Em seguida, depois de alcançar a iluminação, Buddha, passou sete semanas em sete diferentes locais próximos meditando e considerando sua experiência.

Depois das sete semanas, viajou para Sarnath, onde começou a ensinar o budismo. Mas vamos deixar Sarnath para a nossa próxima paragem... e vamos ver os locais onde Budha passou essas sete semanas e que agora estão assinalados no complexo do templo ao mesmo tempo que falo um pouco mais de Buddha.




Buddha viveu até os 80 anos e, assim, durante quarenta e cinco anos, ensinou o caminho de vida que ele próprio encontrara. Foi um filósofo, psicólogo e líder espiritual prático e realista.




Foi o primeiro a negar o sistema de castas, dizendo que um homem deve ser julgado por suas qualidades e não pelo seu nascimento. Foi contra os rituais religiosos complexos daqueles dias; aboliu os conceitos antropomórficos e não acreditava na ideia dualística de um eu ou alma independente, enquanto entidade separada. Explicou que todas as coisas estão relacionadas umas às outras pela Lei de Causa e Efeito.





Sempre enfatizou que não era um deus, nem uma divindade, era um homem que encontrou e viveu a verdade e que a capacidade de se tornar um buddha pertencia a qualquer ser humano.




Depois da sua morte, os discípulos de Siddhartha Gautama começaram a visitar o local onde ele alcançou a iluminação durante a lua cheia no mês de Vaisakh (Abril-Maio), conforme o calendário hindu.




Ao longo do tempo, o lugar ficou sendo conhecido como Bodhgaya, o dia da iluminação de Buddha como o Purnima, e a árvore como a Árvore Bodhi.




Acredita-se que 250 anos depois da iluminação de Buddha, o Imperador Asoka visitou Bodhgaya e fundou o templo Mahabodhi original. Com o declínio do budismo na Índia, o templo foi abandonado e esquecido, enterrado sob camadas de solo e areia. O templo foi restaurado mais tarde por Sir Alexander Cunningham como parte de seu trabalho para a Sociedade Britânica de Arqueologia no final do século XIX.






Actualmente, vários templos e mosteiros budistas foram construídos em Bodhgaya, pelo povo do Butão, China, Japão, Myanmar, Nepal, Sikkim, Sri Lanka, Taiwan, Tailândia, Tibet e Vietnam, numa ampla área ao redor do templo. Esses templos reflectem o estilo arquitectónico, decoração interior e exterior dos respectivos países. É interessante depois de correr a ásia e ter visto templos de todas as formas e feitios, poder, num só local, comparar facilmente as diferenças e características próprias de cada país...

Este era um Templo Budista Indiano... não se podia passar porque o chão à volta estava alagado...






O Templo Tailandês tem um típico telhado curvado coberto com telhas de ouro. No interior, o templo tem uma estátua de bronze maciço e espectacular de Buda. Próximo ao templo tailandês há uma estátua últimos 25 metros do Buda, localizado dentro de um jardim que existe há mais de 100 anos.




A estátua de Buda no Templo Chinês tem 200 anos e uns bons metros e foi trazida da China. Muito giro...



O Templo do Japão... não deixa dúvidas... por momentos parecia que estava de volta a Kioto... eeheh




O Templo do Butão, pareceu-me um misto dos templos tailandeses, por fora e dos tibetanos por dentro...




Os templos Tibetanos... que também já conhecemos bem... eheh



O interior é bem semelhante aos do tibete... o exterior não achei assim tão parecido... 


Este sim mais tibetano por dentro e por fora...





O do Sri Lanka... sinceramente não identifiquei com nada que tivesse visto mas é verdade que não visitei assim muitos templos no Sri Lanka...





O Vietnamita... que também não identifiquei muito, mas mais uma vez não visitei assim muitos templos no Vietnam... para a próxima estarei seguramente mais atenta...





Mais uma vez aqui vem uma lista de comidas que experimentei...

Puri पूरी é um pão preparado com massa de trigo frito em ghee (manteiga) ou óleo vegetal. Com a fritura o pão incha ficando com o aspecto da fotografia. É consumido ao pequeno-almoço ou como um lanche ou uma refeição leve. Pode ser servido com diversos acompanhamentos como dhal, aloo (batata) masala (mistura de especiarias) etc.





Idli ಇಡ್ಲಿ é um bolo salgado originário do sul da Índia mas popular em toda o país. Com dois a três centímetros de diâmetro são feitos por uma massa cozida a vapor de arroz e lentilhas pretas descascadas e fermentadas. Pensa-se que tenham chegado à India da Indonésia. Na maioria das vezes são comidos ao pequeno almoço ou lanche. São normalmente servidos em pares com chutney, sambar, ou outros acompanhamentos. Misturas de especiarias trituradas, tais como Milagai Podi (pimenta, lentilhas e sementes de sésamo), são o condimento preferido para idlis de “take away”.






Como troquei a ordem da viagem por esta altura estava a despedir-me da Ness e do Eduard e caminho mais uma vez de Delhi... mas como troquei a ordem ao texto para coincidir com a vida de Buddha, seguimos agora para Sarnath...


Durante a viagem entre Delhi e Varanasi, ia na minha carruagem uma rapariga que me aconselhou Sarnath, aliás ela até me deu a entender que gostava bem mais de Sarnath que de Bodghaya, Sarnath não fazia parte dos meus planos mas fiquei com a mensagem... Depois quando a Ness e o Eduard me disseram que iam a Sarnath e me desafiaram a ir com eles ponderei atrasar os meus planos um dia e acabei por ir com eles...


24. SARNATH (Uttar Pradesh)

Sarnath fica relativamente perto de Varanasi, a apenas 13 km a nordeste, e fomos de carro com um guia.

Sarnath é o local onde Sidartha Gautama, Buddha, ensinou pela primeira vez o dharma ( os ensinamentos que permitem atingir a iluminação).  É um dos quatro lugares de peregrinação que os seguidores de Buda devem visitar. Os outros três são: Bodhgaya (onde Buddha obteve a iluminação), Lumbini no Nepal (onde nasceu), Kushinagar (onde morreu). Curioso que mesmo sem saber já estava a ir a 2 deles... mais do que muitos budistas se calhar puderam fazer...


Mas voltando à história de Buddha: Sete semanas após alcançar a iluminação, Buddha viajou para Sarnath para se juntar a cinco antigos companheiros que sabia serem capazes de entender os seus ensinamentos. O sermão de Buddha deu aos cinco monges foi o seu primeiro sermão, chamado Sutta Dhammacakkappavattana, no Parque dos Veados.

Sarnath, deriva de Saranganath que significa "O Senhor dos Veados", e refere-se a uma velha história budista em um Bodhisattva na forma de um veado oferece a sua vida a um rei em vez de um outro animal que o último está planear matar. O rei fica tão emocionado que cria o parque como um santuário para os veados. O parque ainda está lá hoje. Existem vários outros nomes para este local, uns relacionados com o facto de existir ali o parque de veados, outros relacionados com histórias da vida de Buddha...








Buddha passou a primeira temporada de chuvas em Sarnath pregando vários outros Suttas (ensinamentos) e foi fundada a Sangha, a comunidade dos mais esclarecidos. Quando a Sangha que estava a crescer atingiu os 60 monges, e Buddha enviou-os em todas as direcções para ensinarem o Dharma. Todos estes 60 monges foram Arahants - alguém que atingiu o total despertar e alcançando o Nirvana. Tal como Buddha, são pessoas que destruiram a ganância, o ódio e a ilusão - as raízes doentias que fundamentam todas as prisões que nos prendem ao ciclo do Samsara. 



Mesmo depois da morte de Buddha houve uma grande comunidade de monges em Sarnath e o budismo floresceu, em parte por causa de reis e mercadores ricos baseados em Varanasi. Há relatos da altura que referem haver 3.000 monges a viver em Sarnath.

Durante o reinado do Imperador Asoka, a religião consolidou-se. O imperador ordenou a construção de hospedarias para os peregrinos e que fosse proporcionado tratamento médico aos humanos, mas também aos animais. Aboliu a tortura e provavelmente a pena de morte. A caça, desporto tradicional dos reis, foi substituída pela peregrinação a locais budistas. Asoka pretendeu também divulgar o budismo pelo mundo e foram enviados emissários com destino à Síria, Egipto e Macedónia (embora não se saiba se chegaram aos seus destinos) e para o oriente.

Após este império houve outros impérios e imperadores uns perseguiram o budismo, outros favoreceram-no. A partir do século XII, o budismo entrou num declínio definitivo, na Índia, devido a vários factores como o revivalismo hindu, contudo continuou a existir e ainda está bem presente.


Em Sarnath existe um Parque Arqueológico onde podemos ver as ruinas de alguns mosteiros originais. A maioria dos antigos edifícios e estruturas em Sarnath foram danificadas ou destruídas pelos turcos. No entanto, entre as ruínas ainda se podem ver alguns marcos importantes.

O local é muito bonito, aliás confirmo aquilo que me tinham dito que Sarnath é muito mais bonito e tranquilo que Bodhgaya...





 No parque arqueológico há uma estrutura que se desdtaca, a Stupa Dhamek, com uns impressionantes 128 metros de altura e 93 metros de diâmetro. Já falei muito de Stupas no Nepal ou no Tibete, por isso não me vou alongar nesse assunto...





Outra Stupa, a Stupa Dharmarajika é uma das poucas stupas pré-Ashoka (imperador responsável pela construção de inúmeras Stupas de que falei no Nepal) contudo apenas permanecem as bases. O resto da Stupa Dharmarajika foi removido para Varanasi para ser usado como material de construção, no século XVIII, ao mesmo tempo as relíquias encontradas foram atiradas ao Ganges...




A Stupa Chaukhandi comemora o lugar onde o Buda reuniu seus primeiros discípulos, e remonta ao século V.






O parque, volto a dizer, é delicioso e acho que nunca vi um conjunto de ruínas puras num complexo que parece um autêntico jardim... a sensação é diferente de Hampi porque toda a Hampi é um jardim e não se destaca tanto a diferença, aqui este parque parece mesmo um bonito jardim no meio da cidade...

Outro marco arqueológico importante do complexo é a base do pilar Ashoka em Sarnath, que se partiu durante as invasões turco islâmicas, e que tinha no seu topo uma escultura chamada "Lion Capital of Ashoka", que milagrosamente sobreviveu uma queda de 15 metros. Esta foi a escultura cuja imagem foi adoptada como o brasão de armas da Índia e de onde foi retirada a imagem da roda que está no centro da bandeira indiana.







Uma história: Ao viajar para Sarnath, Buda Gautama teve que atravessar o Ganges. Não tendo dinheiro para pagar o barqueiro, ele atravessou o rio Ganges pelo ar. Quando o Rei ouviu isso, ele aboliu a portagem para ascetas...



Um certo número de países em que o budismo é uma grande (ou dominante) religião, entre eles a Tailândia, Japão, Tibete, Sri Lanka e Mianmar, estabeleceram Templos e Mosteiros em Sarnath, no estilo que é típico para o respectivo país. Assim,  também em Sarnath, os peregrinos e os visitantes têm a oportunidade visitar os templos do seu país e de experimentar uma visão geral da arquitectura budista de várias culturas.






O Templo Mulagandhakuti Vihara está no lugar onde o Buddha passou sua primeira estação chuvosa. É um mosteiro construído em 1930 pela Sociedade Mahabodhi do Sri Lanka, tem bonitas pinturas de parede. É um lugar a não perder em Sarnath.





Aqui é onde se encontra a outra Árvore Bodhi que existe na Índia, e que foi plantada a partir de um corte da árvore Sri Maha Bodhi que veio de Anuradhapura, no Sri Lanka. que por sua vez é filha da árvore original e de qual vos falei em Bodhgaya.


Aqui ao contrário de Bodhgaya, podemos circular e tocar na árvore e deixar oferendas.







Perto da árvore existe uma espécie de coreto onde podemos ver a figura de Buddha e dos seus primeiros cinco discípulos e ao lado existem umas grandes placas com o seu discurs. Neste momento todas as figuras tinham manos amarelos mas conforme as ocasiões, possivelmente as mais festivas, estes mantos podem ser diferentes. Uma coisa é certa eu por acaso também estava de amarelo... digamos que sem saber também vinha pronta para aprender... ehehe

Mas falemos um pouco do Budismo esta viagem foi uma excelente oportunidade para começar a entender melhor esta religião... afinal o contacto melhor que tinha tido era com o Budismo Tibetano... e agora tinha a possibilidade de entender desde as suas origens! Mas comecemos com o teor destes primeiros ensinamentos dados por Buddha neste local - o sermão do Parque dos Veados de que falei acima... 

O teor daquele primeiro sermão, que surgiu a partir das suas próprias observações e experiências na vida neste mundo, foram as célebres Quatro Nobres Verdades e a Senda Óctupla, que constituem o alicerce dos ensinamentos budistas.






As Quatro Nobres Verdades são:



1. O reconhecimento do sofrimento ou a natureza do sofrimento (Dukkha). Que a vida envolve sempre algum sofrimento e/ou mal-estar é um facto, e foi exactamente esta afirmação – de que todos os seres estão sujeitos ao sofrimento, a primeira das Quatro Nobres Verdades afirmadas por Buddha. Não era uma teorização ou especulação, mas sim um facto da vida. Nascimento é sofrimento, envelhecimento é sofrimento, enfermidade é sofrimento, morte é sofrimento; tristeza, lamentação, dor, angústia e desespero são sofrimentos; a união com aquilo que é desprazeroso é sofrimento; a separação daquilo que é prazeroso é sofrimento; não obter o que queremos é sofrimento.



2. A causa do sofrimento ou origem do sofrimento (Samudaya): por ignorância identificamo-nos com o nosso corpo, percepção, sensações e reacções e criamos apegos a coisas ou fenómenos que consideramos causadores da felicidade o que resulta em desejo e ganância por umas coisas e a aversão por outras que achamos causam infelicidade, isto causa grande insatisfação com a vida pois tudo o que se deseja é impermanente, transitório, mudando, e perece causando decepção e tristeza  ao mesmo tempo que a aversão por coisas também elas impermanentes causa um mal estar desnecessário. O problema, a causa, a solução e a aplicação, todas estão dentro da própria pessoa, não fora.


3. Superar ou transcender as causas do sofrimento (Nirodha). É através da eliminação total da ignorância (ilusão), e consequente eliminação do apego aos desejos e à ganância que se alcança um estado de suprema bem-aventurança ou nirvana, onde todos os sofrimentos são extintos. A ignorância é a causa de todos os problemas e sofrimentos. A ignorância sobre nós mesmos é a maior de todas as ignorâncias. O primeiro ensinamento de Buddha na busca do caminho foi: antes de tudo, conhecer a si mesmo (como Sócrates fez). Segundo o budismo um ser vivo é uma composição de cinco agregados (khandhas), que são: a forma física (rupa), os sentimentos ou sensações (vedana), a percepção (sanna), as formações mentais (sankhara), e a consciência (viññana), nenhum dos quais pode ou deve ser confundido ou identificado como um eu próprio. Buddha também enfatizou a singularidade e a importância do indivíduo e “seja você mesmo” é um ensinamento importante do budismo, porém, o budismo defende que não nos devemos apegar ao conceito de um eu imutável mas sim ao conceito de Anatta (não-eu). Na linguagem quotidiana, fala-se em "alma" e "eu" nos meios budistas mas sempre com o entendimento de que nós somos interdependentes com outros, em vez de personalidades independentes imutáveis. Segundo o conceito de Anatta, na morte, o corpo e a mente desintegram-se, mas se a mente desfeita contiver quaisquer resíduos kármicos, causa uma continuidade de consciência que se reflecte numa mente nascente em outro ser (e.g. um feto em desenvolvimento) para que esses resíduos sejam ultrapassados noutra vida (daí a explicação das diferentes condições e circunstâncias de vida de cada um de nós). Portanto, o ensinamento budista é que os seres renascidos não são completamente distintos nem completamente iguais a seus antecessores, há continuidade entre vidas mas apenas de tendências e processos mentais que renascem. “Somente quando me vejo verdadeiramente, sinto em mim a presença de Buddha Gautama. Sua vida é a minha vida; minha vida é a vida de todos. Toda a vida é uma. Esta é a vida de Buddha Gautama.”. (Texto Anónimo).


4. O caminho para superar a causa do sofrimento (Magga). Este caminho é a Senda Óctupla ensinada por Buddha. Ao viverrm a Senda Óctupla, os budistas podem superar as causas dos problemas e do sofrimento. Aqueles que aceitam este Nobre Caminho como um estilo de vida viverão em perfeita paz, livres de desejos egoístas, rancor e crueldade. Estarão plenos do espírito de abnegação e bondade amorosa.





O Nobre Caminho Óctuplo consiste na:

1. Compreensão correcta: Conhecer as quatro nobres verdades de maneira a entender as coisas como elas realmente são, e com isso gerar uma motivação de se querer libertar do sofrimento e de ajudar os outros seres a fazerem o mesmo.



2. Intenção correcta. Compromisso com a ética e auto-desenvolvimento. Desenvolver as nobres qualidades da renúncia, boa vontade e compaixão.



3. Palavra correcta. Abster-se de mentir, falar em vão, usar palavras ásperas ou caluniosas, e ao invés disso, falar a verdade, ter uma fala construtiva, harmoniosa, conciliadora.



4. Acção correcta. Promover a vida ou abster-se de matar, roubar ou ter conduta sexual indevida, (ie que prejudique os outros), e praticar a generosidade e não causar o sofrimento.



5. Meio de vida correcto. Olhar os outros com amor, compaixão, alegria e equanimidade, que são as quatro qualidades incomensuráveis, a primeira compaixão, é o desejo que os seres realizem sua natureza interna e se livrem de suas complicações. Essencialmente é o desejo que o outro supere suas dificuldades e possa melhorar. Compaixão é diferente de "pena", quando temos pena, estamos a validar a imagem que a pessoa faz de si mesma, e justamente por isso ela está errada, compaixão é reconhecer no outro a sua natureza estável, perfeita, de luz, sua condição verdadeira, quebrando o encanto dos jogos que estão a produzir as complicações. A segunda, o amor, é o desejo que o outro seja feliz, completamente. Seja quem for o outro amigos ou inimigos. Depois a alegria, é a capacidade de se alegrar com as alegrias e vitórias dos outros, pequenas ou grandes. É um poderoso antídoto contra a inveja. Buddha ensinou também os meios de produzir felicidade nas relações humanas: casamento, namoro, filhos, trabalho, estudo. Em primeiro lugar, ao invés de pensar "o quê vou obter do outro", pensar "o que posso oferecer". Alegrar-se em oferecer! Se estamos na dependência do comportamento do outro para obter felicidade, eventualmente pode até funcionar, mas quando surgir a impermanência e o outro flutuar, entramos em crise. O Dalai Lama brinca, "que tipo de amor é o de vocês, aquele que só existe se o outro sorrir?" Esse tipo de amor está baseado em quanto estamos a receber e, por isso, é frágil. Finalmente a equanimidade: perceber as flutuações das alegrias e tristezas da vida; num momento temos uma grande alegria, noutro aquilo mesmo torna-se uma grande tristeza. Desse entendimento surge uma serenidade estável frente a essas flutuações e uma fé permanente, inabalável na natureza de todos os Buddhas, que é a nossa própria natureza. Meio de vida correcto também significa praticar no dia-a-dia o que os budistas chamam os seis paramitas que são: geqerosidade/caridade - que incluindo todas as formas de doar e compartilhar o dharma; ética/moralidade - eliminando todas as paixões maléficas através da prática dos preceitos de não matar, não roubar, não ter conduta sexual inadequada, não mentir, não usar tóxicos, não usar palavras ásperas ou caluniosas, não cobiçar, não praticar o ódio nem ter visões incorrectas; paz/paciência - praticando a abstenção para prevenir o surgimento de raiva por causa de actos cometidos por pessoas ignorantes; esforço/perseverança - desenvolvendo esforço vigoroso e persistente na prática do dharma; concentração/meditação - reduzindo a confusão da mente e leva à paz, à felicidade; sabedoria - desenvolvendo o poder de discernir realidade e verdade. No que diz respeito à ocupação correcta ie trabalho, significa o trabalho enquanto dedicação de uma vida. Muitas pessoas acham que o trabalho é apenas um meio de ganhar a vida e escolhem um emprego por causa do salário, do prestígio ou porque é fácil. Porém, ocupação correcta significa a própria vida. Todo trabalho é nobre e correcto se for o trabalho da vida de uma pessoa. A vida de dedicação é a ocupação correcta, e a ocupação não-correcta traz contínuos problemas e sofrimentos para nós mesmos e para os outros.



6. Esforço correcto. Sem esforço, que é em si um acto da vontade, nada pode ser alcançado. A energia mental é a força por trás do esforço correcto, e essa mesma energia que também alimenta o desejo, a inveja, a agressão e a violência deve ser dirigida para a auto-disciplina, honestidade, benevolência e bondade. Esforço correcto é detalhado em quatro tipos: i. evitar o surgimento de estados prejudiciais inexistentes, ii. abandonar os estados prejudiciais existentes iii. despertar estados benéficos não alcançados e iv. manter e aperfeiçoar estados benéficos já alcançados.



7. Consciência correcta. É a capacidade mental de ver as coisas como elas são, com a consciência clara. Normalmente, o processo cognitivo começa com uma impressão induzida pela percepção, ou por um pensamento, mas depois não se fica pela simples impressão. Geralmente conceptualizamos as impressões sensoriais e pensamentos imediatamente. Nós interpretamo-los e relacionamo-los com outros pensamentos e experiências, que, naturalmente, também já foram além do factual da impressão original. A mente, então cria conceitos, junta conceito e tece as construções mentais em complexos esquemas interpretativos. Tudo isto acontece em grande parte de uma forma imediata e inconsciente, e como resultado nós frequentemente vemos as coisas de uma forma interpretada (relaciono isto com as teorias da PNL - programação neurolinguística). Por outro lado, a consciência correcta está ancorada numa percepção clara e penetra nas impressões sem se deixar levar. A consciência correcta permite-nos estarmos cientes do processo de conceptualização de ideias e conceitos, de forma a que nós activamente observamos e controlamos o caminho que os pensamentos seguem. Buda definiu quatro fundamentos da consciência plena: i. contemplação do corpo, ii. contemplação dos sentimentos (repulsa, atracção, ou neutros), iii. contemplação do estado de espírito, e iv. contemplação dos fenómenos.



8. Concentração correcta. Refere-se ao desenvolvimento de uma força mental que permite num estado de consciência natural a concentração em pensamentos e acções saudáveis. O método budista de eleição para desenvolver a concentração correcta é a meditação. Ao meditar, a mente treina-se para fixar-se num objecto seleccionado e à medida que vai mantendo a concentração está a fortalece-la, permitindo intensificar cada vez mais a capacidade de concentração, como uma ginástica mental. Através desta prática torna-se natural ter níveis de concentração elevados mesmo em situações quotidianas.



Note-se que o sentido do “correcto”, conforme usado ao longo da Senda Óctupla, não se trata de certo em oposição a errado, numa óptica moralista estanque, é o correcto no sentido de “a verdade” que pode ser diferente conforme as diferentes situações, condições e épocas.

Quem me conhece bem sabe que eu adoro todas estas temáticas, gosto de refletir e entender sobre a natureza humana, conseguir teorizar aquilo que parece não ser teorizável, descobrir regras e padrões e de certa forma tirar conclusões que nos ensinam a viver melhor connosco e com os outros... Sinto que ao longo da minha vida aprendi imenso e que tenho, claro, muito caminho para andar, e achei muito interessante ver nestas conclusões que Buddha tirou há mais de 2500 anos, muitas coisas que já tinha descoberto e muitas outras que fizeram muito sentido... Senti que há coisas de que se começa a falar como que eu e a sociedade actual estivessemos a descobrir "a pólvora"... Religiões à parte, se mergulharmos na essência das diversas filosofias que originaram as diversas religiões e em particular nesta, penso que vamos descobrir que andamos todos à "procura da pólvora" (para quem não saiba esta expressão significa que andamos a inventar o que já foi descoberto há muito tempo, algo que não é de todo novo...). Podem interpretar-me mal mas a sensação que eu tenho é que somos (o Homem e a sociedade) tão evoluidos, temos tanto conhecimento, tanta capacidade para chegar à verdade e parece que andamos cegos... Por exemplo, ainda no outro dia se falava na nova constelação do zodiaco como se fosse algo de novo... há séculos atrás que se conhece essa constelação! Será que andamos todos loucos? ehehe





Este Caminho Óctuplo pode ser apresentado em três grupos:


1. Agregado da sabedoria (prajna): é a sabedoria que purifica a mente, permitindo-lhe atingir uma visão espiritual da natureza de todas as coisas. Engloba: 1. dṛṣṭi (ditthi): ver a realidade como ela é, não apenas como parece ser; 2. saṃkalpa (sankappa): a intenção de renúncia, de liberdade e inocuidade.



2. Agregado da virtude (sila): é a ética ou moral, a abstenção de actos nocivos. Engloba: 3. vāc (vaca): falar de uma maneira verdadeira e não-ofensiva; 4. karman (kammanta): agir de uma maneira não-prejudicial; 5. ājīvana (ājīva): o modo de vida deve seguir os preceitos citados anteriormente.



3. Agregado da concentração (samadhi): é a disciplina mental necessária para desenvolver o domínio sobre a própria mente. Isso é feito através de práticas, incluindo, a meditação. Engloba: vyāyāma (vāyāma): fazer um esforço para melhorar; 7.smṛti (sati): a consciência de ver as coisas como elas estão com a consciência clara, consciente da realidade presente dentro de si mesmo, sem qualquer desejo ou aversão; 8. samādhi (samādhi): meditação correcta ou concentração.



O Caminho Óctuplo é simbolizado pela Roda da Lei, que é o símbolo internacional do budismo. Os oito raios da roda representam os oito caminhos da vida, que estão em movimento porque a vida é dinâmica. Os oito raios partem do ponto central, que simboliza a verdade, e são circundados pelo aro ou borda, representando a sabedoria e a compaixão.






Todos os ensinamentos de Buddha apontam para o imediato, a espontaneidade, o desapego, a não-dualidade e a unidade da vida. O ensinamento de Buddha não é teologia nem metafísica. Buddha não especulava sobre o incognoscível, tal como um insondável começo ou fim. Não há começo nem fim na eternidade. Ele não conceituou a eternidade. Para os budistas a eternidade é o agora. O momento Presente inclui o passado eterno e o eterno futuro. Este é o eterno-presente. Buddha estava interessado no presente. Existem muitos problemas urgentes e prementes exactamente aqui e agora na nossa vida. Resolver os problemas presentes é também resolver os problemas passados e futuros.


Os budistas devem receber refúgio na Jóia Tríplice, como um comprometimento com a prática dos ensinamentos do Buda. A Jóia Tríplice consiste no Buddha, no Dharma (ensinamentos) e na Sangha (comunidade). Budistas laicos podem também fazer voto de praticar cinco preceitos em suas vidas diárias. Os Cinco Preceitos são: não matar, não roubar, não ter conduta sexual inadequada, não mentir e não se intoxicar. O preceito de não matar aplica-se principalmente a seres humanos mas de acordo com alguns deve ser estendido a todos os seres sencientes.



Muitos budistas montam um altar num canto tranquilo das suas casas para a recitação de mantras e fazerem a meditação diária. O uso de imagens budistas não deve ser visto como idolatria, mas como simbologia. Enfatiza-se o fato de que essas imagens em templos ou altares domésticos servem apenas para nos lembrar a todo momento das respectivas qualidades daquele que representam, o Iluminado, que ensinou o caminho da libertação.





No seu percurso, ao longo dos séculos, o budismo suscitou desvios e criaram-se diversas Escolas, das quais algumas vieram a se extinguir. A principal divisão actualmente existente é entre Theravada, Mahayana e Vajrayana (em algumas classificações, aparece como subcategoria de Mahayana). Todas aceitam Buddha como o mestre, aceitam o Dharma (as quatro nobre verdades e caminho óctuplo) e todas rejeitam a ideia de que existe um ser supremo criador que dirige o mundo, defendem que o homem é o único responsável pelo seu próprio destino.


Quanto às diferenças:

A escola Theravada "A Escola dos Anciãos", é a escola que mais fiel ao pensamento budista original preservado mais de dois mil anos e que se restringe ao que foi ensinado pelo próprio Buddha, foca-se no alcance da própria iluminação e de certa forma está mais enquadrado com a vida monástica e ascética, estando o estado de Buddha ao alcance apenas dos mais esforçados. Para esta escola, para a qual o conceito de "ser uma lâmpada para si próprio" tem significado maior, a sangha (comunidade religiosa) é vista como um instrumento prático, mas não necessariamente útil, na busca da plenitude religiosa. Não dão muita importância a rituais e mantras nem ao vegetarianismo. Apenas aceitam Gautama Buddha (Sakyamuni), os Buddhas do passado e o bodhisattva Maitreya (Buddha do futuro é designado o renovador do budismo, o próximo Buddha, que reiniciará o actual ciclo iniciado por Siddhartha Gautama).Está bastante difundida nas regiões do Sri Lanka e sudeste da Ásia.

A Mahayana "O Grande Veículo", surge como uma adaptação mais recente do budismo à realidade actual o que lhe proporcionou um grande número de seguidores, defende que o estado de Buddha está ao alcance de todos e que todo e qualquer ser humano pode entrar em comunhão total com a perfeição que há na natureza, tem como maior objectivo a libertação de todos os seres humanos, sendo conhecida pela preocupação com o próximo. Defendem práticas como: a perfeição da generosidade, ética, paciência, esforço jubiloso, concentração e sabedoria. Dão mais importância à comunidade religiosa, cuja finalidade é prover os membros individuais com encorajamento e apoio mútuo ao longo de suas jornadas espirituais. Têm mais rituais, mais mantras, defendem o vegetarianismo e dão grande foco ao que se passa com a alma durante a morte e no estado entre mortes. Além de Gautama Budhha (Sakyamuni), aceitam outros Buddhas como Amitabha e o Buddha da Medicina e também aceitam vários bodhisattvas, seres que fizeram o voto de livrarem todos os seres sencientes do sofrimento, não só nesta vida, mas para todas as vidas futuras até que esse objectivo seja alcançado. É a mais popular das escolas pelas suas características mais sincréticas e adaptadas à vida actual e ocidental e é encontrada em toda a Ásia Oriental, inclui as tradições e escolas Terra Pura (mais focada na devoção ao Buddha da Iluminação), e Zen (mais focada nas práticas meditativas).


A Vajrayana, cujo nome significa “Veículo do Diamante”, também é conhecida como Tantrayana (Veículo do Tantra) e Mantrayana (Veículo do Mantra), surge a partir do budismo Mahayana, sendo a principal diferença do Mayahana a utilização de práticas tântricas, que são técnicas profundas para alcançar rapidamente o estado de Buddha. O objectivo aqui é a rapidez "quanto mais rapidamente eu alcançar o estado de Buddha, o mais cedo que eu posso ser um benefício máximo para os outros". As técnicas podem envolver fazer retiros específicos, a recitação diária de mantras ou uma prática de meditação diária. Muito difundida no Tibete, Nepal, Butão, Mongólia e norte da Índia, possui diversas subdivisões, entre elas o budismo tibetano.





A meditação é praticada pelos budistas para obter um estado interior de concentração e cultivar sabedoria, de forma a alcançar a purificação da mente e a libertação. É uma actividade de consciência mental. A felicidade que obtemos do ambiente físico que nos envolve não nos satisfaz verdadeiramente nem nos liberta de nossos problemas. A dependência de coisas impermanentes e apego à felicidade do tipo "arco-íris" produz somente ilusão, seguida de pesar e desapontamento. Segundo o Budismo, existe felicidade verdadeira e duradoura e todos temos o potencial de experimentá-la. A verdadeira felicidade jaz nas profundezas de nossa mente, e os meios para acedermos a ela, podem ser praticados por qualquer um. “Se compararmos a mente ao oceano, pensamentos e sentimentos tais como alegria, irritação, fantasia e tédio poderiam ser comparados a ondas que se levantam e voltam a cair na sua superfície. Assim como as ondas se acalmam para revelar a quietude nas profundidades do oceano, também é possível acalmar a turbulência de nossas mentes e revelar pureza e claridade naturais.” A meditação é um meio de alcançar isso.
As nossas ilusões, incluindo ciúmes, raiva, desejo e orgulho, originam-se da má compreensão ou interpretação da realidade e do apego habitual à nossa maneira de ver as coisas. Através da meditação, podemos reconhecer os nossos erros e ajustar a nossa mente para pensar e reagir de maneira mais realista e honesta. Esta transformação mental acontece gradualmente e liberta-nos dos logros instintivos e habituais, permitindo-nos adquirir familiaridade com a verdade. Podemos, então, finalmente, libertar-nos de problemas como a insatisfação, raiva e ansiedade... Finalmente, compreendendo a maneira como as coisas de facto funcionam, é-nos possível eliminar completamente a própria fonte de todos os estados mentais incómodos. 

Assim, meditação não significa simplesmente sentar-se numa determinada postura ou respirar de uma determinada maneira; estes são apenas recursos para a concentração e o alcance de um estado de mente estável. Apesar de diferentes técnicas de meditação serem praticadas em diferentes culturas, todas elas partilham o princípio comum de cultivar a mente, de forma a não permitir que uma mente destreinada controle nosso comportamento.

Os meus amigos Ness e Ed que são budistas falaram-me um pouco sobre a meditação, concluindo: não é fácil parar a mente... só com treino, esforço e dedicação...



Como sou católica, apesar de achar algumas destas teorias muito bonitas, acredito que só com a graça de Deus conseguimos alcançar o que seja neste mundo. Assim estas religiões ou filosofias que de certa forma nos fazem acreditar que por nós podemos chegar onde seja são perigosas. Contudo talvez sejam um meio de moralizar os que não acreditam em nada e que são completamente alérgicos à fé Católica.



Agora, apesar de nesta viagem virtual vos levar directamente para Delhi, na verdade de Sarnath, voltámos a Varanasi e no outro dia seguimos para Bodhgaya onde, ai sim, me separei da Ness e do Eduard (grande beijinho, adorei conhecer-vos, muito obrigada pela companhia e por me falarem destes cursos!) e segui para Delhi.

25. NOVA DELHI (Delhi)

Nova Delhi, conhecida localmente como Dilli दिल्ली é a oitava maior metrópole do mundo com uma população de cerca 12 milhões de habitantes. A etimologia de "Delhi" é incerta, mas dizem que deriva de Dhillu, um rei da dinastia Maurya, que construiu a cidade em 50 ac. É a capital da Índia e do seu centro político e cultural.


Os inícios do país deram-se na chamada época védica ao longo da qual diversas dinastias regentes proporcionaram a expansão de diversas religiões na Índia, como o hinduísmo o budismo e o jainismo. Mas um século depois da morte do profeta Mahomé o islão começou as suas incursões na Índia constituindo alguns sultanatos na região como foi o caso do sultanato de Delhi em inícios de 1200. Após a ascensão deste sultanato, e apesar da governação das diversas dinastias ter estado sujeita a muitas comoções (o poder em Delhi frequentemente conseguia-se através da violência e 16 dos 35 sultãos regentes nessa época foram assassinados), Delhi surgiu como uma cidade importante. A presença muçulmana permitiu o desenvolvimento do comércio e o intercâmbio cultural, bem como a propagação da religião islâmica e a construção de diversas cidades e fortes que ainda subsistem. Foi durante esta altura e devido à incapacidade muçulmana de assegurar o domínio de todas as regiões que surgem ou se desenvolvem outras dinastias e impérios nas regiões mais a sul como o império Vijayanagara e a Dinastia Maratha, entre outros, ficando o território indiano dividido por diversas regências. Em 1398, o conquistador Mughal Timur Lenk, invadiu Delhi, sob o pretexto de os sultões muçulmanos serem demasiado indulgentes para com seus súbditos hindus. A cidade foi saqueada, destruída e deixada em ruínas e 100.000 cativos foram massacrados. Em 1526, outro Mughal, Zahiruddin Babur, derrotou o sultão e fundou o Império Mughal, que veio a governar Delhi, Agra e Lahore. Em 1639, o imperador Shahjahan constrói uma nova cidade murada em Delhi, que serviu como a capital do Império Mughal desde 1649.

Na sequência dos interesses comerciais europeus os portugueses, ingleses e holandeses tinham-se estabelecido na Índia com as suas companhias de comércio que tinham como missão capturar o comércio das especiarias. Mas os ingleses não ficam por aqui e mais tarde em 1803, as forças da British East India Company invadiram Delhi e acabaram com o domínio Mughal sobre a cidade. Durante os séc. XVIII e XIV a companhia ganhou o controle de grande parte dos territórios e estabeleceu a sua capital primeiro em Calcutá e mais tarde em 1911 em Delhi. Na década de 20 uma nova capital, Nova Delhi, foi construída a sul da antiga cidade.

Quando a Índia, que tinha passado a ser uma colónia britânica, se tornou independente do domínio britânico em 1947, Nova Delhi foi declarada a sua capital e a sede do governo e assim tem sido até aos dias de hoje. Como tal, Nova Delhi abriga os escritórios do governo federal, incluindo o Parlamento da Índia, bem como vários museus e monumentos nacionais.

Nova Delhi tem crescido e é hoje em dia uma sociedade multicultural e uma metrópole cosmopolita. O seu rápido desenvolvimento e urbanização, juntamente com o rendimento médio relativamente elevado da sua população, transformou a cidade num grande centro cultural, político e comercial da Índia.

Delhi é uma cidade que se descobre, à primeira vista aparece-nos como uma cidade indiana típica mas com uma série de bairros bonitos, ocidentalizados, mas depois à medida que se começa a visitar ganha muito encanto...

Devido à sua longa e rica história, podem encontrar-se na cidade muitos monumentos importantes, a Pesquisa Arqueológica da Índia reconhece 1.200 edifícios históricos e 175 monumentos como património nacional.


Comecemos por Old Delhi (cidade antiga) é o local onde os Mughals, com as suas influências, persas, turcas e mongóis, construíram várias maravilhas arquitectónicas como o Red Fort.


O Red Fort, लाल क़िला é um grande exemplo da arquitectura indiana. Um viajante do século XVII chegou a se referir a ele como uma maravilha superior às prometidas no paraíso. Também não sei se é preciso exagerar... eheh mas até o entendo...






Foi construído no século XVII, na época de Shah Jahan, o construtor do Taj Mahal de que já vos falei. Após a morte da sua mulher, o rei decidiu transferir a capital do reino de lugar, até então sediada em Agra. Não poupou esforços nem recursos na tarefa de criar a cidade real.





Palácios adornados de ouro, prata e pedras preciosas, ladeados por jardins das mil e uma noites, ganharam vida a partir dos desenhos dos arquitectos reais.






Apesar das riquezas e parte da construção, não terem resistido aos saques e à deterioração (como um trono em formato de pavão, cravejado de pedras preciosas que levou sete anos para ser feito e foi roubado e levado para a Pérsia em 1739), o muito que restou ainda permite vislumbrar a opulência daqueles tempos remotos.






Ao todo 11 palácios (mahals) ocupavam seu interior. O destaque eram os salões para audiências, onde o imperador recebia oficiais e embaixadores estrangeiros. Num deles, uma inscrição não deixa dúvidas sobre a opinião de Shan Jahan: "Se há um paraíso na Terra, é este!".






É tudo muito bonito, dá vontade mesmo de viajar no tempo e ver tudo a quilo com toda a vida de outros tempos...




O Red Fort, que faz parte do Património Mundial da UNESCO, foi o local de onde o primeiro-ministro da Índia, um discurso à nação no Dia da Independência.






À saída do Red Fort passei por algumas coisas curiosas... e perigosas... acho que meter o "pé na poça" em Delhi deve ser um perigo...




Outro local obrigatório em Old Delhi é a Masjid-i Jahan-Numa, vulgarmente conhecida como Jama Masjid, a principal e maior mesquita da Índia, encomendada pelo imperador Mughal Shah Jahan, e concluída no ano 1656.





Apesar do hinduísmo ser a religião de 81% da população de Nova Delhi, existem também grandes comunidades de muçulmanos cerca de 10%, sikhs 4%, Baha'i 3,%, jainistas 1,1% e cristãos 0,9%. Outras minorias incluem os parses, budistas e judeus.


As regras e regulamentos são de rir, até dava para questionar se aquilo seria mesmo verdade, já não me lembro bem dos pormenores, mas o guarda estava muito zangado com um turista que não queria pagar, acho...





Old Delhi contém outros legados de seu rico passado Mughal, como os emaranhados da cidade velha e dos seus serpenteados de vielas e bazares. Os Mercados sujos da Cidade Velha têm uma gama ecléctica, manga, limão berinjela e picles, doces, poções de ervas, jóias de prata, vestidos de noiva, roupa, temperos…






Chandni Chowk , uma área comercial de três séculos de idade, é uma das áreas comerciais mais populares em Nova Delhi para saris e jóias aqui pode maravilhar-se com os Zardozi (um bordado feito com fios de ouro) e com o Meenakari (arte de trabalhar em esmalte).





Delhi é o maior centro comercial no norte da Índia. As indústrias de serviços constituem cerca de 70% da riqueza e incluem a tecnologia da informação, telecomunicações, hotéis, bancos, media e turismo. De resto, a produção de bens de consumo, a produção de energia, e a construção e imobiliário constituem parte importante da economia. Nova Delhi é actualmente o sétimo hotspot de escritórios mais caro do mundo. Tal como no resto da Índia, o rápido crescimento do retalho deverá afectar o sistema de comércio tradicional desorganizado.


Outra zona de Delhi obrigatória é Connaught Place कनॉट प्लेस. Oficialmente Rajeev Chowk é um dos maiores centros financeiros e comerciais de Nova Delhi e um dos distritos comerciais mais vibrantes da cidade. Mas com o desenvolvimento também vêm alguns problemas, como a disputa sobre direitos de propriedade, o desenvolvimento anárquico, a construção não autorizada, o congestionamento do tráfego...





A taxa de crescimento populacional, juntamente com alta taxa de crescimento económico resultou numa crescente pressão nas infra-estruturas de transportes da cidade. A fim de solucionar os problemas inerentes iniciou-se a construção de um sistema de transportes eficientes e rápidos, incluindo o metro.


Os Auto-rickshaws são um meio popular de transporte público em Nova Délhi, porque cobram uma tarifa mais baixa do que os táxis e navegam mais facilmente por entre os obstáculos mas para quem quiser um táxi com ar-condicionado, basta pedi-lo por um número central e pagar uma taxa extra por quilómetro.


Delhi foi uma das 10 cidades mais poluídas do mundo na década de 1990. Em 1998, o supremo tribunal ordenou que a frota inteira de autocarros e táxis de Delhi fossem convertidos para usarem gás natural comprimido e a gasolina com chumbo foi proibida. Em 2003, Nova Delhi ganhou o prémio, das United States Department of Energy, "Clean Cities International Partner of the Year” pelas suas ousadas tentativas para reduzir a poluição do ar e apoiar iniciativas de combustíveis alternativos.

Delhi está quase totalmente localizada nas planícies do Ganges e quando chove até podiamos achar que o rio estava a invadir a cidade ahaha

Não imaginam mesmo o que foi, uma vez andarmos perdidos por Delhi no meio de uma enxurrada do pior em que mais parecia que o autoriquexo navegava que outra coisa... apesar de estarmos sem a mínima noção de onde estavamos ou para onde deveriamos ir...iamos ficando quietos porque enquanto estivessemos detro do riquexó estavamos "meio" abrigados... ehehe  O pior era que eu estava esganada de fome porque com a brincadeira estivemos praticamente o dia todo sem comer só com o pequeno-almoço... bem que o Rui ouviu os meus queixumes! Foi de tal maneira que depois de jantar até fiquei mal disposta, eu que como tudo nestes países e não nada me faz fui logo ter uma semi-paragem de digestão depois de jantar um hamburger normalissímo num Hard Rock (ou um restaurante americano do estilo)!.. Culpa do Rui que não me deixou almocar! eheh...





Perto de Connaught Place, encontramos o Gurudwara Bangla Sahib que é a mais proeminente casa de culto sikh, em Nova Delhi que é imediatamente reconhecível pela sua impressionante cúpula dourada e haste Nishan Sahib. A piscina dentro do seu complexo, conhecida como o "Sarovar", à semelhança do Templo Dourado, está cheia de água considerada santa pelos sikhs (Amrit).





O interior do templo... já tinha gostado muito do Templo de Dourado de Amritsar e posso dizer depois deste que fiquei mesmo fã dos templos sikhs e dos sikhs que são uma simpatia...





Já numa zona outra zona da cidade, Central Delhi temos outros lugares para visitar. Aqui a arquitectura da cidade muda completamente de aspecto, as ruas são largas, limpas e agradáveis.


Os edifícios governamentais e as residências oficiais lembram a arquitectura colonial britânica. As estruturas mais importantes incluem o Rajpath (significa caminho do rei e é uma das mais importantes avenidas de Central Delhi), o Rashtrapati Bhavan (residência oficial do presidente), e o Parlamento da Índia.





Por ser o centro político e económico do norte da Índia, a cidade atrai trabalhadores - tanto de "colarinho azul" como de "colarinho branco" - de todas as partes do país, aumentando o seu carácter cultural diverso da cidade. Delhi tem também uma grande população de expatriados, muitos trabalham numa das mais de 160 embaixadas localizadas, na sua maioria, senão a totalidade, num bairro muito agradável da cidade, se não estou a confundir acho que se chamava de Embassy Quarter.

Por falar nisso, eu e o Rui tivemos a oportunidade de estar em solo português em Delhi, quando estivemos na Embaixada de Portugal, e não fosse a simpática recepção e animada conversa com a Deputy Head of Mission, Maria Regina Flor e Almeida., mais valeria mesmo termos vindo mesmo era a Portugal pois o motorista que nos levou perdeu-se e demorámos sensivelmente o mesmo tempo que nos levaria a chegar a Portugal... ahaha (foi o tal da enxurrrada que falei acima naquele dia em que não almocei... ehehe Rui eu não me esqueço! eheheh)

Outras duas pessoas que valeu a pena conhecer em Delhi foram os "contactos" Telmo e Orlando, o Rui tinha averiguado quem da rede estaria em Delhi e ainda pasámos uns bocados animados com eles e com alguns amigos que moram em Delhi e que nos deram uma boa ideia do que é viver na Índia e algumas dicas do que visitar. De resto é sempre bom encontrarmos ou conhecermos compatriotas em especial tão simpáticos como eles! Eu diverti-me imenso numa vez em que combinámos jantar e depois numa vez em que fomos sair à noite. Obrigada!






O India Gate, com os seus 42m de altura, é o monumento nacional da Índia. Situado no coração de Nova Delhi, foi desenhado por Sir Edwin Lutyens. Originalmente conhecido como All India War Memorial, é um marco histórico importante que comemora os 90 mil soldados do exército indiano britânico que perderam a vida sob o comando do império britânico na Índia, na Primeira Guerra Mundial e na Terceira guerra anglo-afegã. Após a independência do país, o Índia Gate tornou-se o local do túmulo do Exército Indiano do Soldado Desconhecido, conhecido como Amar Jawan Jyoti (a chama do soldado imortal). Originalmente existia uma estátua do rei George V sob a copa, mas foi removido e levado para o Coronation Park com outras estátuas.


O complexo do Índia Gate forma um hexágono que abrange cerca de 306000m ² de área com um diâmetro de cerca de 625m. Os bonitos relvados à sua volta, à noite, quando a Porta de Índia é iluminada, reúnem uma multidão de pessoas, incluindo vendedores e famílias em pick-nicks.





Um local a não perder é o Humayun's Tomb, declarado património mundial pela Unesco. Criado em 1560, o Túmulo de Humayun é o mais antigo mausoléu Mughal de Delhi e uma das mais extraordinárias construções históricas da cidade.





Foi a primeira das grandes construções do período Mughal e foi mandado construir pela viúva de Humayun no século XVI em honra do seu marido.






Bonito, não é?





A sua importância arquitectónica-paisagística está na sua concepção que une mausoléus a jardins. Este vria a ser também modelo para o Taj Mahal, em Agra.






Não vale a pena comentar, pois não?






As construções são impressionantes e os jardins muito bonitos.






Um outro sítio de que gostei foi Lodi Gardens लोधी बाग़ que é um parque com 90 hectares (360.000 m2), que contém, algumas obras arquitectónicas do século XV. Como há pouca arquitectura deste período na Índia, Lodi Gardens é um importante local de preservação arquitectónica e o local está agora protegido pelo Archeological Survey of India. Os jardins bonitos e serenos, a não deixar de visitar são o lugar ideal para umas caminhadas.


O túmulo de Mohammed Shah é o mais antigo dos túmulos no jardim. Palavras para quê...





No meio dos jardins encontramos também o Gumbad Bara ("Big Dome"), que não é um túmulo, mas um portal para uma mesquita de três cúpulas, ambos construídos em 1494. Em frente ao Gumbad Bara está o Gumbad Sheesh chamado de cúpula de vidro, devido aos azulejos utilizados na sua construção, e que contém os restos de uma família desconhecida.





Nos séculos posteriores à construção, duas vilas cresceram em torno dos monumentos, mas os moradores foram realocados em 1936 a fim de se criarem os jardins. Inicialmente foi chamado de "Lady Willingdon Park" por ter sido desenhado por Lady Willingdon, casada com o Governador Geral da Índia, Marquês de Willingdon. Após a Independência, foi dado seu nome actual, de Lodi Gardens.





Também há uma residência perto do pátio central, onde se podem ver os restos de um tanque de água. No jardim ainda se destacam a ponte Athpula com os seus 7 arcos, construída durante o reinado do imperador Mughal Akbar, alguns lagos, um jardim de ervas aromáticas (eu tenho uma série delas no jardim e por isso claro que me interessou)…






Também encontramos muitos esquilos e bonitas plantas e paisagens…






Ainda em Central Delhi podemos visitar o Memorial de Mahatma Gandhi. Mohandas Karamchand Gandhi: मोहनदास करमचन्द गान्धी mais conhecido por Mahatma Gandhi, do sânscrito "Mahatma” - A Grande Alma - foi o idealizador e fundador do estado indiano moderno e o maior defensor do Satyagraha como um meio de revolução, depois de Jesus Cristo.

O Satyagraha é princípio da não-agressão como forma não-violenta de protesto que se tornou famosa com Ghandi e inspirou também outros activistas democráticos e anti-racistas como Martin Luther King e Nelson Mandela. Frequentemente Gandhi afirmava a simplicidade de seus valores, derivados da crença tradicional hindu: verdade (satya) e não-violência (ahimsa).






Mas aproveitemos a visita para sabermos um pouco mais soube Ghandi. Nasceu em 1869, o seu pai era um político local, e a mãe era uma devota vaisnava. Como era costume na época, com a idade de 13 anos, a família de Gandhi realizou o seu casamento com Kasturba Gandhi, de 14 anos, através de um acordo entre as respectivas famílias. Depois de um pouco de educação indistinta foi decidido que ele deveria ir para a Inglaterra para estudar Direito.






Quando Gandhi voltou à Índia, em 1891, devido à sua timidez não obteve êxito a exercer sua profissão de advogado. Assim, aproveitou a oportunidade que surgiu de ir para África do Sul, durante um ano como representante num processo judicial de uma firma hindu em KwaZulu-Natal. A sua estada na África do Sul, notório local de discriminação racial, despertou em Gandhi a consciência social. Ao fim desse ano, durante a festa de despedida, de retorno à Índia, Gandhi tomou conhecimento de uma lei que estava a ser proposta para privar os hindus do voto. Os hindus eram também vítimas do racismo. Os amigos dele insistiram para que ficasse e conduzisse a luta pelos direitos dos seus compatriotas na África do Sul. Gandhi ficou e fundou em KwaZulu-Natal o Congresso hindu em 1894. Os seus esforços foram uma vigorosa advertência para a imprensa e começou a ser conhecido como irreverente na luta pela igualdade. Gandhi acabou permanecendo vinte anos na África do Sul defendendo a minoria hindu e liderando a luta pacifica do seu povo pelos seus direitos.





Foi preso por diversas vezes dedicando-se sempre que possível durante esses períodos à leitura. Enquanto na prisão Gandhi travou contacto, por carta, com Leon Tolstoi, um dos seus ídolos. O escritor russo com a sua interpretação literal dos ensinamentos éticos de Jesus era um anarquista cristão fervoroso e um anarco-pacifista. As suas ideias sobre a resistência não-violenta, expressas em obras como "O Reino de Deus está entre vós", tiveram um profundo impacto em figuras em Gandhi e outras figuras como Martin Luther King.  Jr. Leon Tolstoi indicou-lhe também a leitura de Henry David Thoreau mais conhecido pelo seu ensaio "Desobediência Civil" uma defesa da desobediência civil individual como forma de oposição legítima frente a um estado injusto. A obra do pensador anarquista Kropotkin um dos principais pensadores políticos do anarquismo no fim do século XIX, também teve um papel importante no pensamento de Gandhi. Segundo este autor, a  anarquia é uma filosofia política que engloba teorias, métodos e acções que visam a eliminação total de todas as formas de governo compulsório, anarquia significa ausência de coerção e não a ausência de ordem. De um modo geral, os anarquistas são contra qualquer tipo de ordem hierárquica que não seja livremente aceita e, assim, preconizam os tipos de organizações libertárias...






Gandhi muito cedo e cada vez mais começou a compreender as possibilidades infinitas do "amor universal". Gandhi desenvolveu o uso de ahimsa ou não-violência. "A não-violência não consiste em renunciar a toda luta real contra o mal. “A não-violência, tal como eu a concebo, empreende uma campanha mais activa contra o mal (…) Eu levanto, frente ao imoral, uma oposição mental e, por conseguinte, moral. Trato de amolecer a espada do tirano, não a cruzando com um aço mais afiado, mas defraudando sua esperança ao não oferecer resistência física alguma. Ele encontrará em mim uma resistência da alma, que escapará de seu assalto. Essa resistência primeiramente o cegará e em seguida o obrigará a dobrar-se. E o facto de se dobrar não humilhará o agressor, mas o dignificará... ". Interessante, não é?


Os sul-africanos tentaram interromper suas actividades de maneiras sórdidas com subornos, ameaças e até violência física. Gandhi recusou-se a processar os que o haviam espancado, permanecendo firme ao princípio da ego-restrição. Numa ocasião Mahatma Gandhi tinha sido expulso de um compartimento de primeira classe de um comboio, por se recusar a "ceder" o seu lugar a um branco e se mudar para a terceira classe. Apesar disso Gandhi recusou mais tarde tirar proveito de uma greve num caminho-de-ferro dos "brancos". O "perdão é o adorno do valente", explicou Gandhi.

Na mesma linha, Gandhi seguiu o princípio do ódio de preceito, ou seja, ao pecado e não ao pecador e sentiu o dever de apoiar o povo britânico durante a Guerra dos Boers, e apesar de toda a opressão e discriminação, organizou e conduziu um corpo médico hindu para alimentar os feridos no campo de batalha.






Enquanto Gandhi estave na África do Sul, a Índia sofria debaixo do poder colonial britânico. Gandhi sugere que a Índia pode ganhar sua independência por meios não violentos, rejeita a força bruta e sua opressão e declara que a força da alma ou amor que mantém a unidade das pessoas a paz e a harmonia. De volta a Índia em 1915, Gandhi passou a exercer o papel de consciencializador da sociedade hindu e muçulmana, na luta pacífica pela independência indiana, baseada no uso da não-violência ou uso da desobediência civil. Realizou várias viagens ao longo de todo território hindu, com a função de conseguir a conscientização em massa do maior número de pessoas.


Gandhi estava pronto para morar nas ruas sujas com os intocáveis se necessário ajudar os necessitados e as crianças carentes. Ajudou as pessoas que trabalhavam em tecelagens, diante exploração injusta dos proprietários. Reformas foram ganhas por meio da desobediência civil. Jejuou com forma de protesto por diversas vezes, estando quase à morte para encorajar os seus compatriotas a seguirem os princípios que defendia. Gandhi explicou que ele não jejuou para coagir o oponente, mas fortalecer ou reformar esses que o amaram. Defendeu igualdade, a unidade hindu-muçulmano a amizade e a igualdade para as mulheres.

Em 1920 Gandhi iniciou uma campanha de âmbito nacional de não cooperação com o governo britânico. Não apoiava a guerra como meio de alcançar a independência "se um homem é valente, para morrer numa luta contra preconceitos, é ainda bravo para recusar a briga e se recusar render ao usurpador", porém declarou que se a Índia não se tornasse um Estado independente ao final de 1929, então ele exigiria sua independência.






Como isso não aconteceu,  defendeu a política do swadeshi - o boicote a todos os produtos importados, especialmente os produzidos na Inglaterra. Declarou que toda mulher indiana, rica ou pobre, deveria gastar parte do seu dia fabricando o khadi em apoio ao movimento de independência. Esta era uma estratégia para incluir as mulheres no movimento, estava sua proposta de que todos os indianos deveriam vestir o khadi - vestimentas caseiras - ao invés de comprar os produtos têxteis britânicos. Também defendeu que os indianos não comprassem bebidas alcoólicas pois as taxas alimentavam o governo. Ainda defendeu que os camponeses não pagassem os impostos injustos que tinham sido muito aumentados. E também decidiu desobedecer as "Leis do Sal" que proibiram os hindus de fazerem o seu próprio sal, cujo o monopólio britânico golpeava especialmente os pobres. Foi seguido por multidões que deixaram de comprar bebidas alcoólicas, recusaram-se a pagar os impostos injustos e começaram a produzir as suas roupas e o seu sal.





Por esses motivos sua prisão foi decretada diversas vezes pelas autoridades inglesas. Mas sempre que era preso seguiam-se protestos pela sua libertação e colocá-lo tantas vezes na prisão acabava por ser uma forma de multiplicar seus ensinamentos. Os indianos foram repreendidas pelo governo britânico mas no entanto continuavam não violentos.


Nesta altura já estava a ganhar notoriedade internacional pela sua política de desobediência civil e pelo uso do jejum como forma de protesto.

Finalmente, após vários meses, os britânicos cederam, Gandhi foi chamado a uma reunião com o Vice-rei Irwin em 1931, e firmaram um acordo. A desobediência civil foi cancelada; foram libertados os prisioneiros; cancelados os aumentos a fabricação de sal foi permitida na costa e os líderes do Congresso assistiriam à Conferência de Mesa Redonda em Londres. Em transmissão de rádio para os Estados Unidos, Gandhi disse que a força não violenta era um modo mais consistente, humano e digno. Discutindo relações com os britânicos, ele disse que ele não quis somente a independência, mas também a interdependência voluntária baseada no amor.

No memorial existem umas miniaturas que ilustram algumas passagens da vida de Gandhi que são absolutamente espantosas... Eu adoro miniaturas e ainda tenho uma casa de bonecas na minha salinha para provar... eheh por isso sou suspeita...






Gandhi passou cada vez mais a pregar a independência durante a II Guerra Mundial, através de uma campanha que clamava pela saída dos britânicos da Índia: Quit Índia - desistam da Índia - que em pouco tempo se tornou o maior movimento pela independência indiana, ocasionando prisões em massa e violência numa escala inédita. Gandhi e seus partidários deixaram claro que não apoiariam a causa britânica na guerra a não ser que fosse garantida à Índia independência imediata.

Nesta altura defendeu ainda os seus princípios como modos de outros povos oprimidos de lidarem com os seus opressores, nomeadamente os judeus…


Gandhi teve grande influência entre as comunidades hindu e muçulmana da Índia. Jejuou até que os líderes da comunidade assinassem um acordo para manter a paz e advertiu-os de que se rebelassem ele jejuaria até a morte. Costuma-se dizer que ele terminava conflitos apenas com sua presença. Gandhi posicionou-se veementemente contra qualquer plano que dividisse a Índia em dois estados, o que acabou por acontecer, com a criação da Índia - predominantemente hindu e do Paquistão - predominantemente muçulmano.






Na verdade, no dia da transferência de poder, Gandhi não celebrou a independência com o restante da Índia, mas ao contrário, lamentou sozinho a partilha do país em Calcutá.

Gandhi que havia iniciado em Janeiro de 1948 um protesto contra as violênicas cometidas por indianos e paquistaneses, sofre um atentado no dia 20: uma bomba foi lançada em sua direcção, mas ninguém ficou ferido. No dia 30 de Janeiro de 1948, Gandhi foi assassinado a tiros, em Nova Delhi, por Nathuram Godse, um hindu radical que responsabilizava Gandhi pelo enfraquecimento do novo governo ao insistir no pagamento de certas dívidas ao Paquistão. Godse foi depois julgado, condenado e enforcado, a despeito do último pedido de Gandhi que foi justamente a não-punição de um seu  eventual assassino.







O corpo do Mahatma foi cremado e suas cinzas foram jogadas no rio Ganges. É significativo o facto de suas últimas palavras terem sido o mantra "Hai Ram!", relacionado a uma possibilidade de paz na unificação.


Os últimos passos de Gandhi estão assinalados num percuso de alguns metros que vai do seu quarto até ao local onde morreu e onde existe agora um pequeno memorial rodeado por um onito jardim.







Um à parte: Como podem ter reparado tirei algumas fotografias de textos de imagens que estão expostas no museu. Muitos textos aparecem em hindustani mas também em inglês o que me lembra de referir que em Delhi o hindustani é a principal língua falada mas o Inglês é a principal língua escrita. De resto e ainda a propósito da lingua, como a Índia foi constituída pela união de diversos estados com diversas culturas e línguas há uma série de dialectos no país. O número de dialectos falados na Índia chega a 1652. Na verdade, embora o híndi e o inglês sejam usados pelo governo federal para fins oficiais, a constituição indiana considera como oficiais 23 línguas diferentes . O sânscrito (mais antigo que o hebraico e o latim) e o tamil são consideradas línguas clássicas.

Um outro memorial que se pode visitar é Memorial de Indira Priyadarshini Gandhi, que foi primeira-ministra da Índia entre 1966 e 1977 e entre 1980 e 1984.

Filha de Jawaharlal Nehru, que foi primeiro-ministro e presidente do Congresso e de quem Mahatma Gandhi foi mentor, foi a primeira mulher a ocupar o cargo de chefe do governo indiano. O facto de ter o apelido Gandhi é explicado pelo facto de ter o sobrenome do marido um muçulmano, Feroze Gandhi, que havia mudado seu sobrenome para "Gandhi" por razões políticas.






Como Primeira-ministra, Indira usou com cuidado os instrumentos de que dispunha para consolidar seu poder e autoridade. Usando seu poder de nomeações, criou gabinetes notoriamente débeis. Criou seu próprio partido do Congresso, depois da cisão dentro do partido do Congresso Nacional Indiano.

Reeleita em 1971 — depois de campanha feroz com o slogan “expulsar a pobreza”, conseguiu melhorar a sorte do seu próprio governo e a sua projecção mundial, com os êxitos da guerra indo-paquistanesa de 1971, apoiada pelos americanos, contra o vizinho Paquistão, e que levou à criação do Bangladesh.

Quando em 1975, na sequência de um processo jurídico levantado pelos adversários, a Alta Corte de Allahabad a considerou culpada de fraude eleitoral e ordenou que perdesse seu assento no Parlamento e fosse proibida de se candidatar por mais seis anos, Indira declarou estado de emergência na Índia, arrogou-se poderes extraordinários, reduziu as liberdades civis e perseguiu a oposição. Editou leis cada vez mais austeras e emendas constitucionais que passaram pelo Parlamento com pouca discussão e sem debate. Defendia que embora nós possamos atacar um sistema injusto, temos que amar sempre as pessoas envolvidas e que ahimsa é a base da procura para verdade. Foi apoiada por Madre Teresa.


A Indira atribui-se a nacionalização dos bancos na Índia no momento em que diversos bancos particulares tinham falido e arrastado os depósitos do povo, esta rede nacionalizada criou as instituições de sucesso de hoje, que recebem a confiança geral. Indira tomou também a medida corajosa de fazer cessar as pensões particulares como os pagamentos a título pessoal feitos aos Estados principescos, que ela considerava anacrónicos, dado o carácter democrático do país após sua independência. Outro sucesso foram seus esforços em prol de auto-suficiência alimentar para a India em cereais - a Revolução Verde . Por todos estes motivos foi muito apreciada pelo povo.

Os aposentos de Indira e a roupa que levava quando foi assassinada, ainda se vêem as manchas de sangue...





Após a derrota nas eleições de 1977 para Morarji Desai, sua carreira parecia estar encerrada, mas em 1979 foi reeleita tendo os anos seguintes de seu Governo ficado marcados por um rompimento grave nas relações entre hindus e sikhs. O aumento de popularidade de um líder missionário Sikh, figura altamente politizada, Sant Jarnail Singh, alarmava os líderes da Índia que estavam perturbados com a possibilidade da proclamação parte dos Sikhs de que eram uma comunidade soberana que devia se autogovernar e ainda com apoio do Paquistão ao movimento.


Em 1984 Gandhi ordenou a Operação Estrela Azul, um assalto militar ao santuário sagrado em Amritsar o Templo Dourado, templo mais importante de prece para os Sikh e que fora ocupado por Sant Jarnail Singh e seus partidários e militantes e transformado em esconderijo secreto de armas. Gandhi deu ordem ao Exército para irromper pelo santuário e os ocupantes recusaram-se a sair. Na luta que se seguiu morreram diversos peregrinos.

Os Sikhs encheram-se de raiva com a dessecração do santuário e em 31 de Outubro de 1984, Indira Gandhi foi assassinada por dois dos seus guarda-costas sikhs. Em Nova Delhi, irromperam motins anti-Sikh em que mais de dois mil sikhs inocentes morreram. Indira parece ter tido uma premonição de sua morte pois na própria noite em que morreu, num discurso, disse: “Não me importa se perder a vida ao serviço da Índia. Se morrer hoje, cada gota de meu sangue revigorará a nação.”


Os últimos metros que Indira percorreu foram cobertos com cristal sugerindo um rio em movimento. Uma folha de vidro transparente, marca o local exacto onde Indira caiu.





Os seus dois filhos, Sanjay e Rajiv, também se envolveram na política. Sanjay Gandhi tinha morrido num acidente aéreo (possivelmente um atentado) em 1980. Rajiv Gandhi entrou para a política em 1981 e tornou-se primeiro-ministro por ocasião da morte da mãe. Em 1991, ele próprio teve fim semelhante, assassinado por militantes estrangeiros do LTTE - Liberation Tigers of Tamil Eelam, do Sri Lanka. A sua viúva, a italiana Sonia Gandhi, chefiou uma coligação do partido e conseguiu surpreendente vitória nas eleições de 2004. Sonia Gandhi não aceitou a oportunidade de assumir o cargo de primeiro-ministra, e Manmohan Singh, um sikh, aceitou o cargo e passou a comandar o país...






Outro sítio a visitar em Delhi é o templo principal de adoração Bahá'í, no subcontinente indiano, conhecido por Lotus Temple, devido à sua forma ganhou vários prémios de arquitectura e foi apresentado em centenas de artigos de jornais e revistas.






Foi concluído em 1986 e à semelhança de outros templos Bahá'í está aberto a todos, independentemente da religião. As leis Bahá'ís defendem que os templos sejam locais de encontro onde pessoas de todas as religiões podem adorar a Deus independentemente dos cultos. Aliás estes templos são construídos unicamente para a realização de orações, não havendo nenhuma espécie de culto. Aqui cada indivíduo é incentivado a recitar as palavras reveladas por Deus, sejam estas de Krishna, Moisés, Zoroastro, Buda, Cristo, Maomé, Báb ou Bahá'u'lláh. .


Os templos Bahá'ís têm todos nove entradas, pela simbologia da estrela e de que o número nove é o maior dígito, o número da perfeição. Os templos bahá'ís simbolizam a unidade de Deus, unidade de todos os seus profetas e unidade da humanidade.

A religião Bahá'í , nome que deriva do termo árabe "Bahá" بهاء que significa glória ou esplendor, é uma religião monoteísta fundada por Bahá'u'lláh, na Pérsia durante o século XIX e que enfatiza a unidade espiritual. Trata-se de uma religião independente que possui as suas próprias leis, escrituras sagradas, administração e calendário. Mas não possui dogmas, clero, nem sacerdócio. Estima-se que existam cinco a seis milhões de Bahá'ís espalhados por mais de 200 países e territórios.
Os ensinamentos Bahá'ís atribuem grande importância ao conceito de unidade das religiões. A história religiosa da humanidade é vista como um processo de desenvolvimento gradual, em que surgem diversos Mensageiros Divinos com ensinamentos adequados às necessidades de cada momento e à maturidade de cada povo. Esses mensageiros incluem Krishna, Abraão, Buda, Jesus, Maomé e, mais recentemente, O Báb e Bahá'u'lláh. Segundo os ensinamentos Bahá'ís, a humanidade encontra-se num processo de evolução colectiva a caminho de uma civilização mundial, e as suas necessidades actuais centram-se, essencialmente, no estabelecimento gradual da paz, justiça e unidade a uma escala global.

As escrituras bahá'ís, como as outras religiões, definem que o propósito da vida é o crescimento espiritual que continua eternamente após a morte. O paraíso é apontado na Fé Bahá'í como metafórico, já que o desenvolvimento é eterno, trata-se apenas de uma definição necessária adoptada pelos Profetas anteriores para melhor compreensão dos povos da época.

A "Imagem e Semelhança", para os bahá'ís, trata-se dos atributos de Deus que reflectem na alma humana, sendo como um espelho na qual reflecte a "luz" das perfeições divinas, esse espelho, entretanto, deve ser polido de modo que possa reflectir mais intensamente tais atributos.

Acreditam que através da prática das virtudes como bondade, humildade, honestidade, veracidade, serviço, e assim por diante, o ser humano através da experiência da vida vai gradualmente polindo este "espelho", tornando-se mais rico em compreensão espiritual.

Os bahá'ís, além dos actos e conduta, desenvolvem a espiritualidade com ajuda de oração e recitação, como também a leitura de textos sagrados. É proibido o monasticismo pois consideram que a vida em reclusão não traduz o verdadeiro desenvolvimento espiritual, por outro lado, o trabalho é intensamente recomendado e tido inclusive como uma forma de adoração.

Mas há mais para ver em Delhi... Outros lugares a visitar em Delhi são o Jantar Mantar, a Purana Qila (uma fortaleza do séc. XVI), o Templo Laxminarayan, o maior templo hindu do mundo, o Templo Akshardham, o Qutub Minar de 72,5 m é minarete mais alto do mundo de tijolo solto





Devido à imensa população migrante, Nova Delhi é o local ideal para experimentar as cozinhas de todas as partes da Índia. Existem também vários locais que servem cozinha internacional, incluindo a italiana, japonesa, do médio oriente, tailandesa e chinesa. Na última década o fast food ocidental tornou-se também muito popular na cidade.


Mas indo ao que interessa, alguns dos pratos que experimentei ou repeti e me lembrei de fotografar em Nova Delhi foram:

Uttapam com sambar (canto superior esq) Uttapam é uma panqueca espessa tradicionalmente feita com tomate ou uma mistura de cebola, pimentões, e por vezes coco. O Uttapam é às vezes chamado de pizza ou panqueca indiana. Muitas vezes, é comido com sambar ou chatni.
Sambar é um prato comum no sul da Índia e do Sri Lanka é um ensopado de legumes ou sopa com base num caldo feito com tamarindo e toor dāl . Cada estado no sul do país prepara o sambar à sua forma típica, adaptada ao seu gosto e ambiente.

Jalebi जलेबी (canto superior dto), é um doce árabe que ganhou popularidade nos países do subcontinente indiano, como a Índia, o Paquistão , Nepal e Bangladesh. É feito em massa para fritar numa forma circular e depois é embebido em calda de açúcar. O ácido cítrico ou o suco de limão é, por vezes adicionado à calda, bem como água de rosas ou outros sabores como água de kewra. É servido quente ou frio. As primeiras referências escritas sobre o doce vem do Irão, onde é conhecido como Zlebia, o doce era tradicionalmente dado aos pobres durante o Ramadão.

Puri पूरी é um pão ázimo (não fermentado). É feito farinha de atta e sal. A massa é esticada num círculo do tamanho de um palmo e frito em ghee (manteiga clarificada) ou óleo vegetal. Ao fritar, o pão incha como uma bola redonda. Quando fica dourado é retirado do lume e servido quente. No Paquistão e em algumas partes da Índia, como em Bengala Ocidental e em Uttar Pradesh é feito geralmente com maida (farinha de trigo normal) em vez de atta. É consumido ao pequeno-almoço, ao lanche ou numa refeição leve. Também é servido em ocasiões especiais ou cerimoniais, como parte de rituais juntamente com outros alimentos vegetarianos oferecidos em oração como prasadam. O nome de Puri vem da palavra sânscrita पूरिका (pūrikā).


Neyyappam com Chatni (canto inferior dto). Neyyappam são pequenas panquecas de farinha de arroz fritas em ghee podem levar açúcar mascavado, cardamomo e gengibre seco para dar sabor. Neyyappam vem de "Neyy", que significa ghee e "Appam" (é um pão de massa de arroz feito numa frigideira de pedra. Assemelha-se a uma panqueca e é comido com mais frequência ao almoço ou jantar. Chatni चटनी (de onde derivou o chutney) é uma palavra usada para descrever um molho pastoso na culinária indiana. Designa qualquer preparado picante utilizado como acompanhamento para um prato principal e geralmente contêm especiarias adicionadas normalmente numa ordem específica e misturas de vegetais cuja a pasta é refogada em óleo vegetal, geralmente de sésamo ou em óleo de amendoim. Raramente são doces.


Lassi लस्सी (canto inferior dto) é uma bebida popular e tradicional bebida à base de iogurte. É feito por iogurte misturado com água ou leite e especiarias indianas. O lassi tradicional é, por vezes aromatizado com cominho moído. O lassi doce, misturado com açúcar ou frutas em vez de especiarias, é também muito popular. Em alguns lugares o lassi é servido coberto com uma fina camada de creme de leite coagulado. Os lassis são apreciados frios, e são um refresco em climas quentes e muitas vezes acompanham o almoço. Para mim o lassi é a forma mais eficiente de se cortar o picante da comida e foi do que mais bebi na Índia com as refeições.





E assim com a barriga cheia chegamos ao fim da viagem e ao fim da longa narrativa... uff...
Apanhemos então o avião de Delhi de regresso a casa...

26. CHEGADA A LISBOA

Antes de aterrarmos deixo-vos umas fotografias de antes de aterrar em Lisboa...




E até à próxima viagem!





Mas não fiquem tristes porque ainda não vos contei como foi a viagem ao Sri Lanka... Brevemente num próximo post...

2 comments:

Carlos Martins (Neca) said...

Outro post de grande fôlego!
Da Índia falta-me precisamente o Sul e Amristar. Fica para as próximas 2 idas.
Em 2012 o nosso condutor (esteve connosco 14 dias) era Sikh e levamos uma ensaboadela da religião e visitámos todos os templos Sikhs por onde passamos. Até em Pushkar há um lindo. Aliás, são todos belos.
Gostei saber de Vipassana e Dhamma. Quem sabe, acho que ando demasiado stressado e a precisar, não de 10 dias mas de 100.
Parabéns, decididamente vale a pena visitar o teu blog.
Carlos Martins

Dig said...

Adorei todas as fotos adorei tudo! A Índia é um local que eu amaria conhecer e eu tenho um certo fascínio pelo lugar e pela cultura. Eu de fato AMO a Índia, mas gostaria mesmo de conhecer Kochi. Obrigada por compartilhar essas lindas imagens. Um abraço